HomeMercados

Ibovespa desaba 2,7% e recua aos 91 mil com fracasso nas negociações comerciais EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
13 maio 2019 - 18:36

Em um pregão de intensa oscilação, o Ibovespa apurou perdas expressivas acompanhando as principais Bolsas ao redor do mundo. A pressão do exterior veio após a notícia de que as negociações comerciais entre Estados Unidos e China fracassaram, encerrando sem um consenso entre os dois países.

A situação se agravou depois que o Ministério das Finanças da China anunciou que irá elevar as tarifas sobre US$60 bilhões em produtos americanos a partir do dia 1º de junho, como forma de retaliação às sobretaxas impostas pelo governo americano às importações de produtos chineses.

Segundo declarações do assessor da Casa Branca, Larry Kudlow, Pequim teria convidado Washington a prosseguir com as conversas sobre um acordo comercial e estaria agendado um encontro entre os dois presidentes durante a reunião do G-20, que acontecerá em Tóquio, no mês que vem.

Sem grandes catalisadores no cenário político, os investidores reagiram à piora no ambiente e externo e ao progresso da articulação do governo junto ao Congresso para aprovação da reforma da Previdência, que está em tramitação na Comissão Especial.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 2,69%, retrocedendo aos 91.726 pontos, fazendo o pior pregão em um mês e meio. O um volume financeiro da sessão fechou em R$10,794 bilhões.

Dólar avança a R$3,98 e fecha no maior valor em três semanas

Depois de bater em R$4 na máxima do dia, o dólar comercial fechou com valorização de 0,89% na paridade com o real brasileiro, sendo cotado a R$3,98. Este é o maior valor registrado desde o dia 24 de abril, há quase três semanas, e está em linha com o desempenho da divisa americana no exterior.

Os contratos de juros futuros encerraram com elevação nas taxas em todos os períodos, com os investidores de renda fixa adicionando prêmio na curva a termo devido ao aumento das turbulências do cenário externo e à retração nas atividades econômicas do Brasil.

O câmbio reage, sobretudo, à nova queda das estimativas de crescimento do PIB divulgadas hoje. As projeções do Boletim Focus evidenciam um cenário pior do que o registrado em 2017 e 2018 e o avanço do dólar precifica um ambiente ainda mais adverso.

O DI com vencimento para novembro/2019 subiu para 6,41% (6,39% no ajuste anterior), o DI para junho/2023 aumentou para 8,24% (8,18% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2025 avançou 8,77% (8,71% no ajuste anterior).

Variações nas Commodities

Petróleo – Depois de iniciar a manhã oscilando em alta, os contratos futuros de petróleo devolveram os ganhos percebidos e encerraram em queda. A mudança de direção ocorreu após a notícia de que os navios-tanque que transportavam petróleo da Arábia Saudita foram atacados no Golfo Pérsico.

O fracasso das negociações entre EUA e China também afetaram os preços da commodity, sobretudo após a retaliação chinesa aos produtos americanos. Segundo os analistas, a tendência é que as cotações sofram com intensa volatilidade nos próximos dias, tendo em vista as adversidades enfrentadas.

O petróleo WTI para entrega em junho desvalorizou 1%, sendo cotado a US$61,04 o barril, vendido em Nova Iorque e o petróleo Brent para entrega em julho recuou 0,55%, sendo cotado a US$70,23 o barril, comercializado em Londres.

Noticiário e resultados corporativos

Petrobras (PETR4) – A Petrobras deu início à fase não vinculante de comercialização das ações da Liquigás Distribuidora, podendo os futuros investidores que atendam aos critérios de elegibilidade manifestar o interesse até o dia 17 de maio.

Nesta etapa, conforme divulgado pela estatal, os interessados que assinaram o acordo de confidencialidade receberão informações detalhadas sobre os ativos ofertados, os processos de desinvestimentos e as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes.

Ainda no noticiário da companhia, a diretoria executiva espera concluir a venda de oito refinarias de petróleo e toda infraestrutura logística associada a elas até o final de 2021. E mesmo vendendo estas unidades, a Petrobras permaneceria dominando esta atividade, que é considerada estratégica para o país.

Direcional (DIRR3) – A construtora Direcional Engenharia divulgou os resultados corporativos com um lucro líquido de R$20,4 milhões no primeiro trimestre de 2019, conseguindo reverter o prejuízo de R$8,093 milhões registrados no exercício anterior.

O Ebitda ajustado somou R$60,368 milhões, alcançando um crescimento de 364%. Segundo a companhia, o avanço dos resultados ocorreu pelo aumento do número de lançamentos e pela maior força nas vendas dos últimos meses, sobretudo dos produtos do portfólio minha casa, minha vida.

Movimentações na B3

As blue chips da Bovespa encerraram majoritariamente em queda, com alguns setores exponenciando perdas. Com destaque para as companhias que alcançaram as mínimas:

  • CVC (CVCB3) -7,80%
  • Suzano (SUZB3) -6,23%
  • Gol (GOLL4) -7,41%
  • Braskem (BRKM5) -7,02%
  • Sabesp (SBSP3) -7,49%
COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 10/05 13/05 Ativo 10/05 13/05
Petrobras (PETR3) -0,75% -2,73% Vale (VALE3) +1,83% -4,51%
Petrobras (PETR4) -0,82% -3,11% Embraer (EMBR3) -0,42% -2,33%
Eletrobras (ELET3) -2,64% -4,95% Banco do Brasil (BBAS3) -1,59% -4,39%
Eletrobras (ELET6) -2,95% -3,76% Cemig (CMIG4) -0,72% -3,99%

E-book: Guia completo e definitivo da Previdência Privada

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 10/05 13/05 Ativo 10/05 13/05
Itaú Unibanco (ITUB3) -1,05% -1,60% Usiminas (USIM3) -0,57% -2,49%
Santander (SANB11) -0,91% -3,94% CSN (CSNA3) +0,84% -5,14%
Bradesco (BBDC3) -0,69% -3,53% Gerdau (GGBR4) -0,49% -3,04%

 


Sobre o autor