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Ibovespa desaba 3,57% com falas de Guedes e incertezas sobre a Previdência; dólar dispara a R$3,95

Por Pablo Vinicius Souza
27 março 2019 - 18:28

O pregão de hoje refletiu a junção entre o tom negativo dos mercados internacionais e as turbulências do cenário político. Operando em queda desde a abertura, o Ibovespa acentuou as perdas durante à tarde, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, falar sobre a atual situação do governo em uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

No exterior, o movimento foi de cautela frente aos sinais de desaceleração da economia global, sobretudo, em relação aos indicadores frustrantes de países como Estados Unidos, Alemanha e China, o que igualmente impactou o ritmo dos negócios por aqui.

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No fim da sessão, a Bolsa brasileira encerrou em desvalorização de 3,57%, aos 91.903 pontos, registrando um volume financeiro de R$17,818 bilhões, no pior pregão desde o dia 6 de fevereiro.

Cenário Político

Durante o evento na CAE, Guedes ressaltou a importância da aprovação da reforma da Previdência para assegurar o equilíbrio das contas públicas e acrescentou que em sua fé inabalável ele acredita que os poderes do estado, independentes como são, estão se aprimorando para trabalhar pelo bem público.

Quando questionado sobre os rumores de sua saída do governo Bolsonaro, Guedes foi convicto em afirmar que se o presidente e a Câmara apoiarem as ideias que ele acredita serem boas para o Brasil, ele ficará no cargo, do contrário, voltará para onde sempre esteve. “Eu estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, foi um prazer ter tentado” – disse o ministro.

Guedes também destacou que não deixará a equipe de governo na primeira derrota pois essa atitude seria de uma irresponsabilidade sem tamanho, porém enfatiza não ter qualquer apego ao cargo de ministro.

Cotação do dólar e juros futuros

O dólar comercial disparou 2,28%, sendo cotado a R$3,95, no maior nível desde outubro do ano passado. Em um dia já desfavorável para os emergentes, os investidores buscaram maior proteção na divisa americana, que subiu firme contra as principais moedas globais. O aumento no prêmio de risco no câmbio refletiu as nuances do crítico embate entre o governo e os parlamentares.

Os contratos de juros futuros encerraram com elevação nas taxas em todos os períodos, com o mercado de renda fixa começando a precificar um cenário de não aprovação da reforma da Previdência. Desde o início da crise política, os investidores têm se mostrado incipientes e receosos, porém ainda projetam a aprovação, mesmo que a proposta seja desidrata.

O DI com vencimento para dezembro/2019 saltou para 6,65% (6,46% no ajuste anterior), o DI para março/2021 aumentou para 7,61% (7,29% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2025 avançou para 9,32% (8,99% no ajuste anterior).

Desempenho das ações no Bovespa

As ações de maior liquidez fecharam em território negativo, com diferentes setores apresentando expressiva queda. Com destaque para as companhias que lideraram as perdas:

  • Eletrobras (ELET3) -7,23%
  • Banco do Brasil (BBAS3) -6,86%
  • Cemig (CMIG4) -6,80%
  • Santander (SANB11) -6,66%
  • CSN (CSNA3) -5,62%
COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo26/0327/03Ativo26/0327/03
Petrobras (PETR3)+3,72%-6,42%Vale (VALE3)+1,21%-2,45%
Petrobras (PETR4)+4,75%-5,52%Embraer (EMBR3)+0,27%-2,36%
Eletrobras (ELET3)+4,25%-7,23%Banco do Brasil (BBAS3)+2,52%-6,86%
Eletrobras (ELET6)+4,04%-6,41%Cemig (CMIG4)+0,85%-6,80%

Manual do Imposto de Renda para Investidores

SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo26/0327/03Ativo26/0327/03
Itaú Unibanco (ITUB3)-0,24%-2,64%Usiminas (USIM3)00%-4,43%
Santander (SANB11)+0,43%-6,66%CSN (CSNA3)+6,04%-5,62%
Bradesco (BBDC3)+0,33%-4,86%Gerdau (GGBR4)+2,02%-4,59%

 


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