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IBOV: Investidor tem boas oportunidades após medidas de governos globais para frear crise, dizem analistas

Por TradersClub
30 março 2020 - 10:14 | Atualizado em 30 março 2020 - 10:14

Houve uma mudança na expectativa dos mercados na semana passada após as medidas dos governos para compensar a queda na atividade provocada pelo coronavírus, o que provocou uma melhora das bolsas, mas a volatilidade não vai acabar, alertam analistas, que ainda assim enxergam oportunidades para o investidor com visão de longo prazo. 

A verdade é que ninguém sabe ainda quantificar quanto essa crise vai provocar de perda para cada setor, e muito do que se viu até agora foi resultado de achismo, diz Henrique Estater, analista da Guide Investimentos. E há um esforço dos governos, como do presidente americano Donald Trump, de tentar animar os mercados, falando em retomada dos negócios e remédios contra a doença. Mas as más notícias devem voltar a ter impacto negativo nos mercados em breve, alerta. As oscilações, porém, podem ser um pouco menores, não mais com tantos circuit breakers, pois o ajuste já foi muito forte e rápido, diz Esteter – o que não quer dizer que a correção já acabou.

Apesar de não haver ainda muita visibilidade, o analista diz que há oportunidades na bolsa para o investidor com visão de longo prazo e com estômago para as oscilações nos próximos dois ou três meses. Há empresas boas, líderes de setores, como Petrobras, apesar da queda do petróleo para menos de US$25, que não é sustentável, acredita Esteter. Vale também ficou muito descontada e continua gerando muito caixa e pode pagar dividendos no segundo semestre. Bancos como Itaú e Bradesco também estão descontados e são muito sólidos.  

O investidor com recursos para investir tem oportunidades incríveis, afirma Paulo Gala, diretor-geral da Fator Administração de Recursos. Ele cita os papéis prefixados do Tesouro para 2031, as NTN-F, com juros semestrais, que chegaram a pagar quase 10% ao ano. A taxa caiu para 7,99%, mas ainda assim representa mais que o dobro da Selic atual, de 3,75%. Os papéis corrigidos pela inflação também estão pagando juros maiores, de 4,41% ao ano para 2035, mas a expectativa é de desaceleração do IPCA em meio ao aumento do desemprego. 

Há ainda fundos imobiliários pagando quase 10% de retorno anual depois que as cotas derreteram com as restrições ao comércio. Na bolsa, há oportunidades, mas o investidor precisa ter muita paciência, pois terá de esperar talvez dois ou três anos para o mercado se recuperar. E vai precisar de uma boa assessoria, pois há setores muito arriscados, afirma Gala. A vantagem para a bolsa é que os juros vão ter de ficar baixos, perto de zero, por muito tempo. (Angelo Pavini/ACS)


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