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Ibovespa alcança recorde fechando acima dos 111 mil com indicadores no Brasil e nos EUA

Por Pablo Vinicius Souza
06 dezembro 2019 - 19:47
saldo positivo do Ibovespa

O Ibovespa fechou acima dos 111 mil nesta sexta-feira (06), alcançando uma nova pontuação recorde graças aos indicadores positivos no Brasil e nos Estados Unidos.

Segundo o Departamento do Trabalho americano, a maior economia do mundo criou 266 mil novas vagas de emprego durante o mês de novembro.

O resultado surpreendeu positivamente os economistas, que esperavam a adição de apenas 187 mil novas oportunidades de trabalho, e mostrou como a estrutura-base do país está sólida.

Com isso, afastam-se as preocupações sobre um possível cenário de recessão, estimulando nos investidores o apetite por ativos de risco.

Outro fator que igualmente acentuou a demanda nos mercados emergentes foi a sinalização do governo chinês de que poderá remover a sobretaxa de 25% sobre a carne suína e a soja importados dos EUA.

Apesar de Washington ainda não ter se manifestado sobre a atitude de Pequim, o sentimento de otimismo com as negociações entre os dois países prevaleceu, impulsionando os índices internacionais.

Em Wall Street, o Dow Jones subiu 0,00%, o S&P 500 avançou 0,00% e o Nasdaq Composto saltou 0,00%.

No Brasil, os negócios foram conduzidos pela percepção de que o crescimento econômico está sendo retomado gradualmente, o que pode ser evidenciado pelo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e pela inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mensurado em novembro subiu 0,51%, em comparação a outubro, registrando o maior resultado para o mês desde 2015.

Embora o dado tenha contrariado as previsões dos analistas, o número ficou dentro do intervalo projetado, de forma que as perspectivas macroeconômicas não foram alteradas no curto prazo.

Dentre as maiores altas registradas na B3, Via Varejo (VVAR3), Lojas Americanas (LAME4), Yduqs (YDUQ3) e BTG Pactual (BPAC11) apuraram ganhos de 7%, 7%, 5% e 5%, respectivamente.

Petrobras (PETR3/ PETR4) e Vale (VALE3) subiram mais de 1% no compasso da alta das commodities, porém, as companhias do setor bancário fecharam em território negativo.

No fim da sessão, a Bolsa brasileira subiu 0,46% aos 111.125 pontos, registrando um volume financeiro de R$17,828 bilhões. Na semana, o índice geral saltou 2,67%.

Dólar cai 1% e fecha a R$4,14 com relatório de empregos nos EUA

O dólar comercial encerrou com forte queda nesta sexta-feira (06), sendo cotado a R$4,1460 na venda, próximo à mínima do dia.

Notícias positivas no exterior e o baixo volume de transações favoreceram a apreciação do real, que devolveu parte das perdas registradas na semana passada.

O grande catalisador da sessão de hoje foi o relatório de empregos dos Estados Unidos, que surpreendeu o mercado pelo segundo mês consecutivo, mostrando números muito acima do esperado.

Durante o mês de novembro, foram criadas 266 mil novas vagas de trabalho, contrariando a expectativa de adição de apenas 187 mil no período.

O dado mostrou que a economia norte-americana está forte e saudável, e ao mesmo tempo, confirmou que a política monetária estabelecida pelo Federal Reserve está bem ajustada à atual conjuntura.

Geralmente, os indicadores mais fortes nos EUA tendem a pressionar a valorização do dólar contra as moedas emergentes, contudo, em meio ao cenário de desaceleração da economia global, o resultado mais forte afastou os temores de uma possível recessão.

Por isso, a divisa americana recuou contra as principais moedas mais líquidas, uma vez que, o apetite ao risco esteve presente ao longo das operações.

Na renda fixa, os contratos de juros futuros acompanharam o comportamento do câmbio e fecharam em queda livre em todos os períodos.

Após a divulgação do IPCA, os investidores ficaram aliviados pois o quadro de inflação ainda se apresenta benigno, reforçando a perspectiva de juros mais baixos por um bom tempo.

Embora o índice tenha vindo um pouco acima do esperado (+0,51%), o resultado ficou dentro do intervalo programado, confirmando espaço para a queda da Selic na próxima reunião do Banco Central.

O DI outubro/2020 recuou a 4,47% (4,54% no ajuste anterior), o DI janeiro/2024 declinou para 6,09% (6,20% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2027 caiu a 6,69% (6,77% no ajuste anterior).

Petróleo avança mais de 1% com anúncio de cortes na produção da Opep

Os contratos futuros de petróleo avançaram mais de 1% nesta sexta-feira (06), refletindo o comunicado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre novos cortes na produção.

O petróleo vendido em Nova Iorque no West Texas Intermediate (WTI), com entrega para janeiro, subiu 1,31%, sendo negociado a US$59,20 o barril. Na semana, os ganhos deste contrato chegaram a 6,7%.

Enquanto o petróleo Brent para fevereiro, comercializado na ICE de Londres, avançou 1,57%, fechando na cotação de US$64,39 o barril. Na variação semanal, o Brent valorizou 6%.

Segundo um anúncio oficial realizado pela Opep, todos os seus integrantes e um grupo de aliados liderados pela Rússia, aceitaram reduzir os níveis de produção em mais 500 mil barris por dia.

Os novos cortes terão início a partir de janeiro e a redução total por país será de 1,7 milhão de barris diários, ajudando a afastar os temores de um possível excesso de oferta da commodity.

Porém, segundo analistas, a questão não é somente se comprometer com a meta, mas de fato cumpri-la, o que muitos não fizeram após a última reunião.

Mesmo assim, o otimismo do momento apoiou o aumento dos preços nesta sessão, promovendo um ajuste para cima das cotações.

Além disso, os dados sobre o número de sondas em funcionamento nos Estados Unidos caíram pela sétima semana consecutiva, registrando o total de 663 aparelhos ativos, o que igualmente ajudou a afastar as preocupações com os níveis globais de oferta.

Noticiário Corporativo: Eletrobras vai desaparecer ou virar uma corporação – diz Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que a falta de investimentos está minando o desempenho da Eletrobras (ELET3/ ELET6), já que, somente um terço dos recursos necessários estão sendo empregados em sua manutenção.

Durante um evento sobre saneamento, realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guedes explicou que a estatal precisa de R$16,5 bilhões todo ano para manter a sua posição no mercado.

“Hoje ela tem capacidade máxima de R$3,5 bilhões. Ela está condenada à morte, é questão de tempo, vai desaparecer ou vira uma corporação” – disse o ministro.

O projeto de privatização da companhia vem enfrentando forte resistência no Congresso, apesar de estar prevista na lista de empresas que participarão do programa de desestatização do governo federal.

Na proposta enviada à análise dos parlamentares, a equipe econômica sugeriu a diluição do controle da União com a venda das ações na Bolsa, deixando espaço para a entrada de particulares no capital, mas, sem permitir que uma só pessoa assuma o comando.

O referido projeto de lei deverá ser apreciado pela Câmara e pelo Senado no primeiro semestre de 2020.


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