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Ibovespa avança 0,77% seguindo movimento de ajustes no exterior

Por Pablo Vinicius Souza
03 fevereiro 2020 - 19:38
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa encerrou em alta nesta segunda-feira (03), acompanhando o movimento de ajustes no exterior, que impulsionou a valorização das Bolsas internacionais.

Trata-se de uma breve correção às perdas registradas nos últimos dias, visto que, a “crise” de disseminação do coronavírus segue em plena expansão e fazendo mais vítimas a cada dia.

Segundo informações do governo chinês, a doença já infectou mais de 17,2 mil pessoas e matou outras 361, sendo que, o número de casos suspeitos chega a alcançar uma quantidade três vezes maior.

A rápida expansão do vírus levou os Estados Unidos a barrarem a entrada de estrangeiros que tenham passado recentemente pela China e a estabelecer uma quarentena obrigatória para os cidadãos americanos que estiveram recentemente na província de Hubei, onde iniciou o surto.

Em resposta, Pequim acusou Washington de criar pânico sobre a epidemia de coronavírus, aplicando restrições excessivas, contrárias às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mais cedo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, voltou a chamar a atenção dos governos para evitarem a adoção de medidas que interfiram, desnecessariamente, nas viagens e no comércio internacional.

Isso porque, os prejuízos financeiros da doença podem ser ainda maiores para diversos países, afetando o restabelecimento da economia global.

No cenário interno, o governo brasileiro está se mobilizando para trazer os cidadãos que estão presos na cidade de Wuhan, devido à suspensão temporária nos serviços de transporte aéreo de passageiros.

Segundo o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, está sendo montada uma estrutura para o atendimento de possíveis casos de coronavírus, com profissionais treinados e todos os equipamentos necessários.

O presidente Jair Bolsonaro deve editar ainda hoje uma medida provisória (MP) contendo as regras para o estabelecimento de uma quarentena para as pessoas que serão resgatadas no país asiático.

Também no radar, a volta dos trabalhos no Congresso Nacional promete trazer um ano de muitas discussões e polêmicas devido à continuidade da agenda de reformas.

Como prioridades, foram elencadas a aprovação das mudanças da lei de Saneamento e a tramitação das reformas administrativa e tributária, conforme o planejamento da base governista.

Na B3, o destaque positivo vai para as blue chips Vale (VALE3), Magazine Luiza (MGLU3), Bradesco (BBDC3) e Banco do Brasil (BBAS3).

Como resultado, a Bolsa brasileira avançou 0,77% aos 114.629 pontos, com um volume financeiro de R$21,579 bilhões.

Dólar recua a R$4,24 e interrompe sequência de valorização

O dólar comercial subiu 0,86% nesta segunda-feira (03), fechando a R$4,2490 na venda, interrompendo a sequência de três altas consecutivas.

As preocupações sobre os impactos com o avanço do coronavírus se dissiparam parcialmente, após a retomada das operações nas Bolsas chinesas.

Contudo, o clima ainda é de apreensão nos mercados, pois a doença já contaminou mais de 17,2 mil pessoas e matou outras 361.

O amplo ajuste de posições se justifica pela precificação das possíveis consequências da epidemia na economia chinesa, o que levou a divisa americana a perder força contra as principais moedas emergentes.

Parte do alívio deveu-se à decisão do Banco Central chinês anunciar a injeção de 150 bilhões de yuans em liquidez no sistema financeiro e reduzir a taxa de recompra reversa de 2,40% para 2,55%.

A medida mostrou que o governo da China está realmente empenhado em garantir a sustentabilidade econômica do país diante do dramático surto de coronavírus.

No caso do real, o movimento de correção veio para equilibrar as expectativas internas, embora não consiga desfazer a tendência de queda no curto prazo gerada pelo provável corte na taxa Selic.

Frente ao cenário de crescimento contido e inflação abaixo do centro da meta, o Banco Central deve dar continuidade à política de flexibilização monetária na reunião do Copom, agendada para quarta-feira.

Com a redução do diferencial dos juros do Brasil e dos Estados Unidos, a moeda brasileira perderá atratividade, culminando em sua depreciação no curto prazo.

Juros Futuros

Na renda fixa, os contratos de juros futuros encerraram com declínio nas taxas em todos os períodos, refletindo as perspectivas inflacionárias e a tendência de baixa na Selic.

O DI agosto/2020 caiu para 4,20% (4,23% no ajuste anterior), o DI julho/2023 recuou para 5,74% (5,77% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 desceu para 6,58% (6,61% no ajuste anterior).

Petróleo registra forte queda e entra na fase de “bear market”

Os contratos futuros de petróleo encerraram em expressiva queda nesta segunda-feira (03), acumulando desvalorização superior a 20%.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para março, recuou 2,81%, no preço de US$50,11 o barril.

Já o petróleo Brent comercializado na ICE de Londres, para entrega em abril, teve queda de 3,83%, fechando na cotação de US$68,91 o barril.

Ambos os contratos ingressaram formalmente na fase de “bear market”, com os preços do WTI sofrendo baixa de 20,79% e os preços do Brent caindo 20,98%, em relação ao último pico de alta.

Depois de iniciar a sessão sem assumir um comportamento único, as cotações viraram para queda acentuada, sentindo os impactos do avanço do coronavírus na China.

Embora os índices acionários tenham esboçado uma recuperação, os números de mortos e infectados pela doença continuam a aumentar assustadoramente.

Hoje o governo chinês divulgou 57 novas mortes, totalizando 361, enquanto as pessoas contaminadas já ultrapassaram a faixa de 17 mil.

Segundo os analistas, os preços da commodity continuarão voláteis no curto prazo, visto que, o mercado chinês é o maior importador líquido de óleo bruto do mundo.

Noticiário Corporativo: IRB Brasil desvaloriza 15% após gestora Squadra questionar balanços

As ações da IRB Brasil desvalorizaram 15% no pregão desta segunda-feira (03), após a gestora recursos, Squadra Investimentos, questionar os balanços corporativos.

Em seu site, a gestora publicou uma carta aos cotistas explicando que existem indícios apontando para lucros recorrentes ligeiramente inferiores aos reportados nas demonstrações e, por isso, a empresa estava apostando na queda das ações da resseguradora.

A Squadra acrescentou que desde 2018 está avaliando a situação, porém, em 2019, tais disparidades atingiram o ápice após a divulgação dos últimos resultados trimestrais.

No texto, a gestora ressalta “que não há razões legais ou regulatórias” que solicitem mudanças estruturais nos relatórios financeiros da IRB, mas apenas deseja “justificar a sua interpretação e opinião sobre a grande disparidade entre preço e valor nas ações da resseguradora”.

Em comunicado ao mercado, o IRB informou que as suas demonstrações financeiras foram elaboradas de acordo com as normas contábeis vigentes, com absoluta precisão e transparência.

Além disso, segundo a companhia, as informações contábeis precisam do aval da diretoria estatutária, do comitê de auditoria, do conselho fiscal, do conselho de administração e da auditoria independente.

Para responder à altura da situação, a diretoria da resseguradora informou que está avaliando adotar as medidas legais cabíveis neste cenário, tendo em vista que, a Squadra tem interesses econômicos diametralmente opostos aos da IRB.

Na avaliação do Morgan Stanley, está havendo uma confusão sobre a rentabilidade da empresa no longo prazo e o desempenho dos seus pares globais, levando os investidores a comprarem “maçãs e laranjas”.

Por isso, a instituição recomenda a oportunidade de compra destes ativos.


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