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Ibovespa cai 7,64% após anúncio de Pandemia acionar 2º circuit breaker da semana

Por Fast Trade
11 março 2020 - 18:41

O Ibovespa encerrou em forte queda nesta quarta-feira (11), regredindo aos níveis de negociação anotados em setembro de 2018.

Sob pressão de baixa desde a abertura, o índice geral acentuou as perdas após a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o surto de coronavírus como uma pandemia.

A bolsa brasileira chegou a registrar um declínio superior a 10%, acionando pela segunda vez na semana o mecanismo de circuit breaker, que suspendeu as operações por cerca de 30 minutos.

Em meio à intensa volatilidade, os ativos locais esboçaram alguma reação após Donald Trump declarar que os EUA utilizarão todos os recursos possíveis para combater a disseminação do vírus.

O presidente americano também informou que fará uma entrevista coletiva para detalhar as medidas elencadas para minimizar os impactos econômicos da doença.

Mesmo assim, tal reação não foi forte o suficiente para aplacar as preocupações dos investidores e os principais índices internacionais fecharam em baixa.

Em Wall Street, o Dow Jones caiu 5,86%, o S&P 500 recuou 4,89% e o Nasdaq Composto declinou 4,70%.

Mais cedo, o mercado chegou a desacelerar as perdas com a notícia de que os países da Europa estão se mobilizando para aplicar estímulos econômicos e financeiros ao continente.

O Banco Central Europeu (BCE) deve estabelecer alguma ação na reunião prevista para acontecer amanhã, segundo declarou a presidente da instituição, Christine Lagarde.

Em contrapartida, a União Europeia autorizou a utilização de 25 bilhões de euros para conter a rápida disseminação do Covid-19.

O Banco Central da Inglaterra reduziu inesperadamente sua taxa básica de juros em 0,50% e o ministro das Finanças do Reino Unido informou a liberação de 30 bilhões de libras para mitigar os impactos do surto.

Por aqui, a equipe econômica revisou para baixo as suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), que passou de 2,4% para 2,1% ao final de 2020.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,25% em fevereiro, mas registrou o menor resultado para o mês desde o ano 2000.

No noticiário político, o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou um ofício solicitando às lideranças das Casas Legislativas que priorizem as votações dos projetos da agenda econômica.

O ministro alegou que a crise internacional e a necessidade de blindar a economia do Brasil justificam a urgência na aprovação de pautas como: a independência do Banco Central, a privatização da Eletrobras, o marco legal do saneamento e as PECs do pacto federativo.

No final da sessão regular, as companhias Azul (AZUL4), Grupo Natura (NTCO3), CVC (CVCB3), Lojas Americanas (LAME3) e Gol (GOLL4) registraram as maiores perdas.

Somente as ações da TIM (TIMP3) conseguiram permanecer em território positivo, após todas as turbulências que afetaram as movimentações da B3.

Como resultado, a Bolsa brasileira caiu 7,64% na faixa de 85.171 pontos, com um volume financeiro de R$25,223 bilhões.

Dólar avança a R$4,72 com anúncio da OMS e perspectivas de corte na Selic

O dólar comercial subiu 1,68% nesta quarta-feira (11), fechando na cotação de R$4,7230 na venda, refletindo o cenário adverso para ativos de risco.

Apesar do alívio de ontem, as preocupações com o avanço do coronavírus novamente pesaram sobre as movimentações, pressionando a queda do real.

Além das turbulências no exterior, a moeda brasileira vem enfrentando algumas dificuldades como o déficit no fluxo cambial e o enfraquecimento dos indicadores econômicos.

Divulgado hoje, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,25% em fevereiro, mas registrou o menor resultado para o mês desde o ano 2000.

O resultado fortaleceu as apostas de um possível corte na taxa Selic, tendo em vista, que o mercado local precisará de mais estímulos para apresentar um crescimento sustentável.

Um fator que mereceu destaque foi a intervenção do Banco Central, que ofertou cerca de US$1 bilhão em contratos de swap, mas não conseguiu conter a valorização da divisa americana.

