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Ibovespa avança com otimismo EUA-China e fecha a semana em alta de 2%

Por Pablo Vinicius Souza
22 novembro 2019 - 19:46
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa encerrou em forte alta nesta sexta-feira (22), reagindo ao aparente progresso nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Pela manhã, o primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, afirmou que Pequim deseja estabelecer um acordo comercial com Washington, baseando-se “no respeito mútuo e na igualdade”.

Já o presidente Donald Trump disse, em entrevista ao programa “Fox and Friends”, que a Casa Branca está muito próxima de fechar um acordo preliminar com o governo chinês.

Adicionalmente, o chefe de estado americano comentou que se não fosse pela sua postura de enfrentamento, muitos manifestantes teriam morrido durante os protestos em Hong Kong.

Segundo ele, a atitude do líder chinês de tentar pacificar a população do território semiautônomo, deveu-se à preocupação de “não arruinar as conversas sobre o acordo comercial” com os EUA.

Apesar disso, os investidores ficaram muito animados com a postura conciliadora mantida pelos dois países e este clima positivo renovou o apetite ao risco na sessão de hoje.

Outro fator que também contribuiu com a valorização dos ativos foi a recomendação que grandes instituições financeiras fizeram sobre o mercado local.

Na véspera, gestoras como BTG Pactual, Credit Suisse e Morgan Stanley enfatizaram o potencial de avanço das companhias brasileiras e do crescimento previsto para o índice acionário geral.

Embora as instabilidades políticas da América Latina tenham afetado as perspectivas quanto à economia do Brasil, as projeções para os próximos anos conformam um cenário propício para o desenvolvimento em todos os fronts de atuação.

Na B3, dentre as maiores altas, as companhias em destaque foram Azul (AZUL4), Qualicorp (QUAL3) e Vale (VALE3), que apuraram ganhos de 4%.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 1,11% aos 108.692 pontos, fechando a semana com ganhos de 2%. O volume financeiro foi de R$12,559 bilhões.

Dólar fecha estável a R$4,19 de olho no cenário externo

Depois de rondar a estabilidade ao longo do dia, o dólar comercial apresentou leve recuo nesta sexta-feira (22), encerrando na cotação de R$4,1910 na venda.

A divisa americana perdeu força contra as principais moedas emergentes, após autoridades americanas e chinesas demonstrarem empenho na conclusão da primeira fase do acordo comercial.

O arrefecimento das relações entre Estados Unidos e China ensejou um clima de otimismo, que contagiou o câmbio e beneficiou o real brasileiro.

Embora o dólar tenha superado a fronteira psicológica de R$4,20 durante a semana, a melhora no ambiente macroeconômico limitou o avanço da divisa.

Sobretudo, após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de novembro, que evidenciou um aumento abaixo do esperado.

Com os níveis de inflação sob controle e a retomada lenta e gradual da atividade econômica, a perspectiva é que a moeda dos EUA permaneça no intervalo das faixas de suporte, entre R$4,16 e R$4,25 no curto prazo.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam com redução nas taxas ao longo da curva, com os investidores retirando o prêmio de risco dos ativos.

Após dias sucessivos de expectativas para alta nos preços, a desaceleração do indicador prévio da inflação aliviou a pressão sobre os DIs, fazendo os gestores avaliarem as apostas quanto à uma possível redução adicional na Selic.

O DI maio/2020 caiu a 4,45% (4,55% no ajuste anterior), o DI julho/2025 declinou para 6,52% (6,58% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 cedeu a 6,86% (6,94% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em queda com foco na situação EUA-China

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta sexta-feira (22), fazendo uma sessão de correção às máximas registradas na véspera.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, caiu 1,38%, sendo negociado a US$57,77 o barril.

Já o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, recuou 0,90%, fechando na cotação de US$63,39 o barril.

Diferentes variáveis contribuíram para o declínio da commodity na sessão de hoje, contudo, o principal catalisador foi o acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Apesar de os dois países confirmarem reaproximação para novas negociações, há sérias divergências sobre o que deve ou não ser colocado como prioridade nesta primeira fase.

Além disso, o mercado está preocupado com os impactos de um possível excesso de oferta, já que os países que compõem a Opep e aliados não concordaram em aumentar o nível de cortes.

A expectativa é que na próxima reunião do cartel, prevista para o início de dezembro, o grupo estenda a atual meta de cortes para além de março do ano que vem, deixando em aberto o estabelecimento de novas políticas.

Noticiário Corporativo: Klabin planeja investimentos de R$4,7 bilhões e forte expansão em 2020

A Klabin (KLBN3) está planejando investir o montante de R$4,731 bilhões em 2020, visando aproveitar o bom momento da economia nacional para o setor.

Segundo o diretor financeiro de relações com investidores, Marcos Ivo, deste orçamento, R$3,83 bilhões serão destinados ao projeto de expansão da estrutura Puma II, figurando como o maior valor desembolsado para esta finalidade.

Em um primeiro momento, serão instaladas duas novas máquinas de papel kraftliner, cuja operação será totalmente integrada à produção de celulose.

Com esse aporte na estrutura, o executivo estima que o retorno sobre o capital investido deve crescer nos próximos cinco anos, já que as margens do projeto em si serão superiores às da companhia.

Nos últimos doze meses, a rentabilidade da Klabin foi de aproximadamente 11,1%, apesar dos desafios do cenário internacional.

Ivo também comentou que o grau de alavancagem financeira da empresa continuará crescendo até maior de 2021, quando a primeira máquina de papel kraftliner do Puma II vai entrar em operação.

Contudo, ele ressaltou que tudo será feito “de maneira planejada e organizada”, sem que a situação implique no rebaixamento da classificação de risco de crédito da companhia.

“Estamos bastante seguros da estrutura financeira da companhia. E, nas conversas que mantemos, as agências não deram nenhuma sinalização de que teremos algum downgrade” – assegurou o executivo.


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