HomeMercados

Ibovespa cai com incertezas sobre acordo EUA-China e realização de lucros

Por Pablo Vinicius Souza
31 outubro 2019 - 12:39
Ibovespa futuro cai

Em baixa desde a abertura, o Ibovespa operava em forte queda nesta quinta-feira (31), refletindo o aumento da aversão ao risco frente às incertezas sobre o acordo entre Estados Unidos e China.

Segundo uma publicação da Bloomberg, autoridades chinesas teriam colocado em xeque a conclusão de um acordo comercial de longo prazo e abrangente, que solucionasse de vez a guerra comercial.

A matéria explicou que algumas lideranças de Pequim não pretendem pôr em discussão as questões mais sensíveis entre os dois países, devido à natureza impulsiva de Donald Trump e a volatilidade de suas decisões.

A notícia acentuou as preocupações dos investidores, que já estavam receosos com a situação do acordo comercial, devido ao cancelamento da reunião de cúpula dos países Ásia-Pacífico, na qual, aconteceria a formalização do documento.

Com a onda de protestos massivos e as turbulências políticas no Chile, o presidente Sebastián Pinera decidiu cancelar o evento, previsto para ocorrer em novembro, no país.

Em resposta, Trump sinalizou que a primeira fase do acordo deverá representar cerca de 60% de tudo que será negociado e enfatizou que os dois países estão trabalhando para definir um novo local para o encontro entre ele e Xi Jinping.

O fato derrubou o desempenho das Bolsas internacionais, ofuscando o otimismo gerado pela redução da taxa básica de juros nos EUA em 0,25% pelo Federal Reserve.

No cenário doméstico, o mercado segue repercutindo a decisão do Copom em cortar a taxa Selic em 0,50%, indicando que haverá nova redução de igual percentual ainda este ano.

Os ativos locais passavam por um movimento de realização de lucros, após sucessivas altas e renovação de recordes após a aprovação da reforma da Previdência.

Com destaque para Gol (GOLL4) e Bradesco (BBDC3), que recuavam mais de 4% após a divulgação dos resultados corporativos do terceiro trimestre.

Nesse contexto, às 12h30 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira recuava 1,50%, aos 106.793 pontos, anotando um volume financeiro de R$6,397 bilhões.

Dólar sobe a R$4 e juros avançam com piora no exterior

O dólar comercial avançava nesta quinta-feira (31), refletindo a piora do ambiente no exterior causado por notícias negativas entre Estados Unidos e China.

Segundo a Bloomberg, autoridades chinesas estariam incertas quanto à conclusão de um acordo comercial amplo com o governo americano, devido à impulsividade de Donald Trump.

Interlocutores do governo chinês estariam temerosos de que o presidente americano pudesse vir a desistir da primeira fase do pacto e, por isso, estavam cautelosos quanto à discussão de assuntos mais delicados.

Como reflexo, a divisa americana apresentava comportamentos mistos frente às demais moedas emergentes, avançando contra a lira turca e recuando contra o rublo russo.

Na paridade com o real, às 12h30 (horário de Brasília), o dólar comercial subia 0,53%, sendo cotado a R$4,0060 na venda.

O mercado também reagia à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir em 0,50% a taxa Selic, para 5% ao ano.

Os contratos de juros futuros operavam em alta, passando por ajustes, devido ao excesso de retirada do prêmio de risco, precificando o ambiente de maior flexibilização.

O DI outubro/2020 disparava 3,03% sendo negociado a 4,41% (4,30% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 aumentava 1,51% sendo vendido a 5,39% (5,35% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: “Anomalia” faz Vale acionar protocolo de emergência na barragem em Ouro Preto

Devido à identificação de uma “anomalia”, a Vale acionou o protocolo de emergência nível 1 para a barragem Forquilha IV, localizada no município de Ouro Preto, em Minas Gerais.

Em um comunicado divulgado na manhã de hoje, a mineradora informou que a medida é preventiva e foi imediatamente aplicada após a detecção da falha, durante uma inspeção de rotina.

“Com os fatos novos observados, a expectativa é que se torne negativa a Declaração de Condições de Estabilidade da estrutura” – explicou a companhia.

De acordo com as exigências do protocolo nível 1, não há necessidade imediata de evacuação da população que vive no entorno da Mina Fábrica.

A Vale também esclareceu que desde fevereiro deste ano, a referida barragem não recebe rejeitos e que a adoção da medida não trará impactos à produção planejada para 2019.

Além disso, o acionamento do protocolo também não causará interferências na retomada das atividades que ficaram temporariamente suspensas, segundo a mineradora.

A nova metodologia de produção não “prevê a disposição de rejeitos na estrutura nos próximos anos”, por isso, os 50 milhões de toneladas de minério de ferro previstos não ficarão prejudicados.


Sobre o autor