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Ibovespa avança 1,13% com coronavírus “sob controle” e resultados corporativos

Por Pablo Vinicius Souza
12 fevereiro 2020 - 19:43

O Ibovespa encerrou em alta nesta quarta-feira (12), acompanhando o otimismo dos mercados internacionais e a temporada de balanços corporativos.

Os investidores ficaram entusiasmados após a província de Hubei informar que o número de pessoas contaminadas pelo coronavírus chegou ao menor nível este mês.

Embora os dados oficiais do governo chinês informem que 2.015 novos casos foram confirmados nas últimas 24 horas, houve uma leve desaceleração nos números.

Ao todo, a doença já matou cerca de 1.113 pessoas e infectou outras 44.653, sendo que a maior parte das vítimas está concentrada na China continental.

O sentimento de alívio prevaleceu nas negociações, impulsionando os principais índices acionários no exterior e a valorização das commodities.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,94%, o S&P 500 avançou 0,65 e o Nasdaq Composto saltou 0,90%.

Na visão do mercado, a combinação entre os estímulos econômicos adotados por Pequim e o desenvolvimento de vacinas poderá amenizar os impactos negativos no curto prazo.

Por aqui, as atenções se concentraram no noticiário corporativo, com a divulgação da nova rodada de balanços do quarto trimestre de 2019.

Dentre os destaques do dia, a Totvs (TOTS3) avançou com a expectativa de reportar resultados mais fortes, visto que, os balanços serão divulgados hoje após o fechamento do mercado.

Só em 2020, a empresa de desenvolvimento de softwares viu suas ações valorizarem cerca de 19,58%, e, no último ano, o salto foi de 146,56%.

Já a Tim (TIMP3) está subindo com força após ter divulgado um lucro líquido de R$918 milhões no último trimestre do ano passado, registrando um crescimento de 45% na base anual.

As companhias Weg (WEGE3), Suzano (SUZB3), Cielo (CIEL3), Magazine Luiza (MGLU3) e Klabin (KLBN11) também anotaram ganhos expressivos nesta sessão.

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 1,13% aos 116.674 pontos, com um volume financeiro de R$23,945 bilhões.

Dólar salta a R$4,35 e bate novo recorde de fechamento

O dólar comercial subiu 0,60% nesta quarta-feira (12), na cotação de R$4,3510 na venda, alcançando novo recorde de fechamento.

Esta é a quinta alta consecutiva da divisa americana, que ganhou força com os dados decepcionantes das vendas no varejo mensuradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro, o varejo restrito recuou 0,1% em relação ao desempenho de novembro, contrariando as previsões dos analistas, que indicavam alta de 0,2%.

Já o resultado do varejo ampliado foi ainda menor, caindo 0,8% no período, o que reforça o ritmo lento e gradual de recuperação das atividades no Brasil.

A desvalorização do real desviou do comportamento de seus pares emergentes no exterior, que subiram contra a moeda dos EUA, fazendo um pregão de alívio com as notícias de possível controle do coronavírus.

A divisa brasileira tem sido influenciada pela atual conjuntura macroeconômica, de desempenho fraco na economia e juros mais baixos.

Mesmo após a sinalização do Banco Central para a interrupção do ciclo de cortes na taxa Selic, crescem as apostas de que haverá a adoção de mais estímulos no curto prazo.

Na medida em que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos diminui, o real perde em atratividade e isso pressiona a sua queda.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram nas mínimas, com os vértices de curto prazo refletindo os indicadores decepcionantes no setor de serviços.

Com o dólar testando os maiores níveis da história, os DIs intermediários e mais longos perderam força, apresentando um movimento de queda mais contido.

O DI dezembro/2020 recuou para 4,19% (4,22% no ajuste anterior), o DI outubro/2024 caiu para 5,99% (6,04% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2028 declinou para 6,52% (6,55% no ajuste anterior).

Petróleo avança mais de 3% em expectativa ao controle do coronavírus

Os contratos futuros de petróleo encerraram em expressiva alta nesta quarta-feira (12), impulsionados pela redução do ritmo de propagação do coronavírus na China.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, avançou 2,46%, no preço de US$51,17 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em abril, subiu 3,29%, fechando na cotação de US$55,79 o barril.

Segundo informações da Comissão Nacional de Saúde da China, foram registrados 2.015 novos casos de infecção pelo vírus nas últimas 24 horas.

O dado representa uma redução na disseminação da doença, que pelo segundo dia consecutivo, está mostrando desaceleração.

Embora os especialistas admitam que o número de contaminados esteja subestimado pelo governo chinês, atualmente estão confirmadas com a doença aproximadamente 44.653 pessoas.

A percepção de que o coronavírus está sendo controlado pelas autoridades deu força para as cotações da commodity devolverem as perdas da semana.

Mais cedo, o governo americano divulgou as informações sobre os estoques de petróleo no país, anotando um aumento de 7,459 milhões de barris na semana passada.

O número mais que superou as previsões dos especialistas, que apostavam no aumento de apenas 2,9 milhões de barris no período.

Contudo, o otimismo gerado pela confiança na capacidade de Pequim em lidar com a epidemia, foi o suporte necessário para promover a correção nos preços da commodity energética.

Noticiário Corporativo: Ministro da infraestrutura afirma ter convicção pelo movimento de desestatização da Eletrobras

O ministro da Infrestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que o setor elétrico brasileiro “precisa” que a Eletrobras (ELET3/ ELET6) seja privatizada.

Durante um evento do Grupo Voto, em Brasília, ele disse ter convicção sobre o forte movimento por parte do governo para desestatização da companhia e ressaltou importância da aprovação deste projeto.

O executivo direcionou sua fala ao presidente da estatal, Wilson Ferreira, que também estava participando do evento, sinalizando seu apoio às mudanças que estão sendo realizadas na gestão da Eletrobras.

“Tenho certeza que a gente vai ser bem-sucedido” – disse o ministro.

Na ocasião, Ferreira destacou que para a estatal manter a sua participação no mercado, seria preciso realizar investimentos em torno de R$15 bilhões por ano, um valor muito acima do disponível.

“Ela investiu ano passado R$3,6 bilhões. Ela pode investir um pouquinho mais, talvez R$4 bi, R$4,5 bi, mas ela precisa investir R$15 bi” – explicou o presidente da empresa, justificando a necessidade da privatização.

Já no ano passado, a equipe econômica finalizou o projeto de lei que autoriza a privatização da companhia e enviou à apreciação do Congresso Nacional.

Contudo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, informou que, a cada dia que passa, está mais difícil prever se os deputados serão favoráveis ou não ao projeto.

O parlamentar acrescentou que, não obstante o projeto possa ser votado ainda este ano, há uma forte resistência à sua aprovação dentro das casas legislativas.

No pregão de hoje, as ações ordinárias da Eletrobras (ELET3) subiram 1,75%, na cotação de R$35,42.


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