HomeMercados

Ibovespa cai mais de 5% pressionado pelo avanço do coronavírus no mundo

Por Pablo Vinicius Souza
26 fevereiro 2020 - 15:01

O Ibovespa operava em forte queda nesta quarta-feira (26), refletindo o aumento das preocupações com a propagação do coronavírus no mundo.

Na volta do feriado de Carnaval, o índice geral repercutia a desvalorização dos ADRs (ações de empresas nacionais negociadas no exterior) brasileiros durante os dias que a B3 ficou fechada.

O Dow Jones Brasil Titans 20 ADR, que mensura o desempenho dos 20 ADRs mais líquidos do Brasil no mercado americano, acumulou baixa de 6,71% nas sessões de segunda e terça.

O movimento de baixa teve início notícias confirmarem que o primeiro surto da doença fora da Ásia está acontecendo em território europeu, especificamente na Itália.

O governo italiano divulgou que o número de contaminados no país subiu para 322 e cerca de 11 pessoas foram à óbito vitimadas pelo vírus.

Na Espanha, foram reportados 10 novos casos nas últimas 36 horas, enquanto no Irã, as estatísticas foram atualizadas informando 15 mortes e 95 contaminações.

O Brasil registrou oficialmente o primeiro caso de coronavírus e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que os especialistas estão acompanhando de perto para mapear como está ocorrendo o deslocamento do vírus.

Além da situação emergencial gerada pela epidemia, os investidores estão avaliando a crise política entre o governo e o Congresso, que ganhou novos contornos nos últimos dias.

O presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais convocando a população a sair às ruas no próximo dia 15 de março, para protestar contra os parlamentares.

O fato trouxe repercussões negativas em diferentes setores da sociedade e também na imprensa, evidenciando que a continuidade da agenda de reformas poderá enfrentar sérios desafios em âmbito político.

No mercado local, a queda é generalizada, sobretudo, das ações ligadas ao setor de commodities, como Petrobras (PETR3/ PETR4), Vale (VALE3) e companhias siderúrgicas.

Ás 14h50 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira perdia 5,34%, aos 107.606 pontos, com um volume financeiro de R$8,548 bilhões.

Dólar salta a R$4,43 mesmo após intervenção do Banco Central

O dólar comercial operava em expressiva alta nesta quarta-feira (26), refletindo o aumento da aversão ao risco no exterior.

Pressionado pelos temores com o avanço do coronavírus, a divisa americana seguia em firme alta contra as principais moedas emergentes e atreladas às commodities.

Por aqui, o Banco Central realizou um leilão de 10 mil contratos de swap cambial logo após a abertura do mercado, contudo, isso não foi suficiente para conter a depreciação do real.

Além do mau humor externo, o relatório Focus divulgado hoje mostrou que os economistas reduziram as projeções de crescimento para o Brasil em 2020, passando de 2,23% para 2,20%.

Na esteira de estimativas mais fracas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também foi reduzido de 3,22% ao final do ano, para 3,20%.

Ás 14h50 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 1% contra o real, sendo cotado a R$4,4370 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros apresentavam elevação das taxas intermediárias e longas, se alinhando ao comportamento do câmbio.

O DI outubro/2020 caía 0,36% sendo negociado a 4,14% (4,15% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 saltava 1,59% sendo vendido a 6,39% (6,27% no ajuste anterior).

Noticiário corporativo: Oi conclui alienação de prédio no Rio pelo total de R$120,5 milhões

A gigante de telecomunicações Oi (OIBR3) informou a conclusão da venda de um imóvel localizado no Rio de Janeiro, pelo valor de R$120,5 milhões.

O prédio, que fica no bairro Botafogo, já foi transferido para o comprador e a liquidação financeira já foi devidamente registrada pela empresa.

Todas as operações e procedimentos foram finalizados na última sexta-feira (21) e o negócio faz parte da venda de ativos planejada como parte do processo de recuperação judicial da companhia.

O objetivo é conseguir reduzir o endividamento através do desinvestimento em ativos que não vão comprometer o core business (atividade-fim) da operadora.

Também serão objeto de venda outros imóveis, torres de transmissão, centro de dados e a participação na angolana Unitel, que já está sendo negociada junto à empresa Sonangol.

Até o final do trimestre, a administração da Oi espera arrecadar cerca de R$8 bilhões com a venda de ativos e a obtenção de empréstimos-ponte, para se preparar com o equivalente a dois anos de caixa e voltar a investir em suas atividades.


Sobre o autor