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Ibovespa cai em sinal de cautela com disputa EUA-China mas fecha setembro com alta de 3,6%

Por Pablo Vinicius Souza
30 setembro 2019 - 18:37
Confiança do empresário cai 0,1 ponto em agosto e resultado fica em 93,9 pontos, diz FGV

O Ibovespa encerrou em leve queda no pregão inaugural da semana, refletindo a liquidez reduzida da sessão e o sentimento de cautela que prevaleceu entre os investidores.

As turbulências do cenário externo novamente ditaram o rumo dos negócios por aqui, sobretudo, no que tange ao acirramento das tensões entre Estados Unidos e China.

Embora o governo americano tenha negado sua intenção em deslistar as empresas chinesas das Bolsas de Nova Iorque, o medo diante da situação aumentou a aversão ao risco nos mercados.

Para completar o clima de incertezas, o presidente Donald Trump publicou em sua conta no Twitter que os EUA finalmente perceberam as intenções da China de se tornar a maior potência econômica e militar do mundo e estão agindo para impedir que isso aconteça.

O agravamento da disputa entre os dois países está ocorrendo uma semana antes da reunião de alta cúpula, agendada para os dias 10 e 11 de outubro, que contará com a presença do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He.

Apesar das concessões realizadas por Pequim e Washington em sinal de boa vontade para selar um acordo comercial, os especialistas estão céticos quanto à resolução do conflito no curto prazo.

No ambiente doméstico, crescem as expectativas pela votação da reforma da Previdência no Senado, que já foi adiada duas vezes, e, segundo o presidente da casa, Davi Alcolumbre, será realizada amanhã.

Além disso, as atenções estão centradas na articulação do ministro Paulo Guedes junto aos líderes do Congresso Nacional, para enviar à apreciação do legislativo, um bloco de medidas para destravar a economia e auxiliar o ajuste fiscal.

Como resultado, a Bolsa brasileira caiu 0,32% aos 104.745 pontos, anotando um volume financeiro de R$12,351 bilhões. No mês de setembro, o índice geral da B3 valorizou 3,6%.

Dólar fecha estável mas registra valorização mensal de 0,32%

O dólar comercial fechou a sessão desta segunda-feira (30) registrando alta marginal de 0,02% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1570 na venda.

No mês de setembro, a divisa americana acumulou valorização de 0,32% no câmbio interno, encerrando o primeiro mês na história em que ficou acima de R$4 em todos os pregões.

Com isso, o mercado sinalizou que este poderá ser um novo patamar de equilíbrio para a moeda dos EUA, considerando um viés de crescimento no curto prazo.

No exterior, o dólar também se fortaleceu, atingindo o maior nível contra uma cesta importante de divisas, dentre as mais líquidas do mundo.

Porém, uma combinação de fatores como a redução da diferença entre as taxas de juros do Brasil e EUA e o ritmo lento de recuperação econômica, fizeram o real apresentar um desempenho muito limitado.

No mesmo sentido, os contratos de juros futuros encerram próximos à estabilidade, com os agentes do mercado monitorando as perspectivas de redução da Selic abaixo de 5% no final de 2019.

O DI abril/2020 caiu para 4,86% (4,87% no ajuste anterior), o DI abril/2023 fechou estável sendo vendido a 6,16% e o DI janeiro/2027 subiu a 7,01% (7% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com guerra comercial e tensões no Oriente Médio

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta segunda-feira (30), refletindo as turbulências da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

O acirramento da disputa tarifária tem pressionado a baixa das cotações, tendo em vista seu potencial de impacto negativo na demanda global da commodity.

Isso porque, à medida que as duas maiores economias vão sofrendo com a contração em suas atividades, a demanda por fontes energéticas nos mercados de referência também declina.

Apesar de os dois países confirmarem o encontro entre autoridades de alto escalão agendado para o início de outubro, os investidores estão desanimados com a resistência do presidente Donald Trump em fechar um acordo comercial.

Outro aspecto que afetou o movimento dos preços foi o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, defendendo uma solução política para o caso do Irã.

Juntamente com os EUA, o governo saudita atribui ao regime iraniano a responsabilidade pelo ataque à petroleira Saudi Aramco, que ocorreu no início do mês.

Mesmo com as instalações muito comprometidas pela agressão, a companhia conseguiu retomar os níveis de produção muito antes do previsto, o que também afetou o desempenho dos contratos nesta sessão.

Como resultado, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em novembro desabou 3,28%, na cotação de US$54,07 o barril, fechando setembro com perdas de 1,04%.

Já o petróleo Brent, comercializado na ICE de Londres, também para novembro, recuou 1,82%, sendo negociado a US$60,78 o barril. De maneira diversa, no acumulado do mês, o Brent subiu 2,6%.

Noticiário Corporativo: Bradesco reduzirá taxa de juros no financiamento imobiliário

O Bradesco (BBDC3 / BBDC4) anunciou nesta segunda-feira (30), sua decisão de reduzir a taxa de juros praticada na concessão de crédito para financiamentos imobiliários.

A taxa mínima praticada passará de 8,20% a.a. + TR (taxa referencial) para 7,30% a.a. + TR, passando a vigorar a partir do dia 01 de outubro em todas as agências.

Atualmente, a TR está em 0%, permitindo que a remuneração do financiamento se dê apenas com a taxa praticada pela instituição financeira.

Tal modalidade possibilita a utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar o saldo devedor e poderá se estender pelo prazo de até 360 meses.

Segundo informações do banco, o cliente poderá financiar até 80% do valor do imóvel, comprometendo no máximo 30% de sua renda para as prestações, conforme dispõe a legislação.

O custo do crédito da habitação está mais acessível em 2019, considerando que, em 2017, a taxa aplicada era, em média, de 11% nos principais bancos brasileiros.

Movimentações na B3  

 As ações de maior liquidez da B3 encerraram majoritariamente em queda, refletindo incertezas com a guerra comercial. A seguir, as mínimas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 27/09 30/09 Ativo 27/09 30/09
Petrobras (PETR3) +0,23% -0,89% Vale (VALE3) -0,42% +0,19%
Petrobras (PETR4) -0,14% -0,40% Embraer (EMBR3) -0,49% -1,21%
Eletrobras (ELET3) +0,73% -0,10% Banco do Brasil (BBAS3) -0,81% +0,33%
Eletrobras (ELET6) +0,36% -0,31% Cemig (CMIG4) 00% +1,63%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 27/09 30/09 Ativo 27/09 30/09
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,07% -1,34% Usiminas (USIM3) -0,84% -0,53%
Santander (SANB11) +1,84% -1,09% CSN (CSNA3) -1,91% -1,12%
Bradesco (BBDC3) -0,09% -1,82% Gerdau (GGBR4) -0,76% +1,00%


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