Mercados

Forte alta do petróleo ignora o aumento nos estoques dos EUA

Por Bruna Santos
28 maio 2020 - 17:15 | Atualizado em 28 maio 2020 - 17:45

Os preços do petróleo reverteram a queda registrada na véspera (27) e encerraram o pregão com forte alta, mesmo após os dados dos estoques norte-americanos.

Com um salto de 1,63%, os contratos futuros da referência global Brent para agosto encerraram o dia cotados a US$ 36,03/barril na ICE, em Londres.

Assim também, os preços do West Texas Intermediate (WTI) para julho avançaram, mas de modo mais acentuado (+2,74%). Com o salto, a referência americana fechou o dia cotada a US$ 33,71 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

Segundo o Valor Econômico, os investidores relacionaram o otimismo sentido nas negociações da commodity ao cenário positivo para ativos de risco nos mercados financeiros.

Nesse sentido, é importante destacar a perspectiva de uma retomada da economia, mas também pela corrida em busca de uma vacina para a Covid-19. Além disso, o mercado de petróleo vem recuperando a confiança conforme os temores de excesso de oferta vão ficando em segundo plano.

Na avaliação do chefe de economia e pesquisa da Next Generation, do Julius Baer, Norbert Rücker, “com os ventos favoráveis da melhora no humor do mercado, o apoio a partir de sinais visíveis de uma melhora do lado da oferta ainda está por vir”.

Crescimento inesperado nos estoques de petróleo dos EUA não abala forte alta

Apesar da forte alta do petróleo, nem tudo são flores. Os mercados da commodity ficaram um pouco confusos durante a sessão desta quinta-feira (28), reagindo aos dados do American Petroleum Institute, financiado pelo setor. De acordo com o API, os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos aumentaram 8,73 milhões de barris na semana passada.

O aumento acentuado e surpreendente representa uma diferença substancial dos 2,5 milhões de barris que o mercado esperava e abalou o otimismo quanto ao reequilíbrio entre oferta e demanda da commodity.

Mais tarde, o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) confirmou o crescimento, mas de 7,92 milhões de barris, a 534,422 milhões. O saldo reverte duas semanas de declínio de estoque e contraria a expectativa de consenso, em levantamento do “The Wall Street Journal” por queda de 1,6 milhão de barris.

Por fim, o mercado continua atento às crescentes tensões entre Estados Unidos e China, conforme o parlamento chinês apoia a legislação de segurança de Hong Kong – o que pode desencadear alguma retaliação dos EUA.


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