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Ibovespa avança 13,91%, mas cautela prevalece frente à pandemia

Por Fast Trade
13 março 2020 - 18:46
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O Ibovespa encerrou em forte alta nesta sexta-feira (13), registrando o maior ganho diário em 11 anos em atenção ao otimismo internacional, apesar da intensa volatilidade nas negociações.

Os investidores monitoraram a reação dos governos de diferentes países para lidar com o avanço do coronavírus e a provável contração econômica decorrente da epidemia.

O presidente americano, Donald Trump, utilizou a sua coletiva de imprensa para decretar estado de emergência nacional, visando facilitar que a ajuda financeira chegue tempestivamente a estados e municípios do país.

As acionar a medida, o líder da Casa Branca conseguirá liberar imediatamente até US$40 bilhões em recursos, para intensificar as ações de combate ao vírus e conter sua rápida disseminação.

No mesmo sentido, o Federal Reserve anunciou ontem a liberação de US$1,5 trilhão em recursos para o mercado financeiro, que foram concedidos através de operações de recompra reversa.

Mais cedo, o Banco Popular da China reduziu o índice de depósitos compulsórios das instituições financeiras, com o objetivo de injetar 550 bilhões de yuans na economia.

Outros países como Japão, Noruega, Suécia e Canadá estão finalizando projetos que viabilizam a aplicação de medidas fiscais para minimizar os efeitos da contração nas atividades setoriais.

O sentimento de alívio prevaleceu no mercado, apesar do aumento expressivo no número de pessoas contaminadas pelo coronavírus nos continentes americano e europeu.

No Brasil, ajudou a suavizar as tensões a confirmação de que o presidente Jair Bolsonaro não está contaminado com o vírus, embora seu secretário de comunicação tenha sido diagnosticado com a doença.

Ao todo, já são 98 casos contabilizados pelo Ministério da Saúde, porém, há cerca de 1.485 pacientes sendo monitorados sob suspeita.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, por não ter apresentado propostas de curto prazo para enfrentar a disseminação do vírus.

Ele também explicou que o ofício enviado ao Congresso pela equipe econômica não contém ações que impactam a agenda de forma efetiva e ressaltou que os parlamentares estudam entrar em recesso.

Na B3, as companhias Azul (AZUL4), Braskem (BRKM5), Gol (GOLL4), Rumo (RAIL3) e CCR (CCRO3) alcançaram os maiores ganhos da sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira saltou 13,91% na faixa de 82.677 pontos, com um volume financeiro de R$31,323 bilhões.

Dólar fecha a R$4,81 e registra avanço semanal de 3,85% com coronavírus

O dólar comercial subiu 0,51% nesta sexta-feira (13), fechando na cotação de R$4,8127 na venda, de olho no avanço do coronavírus no mundo.

Na semana, a divisa americana valorizou 3,85% contra o real, refletindo o aumento da aversão ao risco e a forte demanda por ativos mais seguros.

O fortalecimento da moeda dos EUA ocorreu também no exterior após o presidente Donald Trump declarar emergência nacional devido à rápida expansão do vírus.

Apesar de diversos países anunciarem a adoção de estímulos econômicos para minimizar os impactos do coronavírus, ainda assim, o real não conseguiu se manter em território positivo.

O revés da aprovação pelo Congresso do aumento das despesas com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o acirramento das tensões entre os poderes executivo e legislativo contribuíram para estender as perdas do câmbio.

Nem mesmo a atuação do Banco Central ofertando US$2 bilhões em recursos à vista por meio de leilão de linha, foi capaz de frear a depreciação da moeda brasileira frente à volatilidade externa.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com redução nas taxas em todos os períodos, pressionando uma inclinação acentuada da curva a termo.

O movimento dos DIs refletiu à ação conjunta dos Banco Centrais para amparar as economias e voltou a precificar um novo corte na taxa Selic.

O DI setembro/2020 caiu para 4,05% (4,58% no ajuste anterior), o DI janeiro/2025 declinou para 6,95% (8,22% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 desceu para 7,58% (8,88% no ajuste anterior).

Petróleo fecha em alta, mas não evita queda semanal de 25%

Os contratos futuros de petróleo encerraram em alta nesta sexta-feira (13), mas não conseguiram evitar os resultados de sua pior semana desde a crise financeira de 2008.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para abril, avançou 0,73%, fechando no valor de US$31,73 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em maio, subiu 1,89%, na cotação de US$33,85 o barril.

No acumulado da semana, os contratos do WTI registraram perdas de 23,13% e os contratos do Brent desvalorizaram 25,22%

O agravamento da pandemia de coronavírus e a guerra de preços da commodity estabelecida entre Arábia Saudita e Rússia foram os grandes catalisadores do movimento negativo.

O mau humor generalizado começou após a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que terminou sem consenso sobre a extensão dos cortes na produção de óleo bruto.

Devido à recusa da Rússia em prosseguir com a estratégia, a Arábia Saudita imediatamente anunciou que irá elevar os níveis de produção e reduzirá os preços em até 20% o barril.

As cotações operaram sob forte pressão a semana inteira e recuaram ainda mais após o presidente Donald Trump decidir pela proibição dos voos da Europa aos Estados Unidos.

Diante disso, crescem as apostas de que o mercado de petróleo passará por momentos de grande excedente na oferta, ao mesmo tempo em que assiste à intensa contração na demanda devido à expansão do Covid-19.


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