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Governo amplia margem de manobra para fintechs para aumentar fluxo de crédito na crise do vírus

Por TradersClub
27 março 2020 - 09:52

Em movimento inesperado, o maior órgão de política econômica do país ampliou o escopo de atuação das companhias de tecnologia financeira especializadas em crédito, visando a ampliar o número de participantes no mercado de empréstimos e garantir que fluxo de crédito e serviços financeiros não cesse durante a crise gerada pela pandemia do coronavírus.

Em decisão divulgada no fim da tarde de ontem, o Conselho Monetário Nacional autorizou as fintechs de crédito que operam sob as regras das sociedades de crédito direto a emitir cartões de crédito. As SCDs, assim como as sociedades de empréstimo entre pessoas, conhecidas como fintechs de crédito, “constituem importante canal de concessão de crédito, pois prestam seus serviços por meio de plataformas eletrônicas e, por isso, possuem alta capilaridade, alcançando até mesmo clientes com menor acesso a serviços financeiros”. As fintechs que operam como SCDs e SEPs poderão financiar suas operações com recursos oriundos de repasses do BNDES, antes restrita a instituições bancárias tradicionais. O CMN também modificou o escopo pelo qual elas podem fazer a cessão de suas carteiras. A decisão de hoje coloca as fintechs em situação de financiamento de capital similar à dos bancos comerciais, aumentando sua competitividade.

As fintechs têm se tornado uma alternativa ao crédito bancário tradicional, por operarem em estruturas de custos baixos e atenderem segmentos pouco bancarizados, como micro e pequenos empresários. “Por isso, podem contribuir de forma contracíclica no atual momento de crise decorrente do Covid-19”, disse o comunicado do CMN. No entanto, o CMN decidiu que o controle acionário das fintechs envolvendo fundos de private equity seja realizado de forma indireta, por meio de pessoa jurídica situada no Brasil. O CMN também determinou que instituições enquadradas no segmento S5, que inclui fintechs e cooperativas de crédito, poderão não caracterizar como ativos problemáticos as reestruturações de crédito feitas até 30 de setembro e “que tenham como objetivo ampliar os prazos de financiamento às empresas e famílias”. (Guillermo Parra-Bernal)


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