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Ibovespa avança com embate entre o desemprego e os estímulos nos EUA

Por Pablo Vinicius Souza
26 março 2020 - 12:43

O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira (26), refletindo o embate entre o aumento do desemprego nos Estados Unidos e a aprovação do pacote de estímulos no país.

Os pedidos de seguro-desemprego dispararam na maior economia do mundo, passando de 282 mil para 3,28 milhões na semana passada, superando todas as previsões dos especialistas.

Este é um indicador muito preocupante, pois indica que os EUA podem já estar vivendo uma fase de recessão devido ao avanço do coronavírus em seu território.

O Covid-19 já contaminou cerca de 68.572 pessoas e matou outras 1.031, com todos os 50 estados americanos registrando casos da doença.

Na sessão de ontem, o Senado aprovou a proposta do governo de Donald Trump, que prevê a aplicação de estímulos no valor de US$2 trilhões.

Tais recursos serão empregados em medidas para combater os impactos financeiros da pandemia e reforçar as medidas sanitárias de prevenção.

A Câmara dos Representantes dos EUA ainda votará o projeto, porém, os parlamentares se manifestaram favoráveis à medida, tendo em vista os efeitos negativos da doença.

No Brasil, o número de infectados aumentou para 2.567 pessoas e o ministério da saúde reportou 60 mortes, considerando que as estatísticas podem estar subavaliadas.

No cenário político, o presidente Jair Bolsonaro continua se posicionando contra as medidas restritivas de isolamento social, afirmando que apenas as pessoas do grupo de risco devem permanecer em quarentena.

As declarações do presidente foram criticadas por deputados e senadores de todos os partidos, além de técnicos da área médica e integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na B3, as companhias Gol (GOLL4), CVC (CVCB3), Braskem (BRKM5), Azul (AZUL4) e BR Malls (BRML3) lideravam o movimento de recuperação, apurando os maiores ganhos.

Ás 12h33 (horário de Brasília), a Bolsa brasileira subia 4,93%, aos 78.642 pontos, com um volume financeiro de R$8,182 bilhões.

Dólar declina a R$4,98 com ação dos Bancos Centrais e desemprego nos EUA

O dólar comercial opera em queda nesta quinta-feira (26), refletindo a ação dos Bancos Centrais e a explosão dos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

Em uma nova intervenção, o Banco Central Europeu flexibilizou os limites sobre as compras de títulos de qualquer país da zona do euro, permitindo a impressão potencialmente “ilimitada” de dinheiro para responder ao coronavírus.

Tal medida emergencial veio após o agravamento da epidemia do Covid-19 em diversos países da europa, que se tornou o novo epicentro da doença.

Outro fator que adicionou volatilidade às negociações foi o posicionamento do Federal Reserve, ao informar que é grande a possibilidade de o país já estar passando por uma grave recessão econômica.

Isso pode ser confirmado pelo enfraquecimento do Relatório Trimestral de Inflação e pelo salto no número de pedidos para auxílio-desemprego, que atingiu o maior volume semanal da história do país.

No Brasil, o clima de cautela é reforçado pela divergência de opiniões entre o governo federal e os governos estaduais acerca das medidas de prevenção que evitam a disseminação do vírus.

Ás 12h33 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 0,86% contra o real, sendo cotado a R$4,9850 na venda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros operavam mistos, com as taxas de curto prazo subindo e as taxas intermediárias e longas recuando.

O DI setembro/2020 saltava 0,45% sendo negociado a 3,36% (3,35% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 declinava 8,37% sendo vendido a 6,90% (7,46% no ajuste anterior).

Noticiário Corporativo: Via Varejo descobre evidências de fraude nos balanços com impacto de R$1,19 bilhão

Em fato relevante, a Via Varejo (VVAR3) informou a constatação de evidências de fraude nos demonstrativos contábeis, cujo impacto pode ser de até R$1,19 bilhão.

Foi descoberto que houve uma manipulação da provisão para processos trabalhistas e no diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos fora do regime de competência.

Outros testes evidenciaram falha grave nos controles internos, que resultou em erros nas contas de provisão e depósitos (garantias) judiciais da varejista.

Depois de concluída a investigação e após a realização dos ajustes contábeis decorrentes, o valor final do ajuste de baixa às demonstrações financeiras do quarto trimestre de 2019 foi de R$1,190 bilhão bruto ou R$786 milhões líquidos.

Além disso, o montante foi atualizado e lançado a débito na demonstração do resultado do exercício, refletindo a correção dos erros e as mudanças efetivadas nas estimativas contábeis.

Tais alterações visam destacar de maneira mais objetiva os riscos, aos quais, a empresa está sujeita, bem como, evidenciar com maior precisão, as perspectivas futuras da entidade.


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