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Guedes afirma que “governo tirou Brasil do abismo fiscal”; dados chineses animam mercados

Por Bruna Santos
17 janeiro 2020 - 09:46
1º pregão do ano

Após a assinatura da “Fase 1” do acordo comercial entre Estados Unidos e China na quarta-feira (15), o conselheiro comercial da Casa Branca, Peter Navarro, revelou alguns dos objetivos americanos para a próxima etapa.

Dentre os destaques está o fim dos subsídios do governo às empresas estatais e a interrupção do “roubo cibernético chinês”.

Além disso, os EUA planejam reduzir o fluxo do opioide fentanil ao território americano, segundo informou Navarro à CNBC.

O Senado local aprovou ontem (16) uma reformulação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Assim, o documento prevê regras mais rígidas sobre o âmbito trabalhista e automotivo.

Em contrapartida, os US$ 1,2 trilhão em fluxos comerciais anuais entre EUA, México e Canadá ficaram inalterados.

Aprovada em uma votação bipartidária, a legislação do Acordo EUA-México-Canadá foi encaminhada para que a sanção do presidente Donald Trump.

Na China, notícia de que o PIB local cresceu 6,1% em 2019 foi bem recebida pelos mercados que fecharam estáveis.

O presidente do ChileSebastián Piñera, vai encaminhar ao Congresso um projeto de lei contendo alterações no sistema de aposentadorias.

Em discurso, ele afirmou que a reforma aumenta em 6% as contribuições a cargo dos empregadores, portanto, a medida vai beneficiar mais de 1 milhão de cidadãos, especialmente idosos com dependência severa, mulheres e classe média.

Por aqui, os destaques devem ficar com a publicação de prévias das empresas sobre o quarto trimestre de 2019.

Além disso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se prepara para representar o Brasil em Davos.  Confira as principais notícias que vão guiar o seu dia, investidor.

Produção industrial, inflação (IPC), vendas no varejo e outros dados econômicos

A Fipe divulga nesta sexta-feira (17) a inflação (IPC) na cidade de São Paulo para a segunda quadrissemana de janeiro.

Nos Estados Unidos, a manhã será recheada de indicadores econômicos relevantes para a economia local, dentre eles os dados de construção de casas novas de dezembro (com estimativa de alta de 1,1% na base mensal).

Ademais, saem a produção industrial (estimativa de queda de 0,2%) e os dados de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan de janeiro.

Por falar em produção industrial, o índice chinês avançou 6,9% na comparação anual de dezembro, o que equivale a um crescimento de 6,2% frente a novembro.

O crescimento econômico chinês se manteve firme no trimestre final em meio à atenuação de tensões comerciais com os EUA.

Embora o crescimento econômico da gigante asiática tenha desacelerado na maior parte de 2019, houve uma expansão de 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado do ano, segundo informou o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

Apesar do dado positivo, este foi o ritmo de crescimento mais lento em quase três décadas documentada nas China.

Além disso, representa uma desaceleração em relação ao avanço de 6,6% registrado em 2018.

Por fim, as vendas no varejo chinês saltaram 8,0% em dezembro ante ao último mês de 2018.

Brasil na OCDE: governo criará secretaria para agilizar o processo

O aceno do presidente Donald Trump com o apoio para a entrada do Brasil na OCDE (Cooperação e Desenvolvimento Econômico) entusiasmou a equipe do governo federal, que já planeja instaurar uma secretaria para agilizar o processo.

Segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o decreto de criação tem como propósito de se voltar para as relações do Brasil com a OCDE e com os países-membros do grupo.

A OCDE reúne os países mais industrializados do mundo e estabelece parâmetros conjuntos de regras econômicas e legislativas para os seus membros.

A secretaria que integrará a estrutura da Casa Civil, deve ser criada até a segunda-feira da próxima semana, com o propósito de se preparar para o processo de adesão que leva, em média, algo em torno de três anos.

Em julho do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro havia assinado um decreto para criar o Conselho Brasil-OCDE, a fim de acompanhar a adesão do Brasil na OCDE.

Ontem, Onyx se reuniu com o Encarregado interino de Negócios, William Popp, na Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília.

No encontro, o ministro da Casa Civil agradeceu o apoio do país norte-americano à adesão do Brasil à organização.

Onyx afirma que o Brasil possui 66 itens acreditados junto à entidade dos 234 que são necessários para a adesão, entre eles, o ministro citou princípios de governança pública, como a digitalização de serviços ao cidadão e a transparência.

Em 2019, havia grande expectativa pela indicação após Bolsonaro visitar a Casa Branca em março; em outubro, contudo, os Estados Unidos enviaram uma carta a OCDE reiterando o apoio à Argentina e à Romênia para assumir uma vaga no órgão.

