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Ibovespa avança com IBC-Br, mas Petrobras e Vale limitam a valorização

Por Pablo Vinicius Souza
16 janeiro 2020 - 19:51
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa fechou em leve alta nesta terça-feira (16), refletindo o embate entre o recuo das blue chips e avanço do IBC-Br.

Na sessão de hoje, Petrobras (PETR3 / PETR4) e Vale (VALE3) registraram queda, limitando a valorização do índice local, já que, as duas juntas, respondem por 19% do desempenho acionário.

Este movimento eminentemente técnico se contrapôs ao otimismo após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que mostrou um avanço de 0,18% em novembro.

O resultado surpreendeu os analistas de mercado, que projetavam um recuo de 0,1% no período, considerando o enfraquecimento dos demais indicadores.

Atuando como um termômetro mensal do Produto Interno Bruto (PIB), o dado mostrou que a atividade econômica cresceu, ainda que de forma moderada.

Em comparação ao mesmo mês de 2018, o referido índice avançou 1,10%, contrariando o consenso de alta em apenas 0,9%.

Os números corroboram com a visão de que o mercado interno precisará de estímulos adicionais para ganhar tração e isso aumenta consideravelmente as chances de o Banco Central decidir por mais um corte de 0,25% na taxa Selic.

Na B3, as companhias Usiminas (USIM5), Hapvida (HAPV3), Ecorodovias (ECOR3) e Eletrobras (ELET3 / ELET6) anotaram as maiores altas do pregão.

Como resultado, a Bolsa brasileira subiu 0,25% aos 116.704 pontos, com um volume financeiro de R$14,652 bilhões.

No exterior, os mercados avançaram acompanhando o clima de otimismo com a assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

No documento formalizado durante uma cerimônia, em Washington, o governo chinês se comprometeu em comprar US$200 bilhões de produtos agrícolas, combustíveis e outros tipos de mercadorias provenientes dos EUA.

Além disso, o gigante asiático concordou em estabelecer proteções legais mais rígidas para o registro de propriedade intelectual, incluindo marcas, patentes, direitos autorais, etc.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,92%, o S&P 500 avançou 0,84% e o Nasdaq Composto saltou 1,03%.

Dólar avança a R$4,19 impulsionado por indicadores dos EUA

O dólar comercial valorizou 0,22% nesta quinta-feira (16), fechando na cotação de R$4,1920 na venda, depois de ter batido na máxima em R$4,20.

Depois de abrir em queda pressionada pelo avanço de 0,18% do IBC-Br mensurado em novembro, a divisa americana mudou de direção e passou a operar em leve alta.

Apesar de o índice ser uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o otimismo local não conseguiu fazer frente ao movimento comprador que prevaleceu no câmbio.

A vertente contrária veio após a publicação das vendas no varejo nos EUA, que aumentaram em 0,3% em dezembro, em relação a novembro, alcançando o intervalo das previsões dos economistas.

Mas o que realmente surpreendeu os investidores foi o salto no índice de difusão da atividade do Fed da Filadélfia, que saltou de 2,4 para 17,0 no último mês do ano.

Os indicadores desencadearam o fortalecimento do dólar no mercado internacional, sobretudo, em relação às principais divisas emergentes e ligadas às commodities.

No que tange ao real, o momento é bem crítico, tendo em vista que a moeda dos EUA acumula alta de 4,56% até o momento e não há estimativas consistentes sobre o ingresso de fluxo estrangeiro no curto prazo.

Segundo as projeções dos analistas, o dólar poderá voltar a testar a fronteira psicológica de R$4,25 nas próximas semanas, antes de demonstrar certa acomodação.

Juros Futuros

Na renda fixa, contratos de juros futuros registraram aumento nas taxas em todos os períodos, com os DIs passando por intensa recomposição no prêmio de risco.

A tônica de valorização do câmbio contaminou os ativos ao longo de toda a curva a termo, pressionando um movimento mais técnico de ajustes, que devolveu quase a totalidade das perdas geradas pelo IBC-Br.

O DI novembro/2020 subiu para 4,34% (4,29% no ajuste anterior), o DI abril/2023 saltou para 5,78% (5,70% no ajuste anterior) e o DI julho/2025 avançou para 6,52% (6,42% no ajuste anterior).

Petróleo avança mais de 1% refletindo otimismo com a economia global

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta quinta-feira (16), apoiados pelo sentimento de otimismo em relação à retomada do crescimento da economia global.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, aumentou 1,22%, sendo negociado a US$58,52 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em março, subiu 0,96%, fechando na cotação de US$64,62 o barril.

O clima positivo prevaleceu nos mercados internacionais, sobretudo, após os Estados Unidos divulgarem dados que mostraram como a sua economia está forte e saudável.

Segundo o Departamento do Comércio, em dezembro, as vendas no varejo subiram 0,3% na avaliação mensal e 5,82% na base anual, permanecendo na margem prevista pelos analistas.

Os números informam que os consumidores americanos estão confiantes na estrutura macroeconômica do país, ignorando eventuais interferências externas.

Outro aspecto que também ajudou a apoiar o movimento positivo foi o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgando a queda de 200 mil barris por dia nos níveis de oferta da Arábia Saudita.

Adicionalmente, a agência manteve as previsões de crescimento da demanda global da commodity para 1,2 milhões de barris por dia em 2020.

Embora os preços tenham devolvido mais do que sua valorização após as tensões no Oriente Médio, há uma boa perspectiva de que a contenção dos níveis de oferta pela Opep possa garantir um patamar de segurança às cotações.

Noticiário Corporativo: Weg anuncia aquisição de unidade fabril de transformadores da TSEA

A Weg (WEGE3) anunciou nesta quinta-feira (16) a aquisição de uma unidade fabril da empresa Transformadores e Serviços de Energia das Américas (TSEA), localizada em Betim/MG.

A fábrica construída em 2013 possui cerca de 32.500 metros quadrados de área edificada, emprega 250 pessoas e conta com modernos equipamentos e instalações.

A unidade é especializada na produção de transformadores de força, reatores shunt e autotransformadores de força com classe de tensão até 800 kV e potência de até 500 MVA.

Segundo o diretor da Weg, Carlos Diether Prinz, “a aquisição da fábrica em Betim deixa a Weg em uma posição privilegiada para atender os importantes investimentos em infraestrutura que devem ocorrer nas Américas nos próximos anos”.

A compra ainda está sujeita ao cumprimento de determinadas condições e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em um comunicado, a Weg também informou que assinou um contrato com a Aliança Energia para fornecer 43 aerogeradores de 4,2 MW a um complexo eólico.

Além disso, serão prestados serviços de logística, montagem, comissionamento, operação e manutenção para a companhia contratante.

As entregas devem ocorrer em 2021 e 2022 e os equipamentos servirão para a construção de quatro parques eólicos, cuja capacidade instalada será de 180,6 MW.


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