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Ibovespa avança aos 106 mil e renova a máxima histórica com exercícios de opções na B3

Por Pablo Vinicius Souza
21 outubro 2019 - 18:24
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa renovou a máxima histórica de fechamento nesta segunda-feira (21), avançando ao patamar de 106 mil com cenário externo e o exercício de opções sobre ações na B3.

Apesar do noticiário controverso, foram positivas as declarações do presidente Donald Trump sobre sua expectativa de assinar o acordo comercial com a China no mês que vem, durante um evento no Chile.

Em contrapartida, cresceram as incertezas quanto à concretização do Brexit, já que o Parlamento britânico rejeitou, por 322 votos a 306, o acordo elaborado pelo primeiro-ministro Boris Johnson em conjunto com a União Europeia.

Com mais esta derrota, o governo do Reino Unido solicitará ao bloco europeu um novo prazo para concluir a separação, com intuito de promover a conciliação das demandas para mitigar os impactos da saída.

No ambiente doméstico, o exercício de opções sobre ações, que ocorreu no período da tarde, cedeu força às movimentações do índice geral, impulsionando-o a ultrapassar seu antigo recorde de 105.817 mil pontos.

O desempenho da Bolsa brasileira foi positivo, embora o clima interno seja de apreensão, com o racha no PSL ameaçando minar a base de apoio do governo no Congresso.

Em mais um episódio da disputa pela liderança na sigla, Eduardo Bolsonaro foi escolhido para assumir a liderança, porém, grupo da ala de Luciano Bivar está contestando a escolha, afirmando a preferência por um nome mais neutro.

Durante um evento no Japão, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que “o bem vencerá o mal”, fazendo uma clara referência ao conflito com seu partido.

Como resultado, o Ibovespa saltou 1,23% neste pregão, aos 106.022 pontos, anotando um volume financeiro de R$18,794 bilhões.

Dólar avança a R$4,13 com exterior e sessão de ajustes

O dólar comercial valorizou contra o real brasileiro nesta segunda-feira (21), fechando na cotação de R$4,1300 na venda, depois de atingir a máxima em R$4,1520.

A divisa americana chegou a ampliar os ganhos contra as principais moedas emergentes, após a crise política no Chile registrar 11 mortes de cidadãos nas manifestações contra o aumento nos preços dos transportes.

O caos no país latino-americano atingiu em cheio o mercado dos demais pares, com o peso chileno desabando mais de 2%, devido à falta de confiança dos fundos de investimentos estrangeiros.

Os investidores também operaram de olho no cenário externo, reagindo aos desdobramentos do Brexit e às sinalizações de concretização do acordo entre Estados Unidos e China.

Em outro vértice, as perspectivas positivas ficaram por conta da votação em segundo turno da reforma da Previdência no Senado, que está prevista para acontecer amanhã.

Contudo, especialistas apontam que a situação ainda exige cautela, já que a crise no PSL deve afetar a base de apoio do governo no Congresso e poderão ocorrer eventuais retaliações.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram em leve queda, de olho nas projeções de corte na taxa Selic, que a cada dia se confirmam ainda mais agressivas.

O DI junho/2020 caiu para 4,41% (4,40% no ajuste anterior), o DI julho/2022 recuou para 5,17% (5,18% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 desceu a 6,11% (6,12% no ajuste anterior).

Futuros de petróleo fecham em queda com pedido da China na OMC

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta segunda-feira (21), reagindo ao inesperado pedido da China no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para impor tarifas aos Estados Unidos.

O governo chinês solicitou autorização da OMC para aplicar US$2,4 bilhões em tarifas aos EUA pela compensação de uma disputa comercial que se iniciou há sete anos atrás, ainda na administração do presidente Barack Obama.

Pequim alega que tais sanções são justificadas pelo “desrespeito permanente” do governo americano às decisões proferidas pelo órgão de solução de controvérsias e afirma que solicitará aprovação da medida na reunião da próxima semana.

Para especialistas do CFRA Research, a retaliação tarifária entre as duas maiores economias tende a desacelerar a demanda pela commodity, por isso, os preços sofreram um forte impacto com a notícia.

“Como resultado, acreditamos que a probabilidade de os preços do petróleo simplesmente chegarem a 2020 na faixa de US$50 por barril aumentou” – analisaram.

Outro motivo que influenciou o movimento de baixa das cotações foi a informação de que o Kuwait e a Arábia Saudita devem assinar um acordo para retomar a produção de óleo bruto na zona neutra.

Os dois países esperam reiniciar as atividades de extração dentro de 30 a 45 dias, alcançando nesse período, a produção de cerca de 500 mil barris/dia.

No final da sessão, o petróleo vendido no West Texas Intermediate (WTI) para entrega em dezembro recuou 0,67%, sendo negociado a US$53,51 o barril.

Já o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, caiu 0,77%, na cotação de US$58,96 o barril.

Noticiário Corporativo: Biotoscana fecha acordo para venda de controle acionário por R$595,6 milhões à Knight

Os acionistas controladores da Biotoscana (GBIO33) fecharam nesta segunda-feira (21) um acordo para vender sua participação à multinacional canadense Knight Therapeutics, pelo montante de R$595,6 milhões.

Ao todo, são 48.146.080 ações ordinárias e 6.202.669 Brazilian Depositary Receipts (BDRs), compondo 51,21% do capital social da companhia e o valor de compra está embutindo um prêmio de 11,8% sobre o valor de fechamento dos papéis na semana passada.

A transação ainda passará pela submissão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), o que deverá ocorrer até o dia 29 de novembro deste ano.

Logo após a conclusão desta etapa, a Knight lançará uma oferta pública para aquisição de ações (OPA), que possui previsão no estatuto social da Biotoscana e poderá gerar um desembolso de até R$568 milhões.

A multinacional planeja concluir a compra de todos os BDRs em circulação até meados de 2020, e ao final de tudo, a empresa terá pago cerca de R$1,16 bilhão por 100% da Biotoscana.

Em comunicado ao mercado, o executivo-chefe, Jonathan Ross Goodman, afirmou que a aquisição do grupo brasileiro “corresponde a complemento estratégico natural, com modelo de negócios semelhante ao da Knight e forte relacionamento com parceiros globais”.

Movimentações na B3  

As ações de maior liquidez do Ibovespa encerraram com ganhos expressivos, seguindo o otimismo do cenário externo. A seguir, as máximas do mercado à vista:

COMPANHIAS ESTATAIS
Ativo 18/10 21/10 Ativo 18/10 21/10
Petrobras (PETR3) -0,83% +1,34% Vale (VALE3) -1,46% +2,56%
Petrobras (PETR4) -0,22% +0,62% Embraer (EMBR3) -0,62% +2,00%
Eletrobras (ELET3) +5,03% -0,10% Banco do Brasil (BBAS3) +2,56% +0,74%
Eletrobras (ELET6) +3,37% +0,31% Cemig (CMIG4) -1,94% +0,37%

Carteira Recomendada de Outubro por 17 corretoras

SETOR BANCÁRIO SETOR SIDERÚRGICO
Ativo 18/10 21/10 Ativo 18/10 21/10
Itaú Unibanco (ITUB3) -0,34% +1,38% Usiminas (USIM3) +0,11% 00%
Santander (SANB11) -1,32% +1,25% CSN (CSNA3) -1,81% +2,61%
Bradesco (BBDC3) -0,95% +1,24% Gerdau (GGBR4) -1,79% +0,53%


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