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Ibovespa cai e perde os 96 mil refletindo o discurso de Powell e as incertezas sobre a Previdência

Por Pablo Vinicius Souza
02 maio 2019 - 18:22

No pregão de hoje, o Ibovespa oscilou em queda, acompanhando a onda de sell-off que atingiu os mercados internacionais. Os investidores ajustaram posições reagindo ao discurso de Jerome Powell, o presidente do Banco Central americano, o Federal Reserve.

Após o anúncio da decisão de política monetária, Powell declarou que embora o mercado de trabalho dos EUA esteja fortalecido e não tenha causado grandes impactos na inflação, a situação se mostra temporária e, por isso, não há motivo para cortes imediatos na taxa básica de juros.

No cenário interno, há grande expectativa pela retomada das negociações sobre a reforma da Previdência, que agora tramita na Comissão Especial. O dia 1º de maio foi marcado por inúmeros protestos contra a medida, inclusive com a participação de parlamentares, centrais sindicais e a população.

Em um discurso na TV, o presidente Jair Bolsonaro admitiu que o governo tem enfrentado dificuldades em articular o apoio para aprovar a medida sem que haja desidratações no texto. Partidos do “centrão” já estão se mobilizando para solicitar alterações na proposta que ensejarão impactos financeiros significativos.

Como resultado, a Bolsa brasileira desvalorizou 0,86%, aos 95.527 pontos, registrando um volume financeiro de R$9,720 bilhões.

As blue chips (ações de maior liquidez) da B3 encerraram entre perdas e ganhos para diferentes setores. Com destaque para as mínimas do dia:

  • CSN (CSNA3) -4,47%
  • B2W Digital (BTOW3) -4,05%
  • Natura (NATU3) -3,48%
  • Braskem (BRKM5) -3,52%
  • Cyrela (CYRE3) -4,39%
COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 30/04 02/05 Ativo 30/04 02/05
Petrobras (PETR3) -0,69% -1,23% Vale (VALE3) -0,48% -2,44%
Petrobras (PETR4) -0,95% -1,44% Embraer (EMBR3) +0,15% +0,31%
Eletrobras (ELET3) +2,21% -1,28% Banco do Brasil (BBAS3) +0,24% -0,04%
Eletrobras (ELET6) +1,08% -1,62% Cemig (CMIG4) +1,87% -0,14%

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SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 30/04 02/05 Ativo 30/04 02/05
Itaú Unibanco (ITUB3) 00% +0,43% Usiminas (USIM3) -0,75% -1,33%
Santander (SANB11) -2,18% +0,62% CSN (CSNA3) -0,35% -4,47%
Bradesco (BBDC3) 00% +0,16% Gerdau (GGBR4) -1,39% -1,06%

Dólar dispara 1% e chega a R$3,96 com Fed

O dólar comercial disparou na volta do feriado, em atenção ao anúncio do Fed de que não há possibilidade de corte de juros na economia dos EUA neste momento. A divisa americana saltou 0,99% contra o real, fechando na cotação de R$3,96 na venda.

No mercado de câmbio, o dólar também subiu contra as principais divisas emergentes, sobretudo as que dependem de exportações de commodities, devido à queda dos principais produtos comercializados (petróleo, minério).

Os contratos de juros futuros encerraram próximos à estabilidade, depois de passar por um momento de pressão técnica devido ao leilão de títulos públicos realizado pelo Tesouro. O comportamento das taxas refletiu as frustrações do ambiente externo, que já haviam precificado um corte nos juros americanos.

O DI com vencimento para novembro/2019 subiu para 6,50% (6,48% no ajuste anterior), o DI para dezembro/2021 avançou para 7,79% (7,78% no ajuste anterior) e o DI para dezembro/2027 aumentou para 9,17% (9,16% no ajuste anterior).

Cotação das Commodities

Petróleo – Os preços do petróleo no mercado futuro encerraram em vertiginosa queda, alcançando os patamares mínimos em um mês. O tombo ocorreu após o Departamento de Energia dos Estados Unidos sinalizarem que os estoques estão no maior nível desde setembro 2017.

O petróleo WTI para entrega em junho avançou desabou 2,81%, com cotação a US$61,81 o barril vendido em Nova Iorque e o petróleo Brent para entrega em julho recuou 1,98%, com cotação a US$70,75 o barril comercializado em Londres.

Destaques corporativos no mercado brasileiro

Petrobras – A Petrobras informou a concretização da venda de 100% de suas ações nas empresas que compõem a refinaria de Passadena, localizada nos Estados Unidos. A compradora foi a americana Chevron e a transação custou cerca de US$467 milhões.

Em fato relevante comunicado à CVM, a estatal afirmou que a “operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para todos os acionistas”.

Magazine Luiza – Depois de adquirir a Netshoes por US$62 milhões, a gigante varejista Magazine Luiza comprou 48 lojas no Pará e no Maranhão, que pertenciam à rede Armazém Paraíba. Segundo publicação do Valor, a operação custou em média R$150 a R$200 milhões e deverá ser analisada pelo CADE.

 

 

 


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