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Ibovespa desaba 2% com derrota de Macri na Argentina

Por Pablo Vinicius Souza
12 agosto 2019 - 18:45

O Ibovespa fechou o pregão de hoje anotando perdas expressivas, em atenção à derrota do atual presidente da Argentina, Maurício Macri, nas primárias das eleições presidenciais.

A chapa da oposição, composta por Alberto Férnandez e Cristina Kirchner, venceu com uma diferença de 15%, deixando o resultado difícil de ser revertido até a realização do pleito principal em outubro.

A possível guinada à esquerda no país vizinho e parceiro no Mercosul pressionou a queda dos ativos locais, que viveram uma sessão de intenso sell-off nesta segunda-feira (12).

O receio quanto à aplicação de políticas heterodoxas na Argentina levou os investidores a optar pela realização de lucros, evitando os riscos sistêmicos oferecidos pela região.

Dessa forma, as ações que possuem custos atrelados ao dólar, como os setores aéreo e bancário, sofreram as maiores perdas do dia. Ao revés, houve grande alocação em ativos com maior exposição à moeda americana, como os frigoríficos e a Suzano (SUZB3).

O mercado também repercutiu as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, com o presidente Donald Trump afirmando que o diálogo entre os dois países programado para setembro, pode não ocorrer.

Como resultado, a Bolsa brasileira desabou 2%, aos 101.915 pontos, registrando um volume financeiro de R$15,74 bilhões.

Dólar salta a R$3,98 com eleições na Argentina e tensões comerciais

O resultado das eleições primárias na Argentina foi apenas um fator que intensificou o clima de aversão ao risco no exterior.

Os investidores já reagiam às tensões comerciais entre Estados Unidos e China e as turbulências político-econômicas no Reino Unido e na Itália.

O mercado ficou receoso que uma possível derrota do atual presidente argentino, Maurício Macri, possa trazer ao poder um governo que não dê sequência às reformas estruturais iniciadas por esta gestão.

Porém a chapa da oposição, composta por Alberto Férnandez e Cristina Kirchner, estão com 15% dos votos à frente de Macri e propõem um modelo de governo bem diferente do aplicado até o momento.

Por se tratar de um ativo seguro, o dólar subiu contra as principais moedas emergentes e o real brasileiro ficou em terceiro lugar dentre os que mais depreciaram, perdendo apenas para o peso argentino e a lira turca.

No fechamento, a divisa americana saltou 1,07%, sendo cotada a R$3,9820 na venda, depois de ter tocado em R$4,0120 na máxima.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em leve alta, acompanhando a valorização do câmbio, em meio às pressões do exterior.

O DI janeiro/2020 subiu para 5,45% (5,44% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 avançou para 6,67% (6,66% no ajuste anterior) e o DI julho/2026 subiu para 7,17% (7,06% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta sinalizando estabilização temporária das cotações

Os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta segunda-feira (12) em leve alta, sinalizando um efeito de estabilização temporária das cotações.

Depois de ter entrado em “bear market” na semana passada, os preços da commodity parecem refletir um breve equilíbrio dos temores quanto à desaceleração da economia global.

Os investidores continuaram receosos com os impactos negativos do agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, pressionando os contratos.

Também pesou nas expectativas a redução das previsões de crescimento da demanda do óleo bruto realizadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Acredita-se que não só os níveis de demanda deverão recuar, mas também a oferta ficará mais apertada, devido aos cortes na produção e redução das exportações do Irã e da Venezuela, além das tensões comuns na região do Golfo Pérsico, que podem afetar a comercialização.

Como resultado, o petróleo WTI para entrega em setembro subiu 0,78%, sendo cotado a US$54,93 o barril e o petróleo Brent para outubro teve variação positiva de 0,06%, sendo cotado a US$58,57 o barril.

Noticiário Corporativo

Petrobras (PETR3 / PETR4) – Segundo o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, até 2022, a estatal restringirá suas operações aos estados Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Castello Branco acrescentou que as atividades de refino, exploração, produção de petróleo e gás natural também ficarão concentradas apenas nestas três unidades da federação.

Só no Rio de Janeiro, o total de investimentos planejados nos próximos cinco anos já soma US$54 bilhões, sendo que, destes, US$20 bilhões serão gastos na revitalização da Bacia de Campos.

O presidente da estatal novamente ressaltou que os negócios da companhia estão voltados ao trabalho no pré-sal e na política constante de redução de custos.

“Estamos nos preparando para viver bem com o petróleo a US$50 e até menos, porque sabemos que não só estamos em uma indústria cíclica, como também, ao longo do tempo, o petróleo tende a se desvalorizar” – destacou.

BR Distribuidora (BRDT3) – Depois de concluir os processos de privatização, a BR pretende atuar em dez frentes para tentar alcançar os níveis de competitividade de seus concorrentes.

Dentre as medidas para desenvolvimento da distribuidora, inclui-se a entrada no negócio de comercialização de combustíveis, comprando de diferentes tipos de fornecedores e revendendo ao mercado. Para tal, a BR estuda abrir uma empresa específica para atuar no segmento de etanol.

Uma outra ideia é aumentar a capacidade de produção de sua fábrica de lubrificantes em 15 milhões de litros por mês, alcançando a produção de 42 milhões até 2022.

Segundo Rafael Grisolia, atual presidente da BR, as 10 medidas para modernização já estão em andamento e os seus resultados poderão ser percebidos já nos próximos resultados da companhia.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da Bovespa encerraram em queda expressiva. A seguir, as mínimas registradas no dia:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 09/08 12/08 Ativo 09/08 12/08
Petrobras (PETR3) -0,87% -2,55% Vale (VALE3) -3,60% -0,77%
Petrobras (PETR4) -0,38% -2,63% Embraer (EMBR3) -0,51% -0,77%
Eletrobras (ELET3) +1,89% -3,00% Banco do Brasil (BBAS3) -0,61% -3,47%
Eletrobras (ELET6) +2,08% -2,99% Cemig (CMIG4) +0,69% -0,68%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 09/08 12/08 Ativo 09/08 12/08
Itaú Unibanco (ITUB3) 00% -3,62% Usiminas (USIM3) 00% -1,27%
Santander (SANB11) -1,72% -1,65% CSN (CSNA3) -2,01% -1,16%
Bradesco (BBDC3) -1,46% -1,69% Gerdau (GGBR4) -1,05% -3,16%


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