Mercados

Ibovespa cai em sessão de ajustes, mas contabiliza alta semanal de 9,48%

Por Pablo Vinicius Souza
27 março 2020 - 18:28 | Atualizado em 27 março 2020 - 19:37

O Ibovespa encerrou em queda nesta sexta-feira (27), sofrendo um movimento de correção, depois de contabilizar três sessões de valorização consecutivas.

No acumulado da semana, o índice geral subiu 9,48%, fazendo a melhor semana desde março de 2016, quando registrou aumento de 18,01%.

Pesou sobre as perspectivas dos investidores as notícias sobre o avanço do coronavírus nos Estados Unidos, que se tornou novo epicentro da doença.

A maior economia do mundo confirmou mais de 85 mil novos casos de infecção pelo vírus, superando a China, além de reportar cerca de 1.200 mortes.

Nem mesmo a aprovação no Congresso americano do pacote de US$2 trilhões para auxiliar o combate aos impactos da pandemia foi capaz de reverter as incertezas do mercado.

Enquanto isso, na Europa, a Itália alcançou novo recorde de mortes diárias vítimas do Covid-19, chegando a 919 nas últimas 24 horas, totalizando 9.143 mortes.

Segundo Silvio Brusaferro, chefe do Instituto Superior de Saúde italiano, há grandes chances de o país ainda não ter atingido o pico de contaminações e isso está amedrontando as autoridades.

Na Espanha, a quantidade de mortos contabilizados nas últimas 24 horas também renovou o recorde, alcançando 769 vítimas, segundo o boletim divulgado mais cedo.

Ao todo, são 4.858 vítimas fatais do coronavírus em território espanhol e o total de infectados alcançou 64.059 pessoas, sendo que apenas 9.357 pacientes se recuperaram da doença.

No Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, testou positivo para o vírus após apresentar sintomas leves e, por isso, ficará isolado em quarentena.

Por aqui, o Ministério da Saúde atualizou as estatísticas sobre atingidos pela doença, mostrando aumentos significativos nos números de mortos e infectados.

Em todo o país, foram confirmados cerca de 3.417 contaminações e 92 mortes, sendo que a grande maioria se concentra em São Paulo.

Estudos sugerem que este número está muito abaixo da quantidade real, já que as autoridades ainda não começaram a realizar os testes em massa na população.

Animou os investidores a notícia de que a Câmara dos Deputados aprovou o pacote que prevê um repasse mensal de R$600 para trabalhadores informais e pessoas com deficiência, utilizando o canal INSS para a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O auxílio pode chegar a R$1.200 no caso de mulheres provedoras do sustento familiar e o benefício será pago durante três meses, podendo ser prorrogados enquanto durar o estado de calamidade pública.

Em outra medida, o Conselho Monetário Nacional ampliou o escopo das fintechs para fazer frente à propagação do vírus, permitindo que elas operem como Sociedades de Crédito Direto, para emitir cartões à sociedade.

Na B3, as companhias Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN3), IRB Brasil (IRBR3), CVC (CVCB3), Marfrig (MRFG3) e Carrefour (CRFB3) foram as únicas que obtiveram valorização nesta sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira declinou 5,51% na faixa de 73.428 pontos, com um volume financeiro de R$18,127 bilhões.      

Dólar salta a R$5,10 e conclui sexta semana de ganhos

O dólar comercial subiu 2,22% nesta sexta-feira (27), fechando na cotação de R$5,1066 na venda, concluindo a sexta semana consecutiva de ganhos.

Impulsionado pelo avanço do coronavírus, a divisa americana registrou valorização semanal 1,55% contra o real, interrompendo a trajetória de queda vista nos últimos dias.

A forte busca por proteção se sobressaiu à intervenção do Banco Central, que injetou US$1,02 bilhão através de dois leilões extraordinários no mercado à vista.

Além disso, a autoridade monetária colocou em circulação de mais US$1,25 bilhão de moedas compromissadas na modalidade global bonds.

Mesmo assim, o efeito foi limitado e a divisa dos EUA subiu firme, tanto no câmbio interno, quanto no externo, contra as principais moedas emergentes.

O real foi a segunda divisa que mais depreciou nesta sessão, ficando atrás apenas do rublo russo, que recuava cerca de 2,3% em relação ao dólar.

O grande catalisador do mau humor foi o aumento exponencial da infecção por coronavírus nos Estados Unidos, que reportou mais de 85 mil novos casos, superando a China.

Outro fator que também contribuiu com o sentimento de cautela foi a proximidade com o final de semana, já que, muitas coisas podem acontecer e não há como prever os desdobramentos.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram sem apresentar uma direção comum, reagindo às falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O executivo comentou que há um projeto em tramitação permitindo à instituição comprar crédito diretamente de empresas em momentos de crise, sem que seja necessário passar pelo sistema bancário.

O DI dezembro/2020 avançou para 3,48% (3,45% no ajuste anterior), o DI outubro/2023 declinou para 6,31% (6,38% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2026 recuou para 7,39% (7,45% no ajuste anterior).    

Petróleo registra 5º semana seguida de perdas refletindo avanço do coronavírus

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta sexta-feira (27), concluindo a semana nos menores níveis desde o início do século.

O petróleo WTI/maio desabou 4,82%, fechando no valor de US$21,51 o barril; enquanto o petróleo Brent/maio recuou 5,35%, na cotação de US$24,93 o barril.

Em um dia de forte aversão ao risco, os investidores continuaram monitorando o avanço da disseminação da coronavírus no mundo.

As medidas de isolamento social em função da quarentena estão enfraquecendo, ainda mais, a demanda global pela commodity.

O WTI anotou menor valor de fechamento desde fevereiro de 2002 com a explosão da pandemia nos Estados Unidos, que se tornou novo epicentro da doença.

“O coronavírus está interrompendo a atividade econômica global muito mais do que havíamos pensado anteriormente” – disse Samuel Burman, economista assistente de commodities da Capital Econômica.

Em relação à oferta, é possível que o mercado de óleo bruto conviva com um cenário de excesso e deterioração nos preços por mais tempo do que o previsto.

Até que demanda inicie o processo de recuperação, qualquer acordo de corte de produção entre os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados pode ajudar a desacelerar o declínio das cotações.

Noticiário Corporativo: Tim e C6 fecham parceria no segmento de serviços financeiros

A Tim Brasil e o C6 Bank fecharam uma parceria para vender serviços financeiros aos clientes da operadora de telecomunicações.

O acordo firmado entre as duas empresas prevê um mecanismo que privilegia o alcance de objetivos, sem que seja necessário qualquer desembolso por parte do banco na operação.

Á medida que os clientes da Tim vão se tornando consumidores dos serviços financeiros oferecidos pela instituição, a operadora ganhará uma participação acionária no C6.

Com isso, será possível remunerar a operadora e, ao mesmo tempo, reduzir os custos do banco com aquisição de novos clientes.

Segundo o presidente do Credit Suisse, José Olympio Pereira, “não houve desembolsos na operação”, constituindo uma relação de troca vantajosa para ambas as partes.

Ele também explicou que a Tim terá a opção de fazer dinheiro no negócio promovendo uma oferta pública inicial de ações (IPO) do banco digital.

Marcelo Calicchio, sócio-fundador do C6, disse ao Valor que tem planos de expandir as atividades da empresa para leva-la à Bolsa.

Tendo em vista que a Tim conta com 55 milhões de clientes, se a taxa de conversão para o banco for de 20% deste total, o C6 será o maior do mundo em tamanho de sua base, conforme estimativas do Credit Suisse.


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