A situação se agravou após a Organização Mundial da Saúde (OMS) mudar a classificação do coronavírus para Pandemia, levando em consideração a abrangência da contaminação.

O clima de pânico se instaurou nos mercados em geral e as principais moedas emergentes recuaram em bloco frente ao dólar.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com aumento exponencial das taxas de ponta a ponta da curva a termo, desencadeando a abertura de ordens sucessivas de “stop loss” após o anúncio da OMS.

O DI outubro/2020 saltou para 4,30% (3,89% no ajuste anterior), o DI janeiro/2025 avançou para 7,42% (6,19% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 disparou para 8,08% (6,84% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo recuam 4% prevendo cenário de excesso de oferta

Os contratos futuros de petróleo encerraram forte queda nesta terça-feira (11), pressionados pelas perspectivas quanto a um cenário de excesso de oferta.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, caiu 4,01%, fechando no valor de US$32,98 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, recuou 3,84%, na cotação de US$35,79 o barril.

Após a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o surto de coronavírus como uma pandemia, uma onda vendedora pressionou os principais ativos de risco, sobretudo, os atrelados às commodities.

Se antes havia um receio quanto aos impactos da propagação do vírus pelo mundo, agora a preocupação se acentuaram, tendo em vista, o aumento exponencial do número de contaminados fora da China.

Além disso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) divulgou o relatório dos estoques de petróleo, evidenciando um aumento de 7,664 milhões de barris na semana passada.

Essa foi a sétima semana consecutiva que a produção norte-americana registra alta nos estoques, reforçando o cenário de provável excesso de oferta.

Em meio a um ambiente de desaceleração na demanda pela commodity, os investidores operaram sob forte cautela, principalmente, depois de Rússia e Arábia Saudita iniciarem uma guerra de preços.

No compasso dos sauditas, os Emirados Árabes anunciaram a elevação da produção em 1 milhão de barris por dia, acirrando ainda mais a corrida por espaço no mercado.

Como não há possibilidade de reverter a situação entre a Opep e os aliados no curto prazo, os contratos operaram sob forte pressão, precificando uma contração ainda maior na demanda devido ao avanço do coronavírus.

Na visão de alguns analistas, as cotações do óleo bruto estão vivenciando uma fase única de “bear market”, na qual, está ocorrendo simultaneamente aumento substancial da oferta e queda expressiva na demanda.

Inclusive a Opep, por meio de seu relatório mensal, reduziu drasticamente as projeções de crescimento na demanda ao longo de 2020, passando de 920 mil para 60 mil barris por dia, prevendo uma grande contração na economia global.

Noticiário Corporativo: Caixa Seguridade avalia o melhor momento para realização da IPO

A Caixa Seguridade está avaliando a atual conjuntura do mercado financeiro, visando escolher o melhor momento para a realização de sua oferta pública inicial de ações (IPO).

Questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o possível adiamento da IPO, a companhia explicou que sua controladora, a Caixa Econômica Federal, está avaliando os desafios deste novo contexto para dar sequência aos trâmites da oferta.

Na última segunda-feira, o Valor Econômico divulgou a decisão da Caixa Seguridade em postergar a sua oferta pública, que inicialmente estava prevista para acontecer em abril.

A notícia explicou que o objetivo deste recuo é esperar a poeira abaixar até que o mercado fique mais estável e a oferta – estimado em R$15 bilhões – possa alcançar a visibilidade pretendida.

A empresa de seguridade também informou que o pedido de registro da IPO havia sido protocolado no dia 21 de fevereiro e está em processo de análise na autarquia.

“Esta companhia esclarece que a suspensão do processo de oferta pública de ações de sua emissão é decisão que cabe ao titular das ações (…) e que até o momento a Caixa não formalizou qualquer mudança em sua decisão” – explicou a Caixa Seguridade em nota.

A administração da empresa assegurou que quaisquer desdobramentos ou mudanças na decisão quanto à realização da oferta, o mercado será imediatamente informado.


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