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Ibovespa avança 1,58% refletindo o otimismo com o acordo EUA-China

Por Pablo Vinicius Souza
13 janeiro 2020 - 19:49

O Ibovespa encerrou em alta nesta segunda-feira (13), refletindo o sentimento de otimismo frente à assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Uma comitiva de autoridades chinesas, liderada pelo vice-primeiro-ministro, Liu He, chegará a Washington entre hoje e amanhã para participar da cerimônia de formalização do documento negociado.

Em dezembro, após o consenso entre os dois países, ficou estabelecido que Pequim aumentaria as compras de produtos agrícolas americanos, e, em contrapartida, os EUA não elevariam as tarifas sobre os produtos importados do gigante asiático.

Após a conclusão desta primeira etapa do acordo, o mercado espera que sobrevenha um alívio nas tensões entre as duas maiores economias do mundo, proporcionando a retomada do crescimento econômico global.

Outro fator que impulsionava os índices internacionais era a percepção de que o conflito entre EUA e Irã não resultará em uma guerra de grandes dimensões no Oriente Médio.

Em meio à uma sessão tranquila, os investidores encontraram espaço para renovar o apetite ao risco. Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,29%, o S&P 500 avançou 0,70% e o Nasdaq Composto teve alta de 1,04%.

Por aqui, as projeções do Relatório Focus do Banco Central ditavam o rumo dos negócios, assegurando as boas perspectivas em relação à recuperação da economia do país.

As estimativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuaram de 3,6% para 3,58% em 2020, com os economistas apostando que o indicador voltará a ficar abaixo do centro da meta, de 4%.

No sentido contrário, as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) sinalizaram expansão de 2,30% em 2020 e 2,50% em 2021.

Na B3, o setor bancário apurou ganhos interessantes, contudo, foi o setor siderúrgico que liderou o ranking positivo, com as companhias CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e Vale (VALE3).

A Sabesp (SBSP3) também apareceu dentre as maiores altas, reagindo ao interesse do grupo chinês em investir na empresa de saneamento através da aquisição de uma fatia do capital ou firmando outros tipos de parcerias.

Como resultado, a Bolsa brasileira saltou 1,58% aos 117.325 pontos, com um volume financeiro de R$16,696 bilhões.

Dólar dispara fechando a R$4,14 na máxima de dois meses

O dólar comercial encerrou em alta de 1,15% contra o real brasileiro, sendo cotado a R$4,1410 na venda, renovando a máxima de dois meses.

Na ausência de catalisadores específicos, os agentes do mercado apontaram o baixo volume de ingressos de recursos e o movimento de compras defensivas como as vertentes responsáveis pelo desempenho do dia.

Outro aspecto que também exerceu influência para a valorização da divisa americana foi a expectativa pela assinatura do acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Potencialmente, as condições negociadas poderão impactar o comércio do Brasil, já que os chineses serão obrigados a aumentar as compras de produtos agrícolas americanos.

Atualmente, o gigante asiático é um dos principais importadores de commodities produzidas no país, de modo que o acordo poderá afetar drasticamente a demanda chinesa por produtos nacionais.

Tais perspectivas interferem, inclusive, nas previsões de entradas de recursos estrangeiros, uma vez que, o comércio internacional poderá sofrer uma forte queda.

No exterior, o dólar se fortaleceu contra as principais moedas emergentes e o real liderou as perdas considerando as 33 divisas mais líquidas do mundo.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros fecharam em alta, com as taxas mais longas da curva anotando recomposição mais acentuada do prêmio de risco.

No radar, pairavam as dúvidas sobre o avanço da economia brasileira, tendo em vista que os indicadores mostraram uma realidade aquém do previsto.

Além disso, o comportamento contido da inflação demonstra que há uma boa chance de o Banco Central dar continuidade à flexibilização da taxa Selic no curto prazo.

O DI outubro/2020 subiu para 4,36% (4,35% no ajuste anterior), o DI abril/2023 cresceu para 5,85% (5,81% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 saltou para 6,45% (6,38% no ajuste anterior).

Petróleo recua mais de 1% com oferta global no radar

Os contratos futuros de petróleo encerraram em queda nesta segunda-feira (13), refletindo as preocupações sobre um possível cenário de excesso de oferta global.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para fevereiro, caiu 1,62%, sendo negociado a US$58,08 o barril.

Enquanto o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em março, recuou 1,20%, fechando na cotação de US$64,20 o barril.

As cotações estenderam as perdas anotadas na semana passada, ainda em repercussão ao alívio das tensões no Oriente Médio.

Contudo, o mercado ainda se mostra incerto quanto à atuação efetiva da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no corte de produção.

Alguns analistas avaliam que o compromisso assumido pelos integrantes na reunião de dezembro será o suficiente para o cartel responder à contração na demanda.

Adicionalmente, o acordo de primeira fase que será celebrado entre Estados Unidos e China poderá tracionar o aumento do consumo do óleo bruto, tendo em vista que o país asiático é o maior importador líquido do mundo.

Apesar das quedas dos últimos dias, os investidores acreditam que ainda há espaço para uma guinada nos preços da commodity, considerando as sanções que Washington imporá ao Irã no que tange ao comércio internacional.

Noticiário Corporativo: Sabesp avança mais de 4% após gigante chinesa manifestar interesse de aquisição

A Sabesp (SBSP3) está na mira de um dos maiores grupos que atuam na área de infraestrutura em nível global, o China Railway Construction Corporation.

Sendo uma das companhias mais importantes do Brasil no segmento de tratamento de água e esgoto, a estatal tem cerca de 28 milhões de clientes no estado de São Paulo e registra um faturamento médio de R$16 bilhões por ano.

O acionista majoritário é o governo do Estado de São Paulo, detentor de 50,3% das ações, atualmente avalia se irá se desfazer completamente de sua participação ou disponibilizará metade de sua fatia à novos investidores.

Atualmente avaliada em cerca de R$40 bilhões, a Sabesp é apenas um dos braços de interesse da gigante chinesa, que em 2017 investiu aproximadamente US$9 bilhões em empreendimentos brasileiros concentrados no setor de energia.

Segundo uma matéria divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, o grupo chinês estaria muito interessado em negócios ligados ao saneamento, ao setor de construção de civil e ao transporte de cargas por ferrovias, demonstrando verdadeira disposição em elevar os aportes no país.

Em uma análise à clientes, o Credit Suisse afirmou que uma possível parceria ou aquisição de uma participação na Sabesp poderia representar um grande passo no processo de privatização/ reestruturação de seu capital.

Contudo, uma eventual privatização ainda depende da aprovação do novo Marco Regulatório dos Serviços de Saneamento Básico (PL 4.162/2019), que permite a venda de empresas estatais com a manutenção de seus contratos, dispensando a necessidade de consulta dos titulares das concessões.

Na sessão de hoje, as ações ordinárias da Sabesp (SBSP3) avançaram 4,35%, fechando na cotação de R$59,91 a unidade.


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