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Ibovespa avança com privatização da Eletrobras e tom apaziguador de Trump

Por Pablo Vinicius Souza
16 outubro 2019 - 19:27
Ibovespa sobe: economia brasileira; Monitor do PIB

O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (16) concluindo a sexta alta consecutiva, impulsionado por comentários positivos acerca da privatização da Eletrobras e com a melhora das perspectivas no exterior.

Durante a tarde, o presidente da estatal elétrica, Wilson Ferreira Junior, declarou que a proposta de aumento de capital em até R$10 bilhões, vai preparar a companhia, definitivamente, para o processo de privatização.

Segundo informações do repórter Rodrigo Polito, do Valor, o executivo também comentou que o governo pretende enviar ao Congresso o projeto de lei sobre o tema até o final de outubro.

Com isso, as ações da Eletrobras (ELET3 / ELET6) saltaram 4% e 5% respectivamente, catalisando um efeito positivo que transbordou para outros ativos mais líquidos, como os bancos e a Petrobras.

O movimento de alta só não foi mais intenso na B3 porque as ações da Vale (VALE3) e das Siderúrgicas registraram perdas superiores a 2%, acompanhando a queda expressiva nos preços do minério de ferro.

Também ficou no radar, o aceno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para a votação em segundo turno da reforma da Previdência dia 22 outubro, sinalizando consenso entre os parlamentares.

Como fato negativo, pesou o acirramento das tensões entre o presidente Jair Bolsonaro e os integrantes de seu partido, o PSL, o que tem tornado insustentável sua permanência na sigla.

Pela manhã, os mercados internacionais recuaram após o governo chinês ameaçar retaliar os Estados Unidos, caso seja aprovado um projeto de lei que exigirá uma avaliação anual sobre a autonomia de Hong Kong, para manter seu status comercial diferenciado.

Em entrevista à jornalistas, o presidente Donald Trump tentou apaziguar a situação, dizendo que as notícias são falsas e que a primeira fase do acordo comercial está sendo discutida para ser assinada durante um encontro com o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping.

O fato acalmou os investidores, embora o clima de cautela tenha prevalecido, tendo em vista o emaranhado de informações contraditórias ditas pelas duas partes.

No fechamento, a Bolsa brasileira avançou 0,89% aos 105.422 pontos, anotando um volume financeiro de R$12,716 bilhões.

Dólar cai a R$4,15 depois de renovar a máxima intradia com pressão externa

Após enfrentar uma sessão muito volátil, o dólar comercial desvalorizou contra o real nesta quarta-feira (16), fechando a R$4,1540 na venda.

Nas primeiras horas de negociação, a divisa americana renovou a máxima intradia em R$4,1880, após a China ameaçar retaliar os Estados Unidos caso seja aprovado um projeto de lei que prevê a revisão anual da classificação de Hong Kong como maior centro financeiro do mundo.

O ajuste ocorreu a partir da melhora no cenário externo, depois que o presidente Donald Trump se pronunciou acalmando os ânimos sobre o relacionamento entre Washington e Pequim.

Embora o dólar tenha depreciado em relação ao câmbio local, seu viés permanece de alta, pois, nas últimas nove semanas, o país tem registrado uma consistente saída líquida de moeda estrangeira.

Vários motivos contribuem para esse movimento, como as perspectivas de baixa da Selic, a antecipação de pagamentos das obrigações em moeda estrangeira e o ritmo lento de recuperação da economia.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros, encerraram em forte queda, com os investidores apostando em uma política de cortes ainda mais agressivos na taxa básica de juros.

Diferentes instituições projetam um ambiente de juros abaixo de 4% para 2020, reforçando a expectativa de juro próximo a zero, o que estimou a retirada do prêmio de risco.

O DI junho/2020 recuou para 4,46% (4,52% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 desabou para 5,49% (5,63% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 caiu a 6,20% (6,32% no ajuste anterior).

Petróleo sobe 1% com tensões EUA-Irã e expectativa de cortes pela Opep

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quarta-feira (16), devolvendo parte das perdas registradas na semana.

Os ganhos de hoje foram possibilitados pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, em meio a notícias, não confirmadas, de que o governo americano pode ter conduzido um ataque cibernético ao país persa.

Segundo relatos, a medida adotada por Washington em retaliação ao ataque com drones que Teerã teria conduzido à estrutura da petroleira estatal, Saudi Aramco, no mês passado.

A commodity vem de uma sequência de quedas devido ao acirramento da guerra comercial sino-americana, que tem gerado impactos negativos na economia global como um todo.

Outro fator que catalisou o desempenho positivo dos preços foi a expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) dará sequência na política de cortes na produção.

No fim da sessão, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em novembro subiu 1,03%, sendo negociado a US$53,36 o barril.

Já o petróleo Brent para dezembro, comercializado na ICE de Londres, fechou em alta de 1,14%, na cotação de US$59,42 o barril.

Noticiário Corporativo: MRV fecha o 3º trimestre com vendas de R$1,395 bilhão

A MRV (MRVE3) divulgou os resultados corporativos do terceiro trimestre registrando um aumento de 18,8% nas vendas líquidas no período, totalizando R$1,395 bilhão.

De julho a setembro, houve uma redução de 22% nos distratos da companhia, somando R$95 milhões, ante R$279 milhões no mesmo trimestre do ano passado.

Segundo análise do Bradesco BBI, a construtora apresentou um volume consistente de lançamentos, que chegou a R$1,6 bilhão em novos projetos no período, resultando em R$4,5 bilhões no ano.

Contudo, os analistas do banco afirmaram que “isso sugere um possível risco de queda nos novos lançamentos para o ano de 2019, estimados em R$7 bilhões, devido a restrições de crédito do MCMV e à concorrência acirrada no mercado”.

O relatório do Bradesco BBI destacou que a queima significativa de R$200 milhões do caixa se deu em função da aquisição de terrenos, gargalos na transferência de recebíveis e ritmo acelerado na construção.

Por isso, a instituição decidiu manter a classificação neutra para as ações da MRV, no preço-alvo de R$18 para 2019, reiterando os riscos do crescente aumento dos estoques e da menor velocidade de vendas.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez do Ibovespa avançaram majoritariamente, puxadas pela valorização da Eletrobras e do setor bancário. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo15/1016/10Ativo15/1016/10
Petrobras (PETR3)+1,35%+1,40%Vale (VALE3)-0,17%-2,32%
Petrobras (PETR4)+1,06%+1,20%Embraer (EMBR3)+0,86%-0,29%
Eletrobras (ELET3)+1,51%+4,33%Banco do Brasil (BBAS3)-1,38%+1,40%
Eletrobras (ELET6)+0,94%+4,01%Cemig (CMIG4)+0,22%-0,43%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIOSETOR SIDERÚRGICO
Ativo15/1016/10Ativo15/1016/10
Itaú Unibanco (ITUB3)+0,54%+0,71%Usiminas (USIM3)+0,99%00%
Santander (SANB11)-1,50%+2,04%CSN (CSNA3)+2,87%-3,01%
Bradesco (BBDC3)+0,97%+3,05%Gerdau (GGBR4)+1,81%-1,04%


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