HomeMercados

Ibovespa avança 1,54% com panorama EUA-China e ações brasileiras em foco

Por Pablo Vinicius Souza
21 novembro 2019 - 19:43
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa encerrou em forte alta nesta quinta-feira (21), refletindo a combinação de diferentes variáveis do cenário externo.

Nas primeiras horas de negociação, o desempenho do índice geral foi limitado pelas incertezas sobre o acordo comercial entre Estados Unidos e China.

Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, convidou as autoridades comerciais dos EUA, Steven Mnuchin e Robert Lighthizer, para uma nova rodada de reuniões presenciais.

O premiê justificou que o objetivo do encontro será esclarecer alguns pontos que não estão claros para Pequim sobre as exigências feitas por Washington e acrescentou que está “cautelosamente otimista” com o acordo.

Embora os investidores tenham ficado animados com a notícia, o clima de cautela prevaleceu nas operações, tendo em vista que a recusa do presidente Donald Trump em aceitar a principal demanda da China.

O governo do gigante asiático havia solicitado que os EUA removessem integralmente as tarifas sobre os produtos chineses, porém, a Casa Branca está resistindo em concordar.

Para agravar a situação ainda mais, o Congresso americano aprovou dois projetos de lei que oferecem apoio aos manifestantes em Hong Kong, levando Pequim a condenar e se opor formalmente à medida.

Contudo, durante a tarde, os índices locais dispararam após grandes gestoras, como BTG Pactual, Credit Suisse e Morgan Stanley, recomendarem a compra de ativos brasileiros, reforçando as projeções positivas sobre o país.

O movimento de alta se espalhou por quase todos os setores da B3, alcançando principalmente os bancos, as companhias do setor siderúrgico e a Petrobras.

Na avaliação dos analistas, as condições estruturais do Brasil estão favoráveis, sobretudo para a renda variável, graças aos juros mais baixos, à retomada do crescimento e ao aumento dos lucros corporativos.

O UBS Wealth Management elevou a recomendação das ações nacionais que compõem sua carteira tática de “overweight” (compra) para “strong” (forte compra), segundo relatório divulgado aos clientes.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 1,54% aos 107.496 pontos, registrando um volume financeiro de R$23,886 bilhões.

Dólar cai a R$4,19 com incertezas na guerra comercial e declarações de Campos Neto

Fazendo uma sessão de intensa volatilidade, o dólar comercial depreciou 0,12% nesta quinta-feira (21), fechando na cotação de R$4,1930 na venda.

As incertezas com a guerra comercial entre Estados Unidos e China conduziram o ritmo dos negócios, pressionando um movimento de altas e baixas ao longo do dia.

Os investidores reagiram às notícias sobre o descontentamento do governo chinês com a decisão do Congresso americano de aprovar um projeto de lei que tornam rígidas as fiscalizações sobre violações de direitos humanos em Hong Kong.

Ao que parece, Pequim está aguardando a atitude de Donald Trump, para saber se ele irá vetar o referido projeto ou se aprovará o regulamento que apoia as manifestações no território semiautônomo.

De maneira geral, alguns pares emergentes do real apresentaram um desempenho melhor contra a divisa americana, como o rand sul-africano (+0,7%), o peso colombiano (+0,6%) e o peso mexicano (+0,5%).

O mercado está resistente em vender dólares no curto prazo, apesar de a moeda brasileira se encontrar na fronteira psicológica de R$4,20 e o Banco Central assumir que não irá intervir defensivamente.

Segundo o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, uma possível intervenção para conter a inflação será realizada apenas nos juros, descartando a adoção de qualquer medida cambial.

Tais declarações afetaram os contratos de juros futuros, que encerraram apresentando forte recomposição no prêmio de risco ao longo da curva.

Considerando o desconforto do mercado com o dólar mais forte, a tendência é de redução das apostas no corte mais agressivo da Selic, que deve permanecer no nível de 4,50% por um bom tempo.

O DI maio/2020 saltou a 4,56% (4,46% no ajuste anterior), o DI julho/2024 avançou para 6,41% (6,30% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 subiu a 6,93% (6,84% no ajuste anterior).

Petróleo avança mais de 2% de olho na produção da Opep

Os contratos futuros de petróleo encerraram em expressiva alta nesta quinta-feira (21), impulsionados pelas expectativas de extensão dos cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, recuou 2,75%, sendo negociado a US$58,58 o barril, no maior valor desde 23 de setembro.

Já o petróleo Brent para o mesmo mês, comercializado na ICE de Londres, saltou 2,52%, fechando na cotação de US$63,97 o barril.

Segundo informações da Reuters, a Opep e os seus aliados pretendem estender a política de redução de 1,2 milhão de barris por dia na produção da commodity, até junho de 2020.

A notícia deixou o mercado em êxtase, embora os países não tenham concordado em aumentar os níveis de corte, como era a proposta inicial dos principais membros.

Outro fator que ajudou no avanço dos preços foi o possível progresso nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

Por não haver consenso sobre os termos da primeira fase do acordo, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, convidou autoridades americanas para uma nova rodada de conversas presenciais.

Com isso, crescem as expectativas de que os dois países consigam conciliar interesses e concluir um acordo preliminar satisfatório.

Porém, ao que parece, a assinatura do documento ficará para 2020, devido à uma série de demandas divergentes entre Washington e Pequim.

Noticiário Corporativo: Cade autoriza Intermédica a adquirir a operadora São Lucas Saúde

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o processo de aquisição do Grupo São Lucas Saúde pela NotreDame Intermédica (GNDI3).

 O valor previsto para a operação é de aproximadamente R$312 milhões e o acordo de intenção de compra aguardava o parecer dos órgãos oficiais desde outubro.

A São Lucas Saúde mantém uma forte atuação na cidade de Americana (SP) e conta com uma carteira de clientes de cerca de 87 mil beneficiários na região.

Além disso, o atendimento do grupo abrange a São Lucas Serviços Médicos, que realiza consultas primárias em três centros clínicos, e a Associação Clínica São Lucas, que opera um hospital com 80 leitos, sendo 14 destes dedicados à unidade de tratamento intensivo (UTI).

Mesmo depois da autorização do Cade, a companhia ainda precisa do aval da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) para concluir os procedimentos de compra.

Na avaliação do Cade, as duas empresas terão, em conjunto, participação de 30% do mercado de saúde em São Paulo, dentre hospitais e planos de assistência médica.

Como as empresas concorrentes detém mais 60% da fatia do mercado, a transação não resultará em monopólio ou fechamento regional do setor em si, por isso, foi autorizada.

Essa é apenas mais uma de diversas aquisições que estão sendo realizadas pela Intermédica, na concretização de sua estratégia de expansão pelo país.

Vale destacar que através da compra de empresas em vários estados, a companhia conseguiu impulsionar os resultados do terceiro trimestre, aumentando o seu lucro em 5,9%, no total de R$99,7 milhões.


Sobre o autor