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Governo vai ‘comprar um pedaço’ das aéreas, ‘vender’ e ainda ‘ganhar dinheiro’, diz Guedes

Por Bruna Santos
20 maio 2020 - 16:00 | Atualizado em 20 maio 2020 - 17:03
pauta de reformas
Paulo Guedes, economista.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com o setor de serviços e destacou que, no caso das aéreas, o plano para amparar o segmento seria por meio de debêntures (título de dívida das empresas) conversíveis em ações.

Desse modo, pode ser que o governo injete dinheiro nas três principais companhias aéreas, após a aviação brasileira ter sido uma das atividades mais impactadas pela pandemia do novo coronavírus, com redução do tráfego de quase 90%.

“Nós vamos comprar debêntures conversíveis. É dinheiro público, então é um dinheiro que tem potencial de ganho”, disse ele. “Vamos botar (sic) o dinheiro [nas empresas aéreas] e vamos comprar um pedaço da empresa”, explicou o ministro.

Portanto, quando a empresa estiver recuperada e começar a operar normalmente, o governo planeja vender e “lucrar” com a preservação dessas companhias.

Assim também, o governo federal procura elaborar soluções para os problemas de grandes empresas de outros dois setores: o elétrico e sucroalcooleiro. “Para cada setor tem uma solução diferente, estamos organizando com os bancos”, disse o ministro, segundo o Valor Econômico, destacando a especificidade de cada negócio.

Nesse sentido, o setor elétrico fará um acerto considerando os recebíveis das empresas. Por fim, no sucroalcooleiro, o crédito deve ser baseado na estocagem de cana-de-açúcar.

O economista tem se encontrado semanalmente com representantes de instituições financeiras públicas e privadas, respaldado pelo BNDES que, por sua vez, tem organizado o processo de socorro das empresas afetadas pela paralisação das atividades em decorrência do coronavírus, por meio de um sindicato de bancos, conforme informou o Valor.

Socorro ao setor elétrico

Após divulgar que o pacote econômico para amparar elétricas na crise poderia sair até o final do mês, o governo publicou na segunda-feira (18), em edição extra do “Diário Oficial da União”, um decreto para estabelecer as regras de empréstimo para distribuidoras de energia.

O decreto não estipula o valor do empréstimo, que será fixado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas não deve exceder R$ 14 bilhões. Esse valor será diluído na conta de luz a partir de 2021, o que levará a um aumento da tarifa a partir do próximo ano.

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