“Governo tirou o Brasil do abismo fiscal em seu primeiro ano”, defenderá Guedes em Davos

Prestes a embarcar para o Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o ministro da Economia, Paulo Guedes afirmou que defenderá as reformas e outras medidas implementadas pelo governo Jair Bolsonaro que melhoraram o quadro das contas públicas e o ambiente de negócios, como responsáveis por tirar o Brasil do “abismo fiscal”.

Em entrevista a Fernando Rodrigues, do Poder em Foco, no SBT, Guedes se referiu ao ponto de vista econômico.

O programa será exibido no domingo, 19 e deve contar com exemplos como a aprovação da reforma da Previdência.

Além disso, Guedes falará da Lei da Liberdade Econômica (com o propósito de reduzir a burocracia nas atividades econômicas).

Como representante brasileiro no Fórum, Guedes comentou a ausência do presidente Jair Bolsonaro. Embora a presença e fala de um presidente fortaleça a imagem do país, atualmente, Bolsonaro tem sido muito exigido.

De acordo com o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, o cancelamento da ida presidencial ao encontro que acontece há quase 50 anos levou em consideração “aspectos econômicos, de segurança e políticos”.

O recente conflito entre Estados Unidos e Irã, culminado por um ataque norte-americano e retaliação do Irã foi apontado como uma das principais causas para Bolsonaro cancelar sua ida ao encontro que reúne líderes mundiais e chefes das maiores empresas do mundo para discutir o aquecimento da economia global.

No ano passado, Bolsonaro afirmou em discurso que gostaria de compatibilizar a preservação ambiental e o avanço econômico.

Neste ano, a reunião acontecerá entre a próxima terça-feira (21) e sexta-feira (24).

Minerva anuncia emissão de oferta pública de até R$ 95 milhões

A Minerva Foods vai realizar a emissão de uma oferta pública primária e secundária de 95 milhões de ações ordinárias.

Com o valor de venda estimado em R$ 1,36 bilhão, essas ações serão vendidas tanto B3, quanto na NYSE.

De acordo com o frigorífico, a venda será coordenada pelo BTG Pactual; além disso, a oferta será coordenada pelo JP Morgan, Bradesco BBI, Itaú BBA, BB – Banco de Investimento.

Nos Estados Unidos, a venda de ADS será operada por braços internacionais correspondentes aos mesmos bancos e corretoras.

Em outro comunicado, a Minerva confirmou que o governo da Arábia Saudita habilitou dois frigoríficos seus a exportarem carne bovina.

Possível aumento de capital da Eletrobras; dados preliminares da Triunfo e notícias da Klabin

Marcado para 17 de fevereiro, a Eletrobras (ELET3) / (ELET6) vai realizar uma assembleia para deliberar sobre um possível aumento de capital de R$ 7,75 bilhões, mediante emissão de 201,79 milhões de ações ordinárias e outras 14,5 mil novas ações preferenciais classe B.

Outro destaque corporativo desta sexta-feira (17) é a repercussão dos dados preliminares da Triunfo (TPIS3) referentes ao 4T19 e 2019.

De acordo com a concessionária de rodovias e aeroportos no Brasil, em 2019 trafegaram 143 milhões de veículos pagantes por suas quatro rodovias.

Isso representa um crescimento de 2,3% sobre os 139 milhões de veículos que circularam nas mesmas rodovias no ano anterior.

Por outro lado, o fluxo de passageiros aumentou, enquanto o de cargas contraiu em relação ao Aeroporto de Viracopos (SP).

Segundo a companhia, o número de passageiros em Viracopos subiu 14,7% em 2019, passando de 9,2 milhões para 10,5 milhões.

Em contrapartida, a quantidade de cargas caiu 8,2%, de 241,3 mil toneladas em 2018 para 221,5 mil toneladas em 2019.

Klabin (KLBN11), por sua vez, se prepara para emitir US$ 200 milhões (R$ 812 milhões) em notes, que serão distribuídos nos Estados Unidos pela sua subsidiária na Áustria, a Klabin Austria GmbH; de acordo com o comunicado ao mercado, a empresa pagará um yield de 6,10% ao ano.

Para adquirir as notes que vencem em 3 de abril de 2049, será preciso ser cidadão norte-americano ou de qualquer nacionalidade residentes nos Estados Unidos.

Por fim, os recursos oriundos da operação movimentada pela produtora de papéis e celulose, serão usados para o financiamento ou mesmo o refinanciamento (total ou parcial) de custos e investimentos “em ‘green projects’ elegíveis”, segundo informou a empresa.


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