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Ibovespa cai 1% com indicadores locais ofuscando acordo EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
15 janeiro 2020 - 19:38
Ibovespa futuro cai

O Ibovespa encerrou em queda nesta quarta-feira (15), desviando do otimismo do exterior com a assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Durante a cerimônia de formalização do pacto, que acontece em Washington, o presidente Donald Trump disse que os dois países estão dando “um passo importante para uma relação equilibrada e justa”.

Ele também informou que os termos negociados envolvem o compromisso dos chineses em adquirir mais de US$50 bilhões em compras de combustíveis e produtos agrícolas americanos.

Adicionalmente, Pequim concordou em estabelecer e implementar um sistema legal e confiável de proteção à propriedade intelectual.

Apesar de Steven Mnuchin ter afirmado que os EUA não vão retirar US$360 bilhões em tarifas sobre os produtos chineses até o final das eleições presidenciais, a assinatura do acordo, por si só, já foi suficiente para impulsionar os índices internacionais.

Em Wall Street, o Dow Jones avançou 0,31%, o S&P 500 subiu 0,19% e o Nasdaq Composto aumentou 0,08%.

No sentido contrário, o mercado local repercutiu negativamente o resultado das vendas no varejo mensuradas em novembro, que viera ligeiramente aquém das expectativas dos economistas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês do Black Friday as vendas cresceram apenas 0,6%, destoando das projeções de alta em 1,2%.

Na esteira dos números fracos de produção industrial e de serviços, o varejo também sinalizou que a recuperação econômica do país está se processando a passos lentos, retomando a discussão sobre a adoção de mais estímulos.

Nesse sentido, crescem as apostas de que o Banco Central decidirá por um novo corte de 0,25% na taxa Selic na próxima reunião, que acontecerá em fevereiro.

Também ficou no radar, os EUA dicidiram apoiar formalmente o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), retirando o apoio dado anteriormente à Argentina.

Como justificativa, autoridades americanas disseram que o atual governo brasileiro apresenta objetivos mais próximos à OCDE do que o governo argentino recém-eleito.

Sobre as negociações na B3, as companhias Cogna (COGN3), Hering (HGTX3), Cielo (CIEL3) e Gol (GOLL4) lideraram as perdas da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira recuou 1,04% aos 116.414 pontos, com um volume financeiro de R$16,551 bilhões.

Dólar dispara a R$4,18 com cenário macroeconômico no radar

O dólar comercial disparou 1,31% nesta quarta-feira (15), fechando na cotação de 4,1830 na venda, o valor mais alto desde 5 de dezembro.

O cenário macroeconômico voltou ao radar dos investidores, que já se questionam se a recuperação econômica do país virá no prazo e nas condições previstas pelo mercado.

Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que as vendas no varejo cresceram apenas 0,6% em novembro, abaixo da mediana considerada, que indicava alta de 1,2%.

No varejo ampliado a situação ficou ainda pior, pois as vendas no período recuaram 0,5%, contrariando as perspectivas de avanço em 0,4%.

Em uma análise global de todos os indicadores publicados até agora (indústria, serviços e varejo), é possível verificar que a economia não está fora de risco e demanda estímulos adicionais para ganhar tração.

Além disso, tal conjuntura diminui a atratividade nacional para investimentos de capitais estrangeiros e reforça a tendência de continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic.

Com a redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA, o real sofreu forte depreciação por ser utilizado como instrumento de hedge para aplicações em ativos emergentes.

Por isso, dentre as principais divisas mais líquidas, a moeda brasileira liderou as perdas da sessão, ficando o peso chileno em segunda posição, com uma queda de 0,66%.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com redução expressiva nas taxas ao longo da curva, com os investidores reiterando suas apostas na flexibilização de 0,25% na Selic.

O DI outubro/2020 caiu para 4,29% (4,32% no ajuste anterior), o DI abril/2023 recuou para 5,68% (5,79% no ajuste anterior) e o DI julho/2025 declinou para 6,41% (6,48% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda pressionado pelo avanço dos estoques nos EUA

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta quarta-feira (15), refletindo o aumento nos estoques de gasolina e destilados nos Estados Unidos.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, recuou 0,72%, sendo negociado a US$57,81 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega no mesmo mês, declinou 0,75%, fechando na cotação de US$64,00 o barril.

O Departamento de Energia americano (DoE) divulgou que os estoques de gasolina saltaram a 6,678 milhões de barris na semana passada, desviando das previsões de avanço em 3,2 milhões de barris.

No mesmo sentido, os estoques de destilados (diesel e óleo para a calefação) aumentaram em 8,171 milhões de barris, contrariando a expectativa de alta em apenas 1,1 milhão de barris.

Os investidores ficaram surpresos frente à adição na quantidade de combustíveis destilados, que foi uma das maiores registradas na história e isso derrubou os preços nesta sessão.

Em contrapartida, o movimento de queda das cotações foi limitado pelos números dos estoques de petróleo bruto, que apresentaram redução de 2,549 milhões de barris no período.

Apesar disso, os investidores estão muito animados com a assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China, que poderá elevar os níveis de demanda no país asiático.

Noticiário Corporativo: Azul anuncia a compra da TwoFlex e avança em sua estratégia de expansão

A Azul (AZUL4) anunciou a aquisição da empresa de aviação regional TwoFlex, pelo total de R$123 milhões, consolidando a sua estratégia de expansão no mercado doméstico.

O negócio permitirá que a Azul amplie de 41 para 55 o número de voos diários no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, contribuindo com o fortalecimento da atuação da companhia.

A compra gerou um grande revés para a Gol, que é uma das principais concorrentes do setor e promovia acordos de compartilhamento de voos domésticos com a TwoFlex.

Agora sob o comando da Azul, a empresa regional deverá encerrar todos os contratos na modalidade de parceria de voos firmados com a Gol e com outras companhias.

Os atuais donos da TwoFlex deixarão a empresa e a marca deverá ser alterada para se aproximar de sua controladora, embora ainda não haja definições a este respeito.

O presidente da Azul, John Rodgerson, disse que as negociações iniciaram em outubro e que o valor acertado será pago em dinheiro, com recursos próprios do caixa.

Na avaliação do executivo, “os números da TwoFlex são saudáveis, a frota de aviões é própria e tem muito valor”, além oferecer serviços regulares de passageiros e cargas para 39 destinos diferentes no Brasil.

“A aquisição ajuda a fortalecer a Azul. (…) Muitas cidades não comportam um ATR, mas existe demanda para um avião menor. Com a compra, podemos estimular mais esse mercado” – afirmou Rodgerson.

Com a adição das rotas da empresa regional, a Azul aumentará em 34% o número de slots em Congonhas, ficando com 55 no total, muito atrás das principais concorrentes Latam (236) e Gol (234).

Mesmo assim, Rodgerson vê a compra como positiva no processo de expansão e insiste que, em 2020, a companhia aérea aumentará em 20% o tráfego de passageiros, atingindo 30 milhões de pessoas, com 151 aeronaves em operação.


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