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G-7 discute avanço do Covid-19; leia sobre as manifestações anti-Congresso e mais destaques

Por Bruna Santos
03 março 2020 - 08:46

Os mercados inauguram o pregão atentos à teleconferência entre os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais das sete economias mais desenvolvidas do mundo, o G-7. A expectativa para a tratativa que ocorrerá nesta manhã contribuiu para que o Ibovespa se recuperasse na véspera.

Juntos, os membros do G-7 trabalharão para planejar respostas coordenadas ao avanço do Covid-19 sobre a economia mundial. Recentes dados vindos da indústria chinesa em fevereiro mostram uma queda forte, que terá impactos sobre todos os parceiros comerciais. Essa teleconferência será liderada pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, mas também pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

Hoje, nossa agenda de indicadores econômicos está praticamente esvaziada, com destaque para a divulgação do IPC-S de fevereiro nas capitais, pela FGV.

Além disso, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia divulgou dados da exportação de soja do Brasil. A exportação somou 5,12 milhões de toneladas em fevereiro, ligeiramente abaixo da registrada no mesmo mês de 2019 (5,27 milhões). Em contrapartida, o saldo se configura no maior volume embarcado desde julho de 2019 (7,4 milhões), conforme mostrou a Secex.

Na União Europeia, saem os dados de inflação ao produtor e ao consumidor em fevereiro, conforme apontamentos da Eurostat. Além disso, serão divulgados os números de desemprego da zona do euro.

Nos EUA, serão publicados os dados do estoque de petróleo enquanto a China divulga os seus PMI de serviços.

Coronavírus derruba expectativa da OCDE sobre o crescimento da economia mundial

O crescimento da economia mundial deve ficar mais enxuto, diante do surto de coronavírus e seu impacto especialmente na China. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a perspectiva para expansão global foi reduzida de 2,9% para 2,4% no Produto Interno Bruto (PIB).

A primeira projeção da soma e todos os bens e serviços produzidos já estava enfraquecida pelas tensões comerciais e políticas. Em nota, a entidade destacou que “a economia global enfrenta a ameaça mais grave desde a crise financeira [de 2008/2009]”.

Por outro lado, a OCDE espera uma recuperação já em 2021, com crescimento de 3,3%. No ano passado, o crescimento da economia mundial (medido pelo PIB) teve expansão de 2,9%.

Segundo a organização, essas recentes projeções se baseiam em um cenário em que a extensão do Covid-19 já é contida. Para a China, país mais atingido pelo novo vírus, houve um recuo estimado de 5,7% para 4,9% em 2020. No ano que vem, entretanto, o PIB chinês pode voltar a crescer e chegar até o 6,4%.

Em 2019, a economia da potência asiática teve expansão de 6,1%, mesmo em meio aos extensos atritos com os EUA. No Japão, Coreia e Austrália o crescimento da economia local mostrará uma recuperação difícil e gradual, aponta a entidade.

Por outro lado, o impacto é menos severo para outras economistas, segundo o relatório. Isso, contudo, não anula que essas economias sejam atingidas pela queda na confiança e na interrupção da cadeia de suprimentos.

A previsão de crescimento do PIB do Brasil se manteve em 1,7% para 2020, de acordo com a OCDE, após um crescimento de 1,1% no ano passado. Mesmo com a expectativa de forte desaceleração do crescimento da economia mundial no primeiro semestre de 2020, a organização pede que os governos ajam imediatamente.

Saldo da balança comercial fica positivo em US$ 3,1 bi em fevereiro e reverte déficit de janeiro

A balança comercial brasileira reverteu o déficit de janeiro e teve superávit de US$ 3,096 bilhões no mês de fevereiro. Esse montante representa um avanço de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, pela média diária.

No mês, as exportações totalizaram US$ 16,355 bilhões. Pela média diária, houve aumento de 15,5% na comparação anual com 2019. Em contrapartida, as importações contabilizaram US$ 13,259 bilhões e cresceram, também pela média diária, de 16,7% sobre fevereiro de 2019.

De acordo com os números divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, a balança comercial acumulou um saldo de US$ 1,361 bilhão no primeiro bimestre de 2020.

Embora o resultado mostre superávit, o montante revela um considerável recuo de 69,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Um dos motivos pela contração é o déficit comercial de US$ 1,7 bilhão na balança comercial de janeiro.

Esse foi considerado o pior dado para o mês em cinco anos, conforme mostra os dados da Secex. O resultado do acumulado de 2020 mostra um saldo de US$ 30,80 bilhões sobre as exportações. Aqui, o recuo foi de 4,2%, pela média diária, quando comparado ao mesmo período de 2019.

As importações, por sua vez, saltaram 6,5% na mesma base de comparação e fecharam o bimestre com US$ 29,43 bilhões. Em 12 meses, o saldo acumula US$ 44,67 bilhões.

Manifestações anti-Congresso: Alcolumbre está insatisfeito com apoio do governo federal

O movimento de integrantes do governo em apoio a manifestações anti-Congresso, contra a Câmara e o Senado continuam em destaque. Ontem (2), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Em uma reunião de mais de uma hora, o parlamentar esclareceu a insatisfação do Legislativo para com o Executivo.

Segundo apurou o Valor Investe, as recentes declarações do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, foram mencionadas. Heleno, na época, deu a entender que o Congresso chantageia o Executivo ao votar matérias apenas em troca de recursos.

De acordo com alguns interlocutores ouvidos pelo Estadão, o senador avisou que não vai mais tolerar ataques ao Congresso Nacional. Até então, Alcolumbre era um dos poucos políticos que não havia se posicionado de forma pública sobre as manifestações anti-Congresso.

Uma fonte explicou que ele não fez declarações contra as insinuações de Heleno justamente para não “aumentar a crise política”. Assim também, é a primeira vez que o parlamentar leva uma reclamação para o presidente da República com mais ênfase.

Por causa disso, Alcolumbre pediu, inclusive, que a reunião com Bolsonaro fosse a portas fechadas, apenas entre os dois. A intenção de Davi é que não haja declarações como do auxiliar do governo, que corroborou para incitar manifestações anti-Congresso.

Os vetos ao orçamento impositivo não foram tratados com detalhes nesse encontro, mas será costurado com os ministros do governo. Nesse sentido, o governo conta com o apoio do Senado para impor uma derrota aos deputados.

No mesmo dia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com Alcolumbre na residência oficial da Presidência do Senado. O encontro serviu para discutir a reforma tributária, administrativa e das PECs Mais Brasil, pacote que tramita no Senado.

Puxado por Efeito Caixa Econômica, lucro da MRV cai 21% no 4º trimestre

A sucessão de crescimento do lucro da MRV Engenharia (MRVE3) registrou um hiato no quarto trimestre de 2019. No período, o lucro líquido atribuível aos acionistas da controladora contabilizou apenas R$ 151 milhões, isto é, menos 21%. Essa queda é comparada aos R$ 191 milhões registrados no trimestre de 2018, afetado pela queda de 6,6% da receita.

O lucro da MRV foi diretamente afetado por uma paralisação de quase dois meses de repasses da Caixa Econômica Federal. Foram 56 dias de paralisações nos repasses da Caixa para programas habitacionais, conforme apontou a controladora no relatório de resultados.

Sua receita líquida seguiu o movimento e passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,4 bilhão entre outubro e dezembro.

Assim também, o lucro bruto da MRV recuou 16%, para R$ 420 milhões; sua margem bruta caiu de 3,2 pontos percentuais (p.p.), para 29,6%. Além disso, as despesas comerciais da MRV reduziram 2,6%, para R$ 151 milhões.

A MRV conseguiu reduzir as despesas gerais e administrativas em 6,7%, para R$ 83 milhões.

De acordo com os dados operacionais da MRV, a concentração de lançamentos em dezembro prejudicou as vendas do trimestre. Esses resultados contrastam os sinais de forte recuperação do setor imobiliário no Brasil, mesmo com a Selilc na mínima histórica.

Ademais, o lucro da MRV antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recuou 15,4%. Assim, o montante fechou em R$ 231 milhões no último trimestre 2019, com a margem caindo de 17,9% para 16,2%.

Por fim, no acumulado do ano, o lucro da MRV atribuível aos sócios da empresa chegou a R$ 690,2 milhões. Isso indica um resultado praticamente estável em relação ao resultado de 2018, com o crescimento de 11,7% da receita líquida, para R$ 6 bilhões. O Ebitda subiu 2,1%, para R$ 1 bilhão.


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