EconomiaHome

Fed e Copom dominam pregão e expectativa é de sinal de cortes

Por TradersClub
19 junho 2019 - 08:35

Tanto o Federal Reserve como o Banco Central do Brasil devem manter suas taxas básicas de juros hoje e, por sua vez, sinalizar cortes no futuro próximo. Essa é a visão quase unânime dos economistas e gestores que foram consultados pela TC News sobre os dois eventos mais relevantes desta semana. O pano de fundo para ambas as decisões terá em comum o peso do momento político: no caso dos Estados Unidos, a raiva que o presidente Donald Trump tem do Fed, que culpa pela atual desaceleração econômica. No caso do Brasil, o fato que o BC somente deve agir nos juros quando tiver certeza de que a Reforma da Previdência vai passar no Congresso.

Marília Fontes, analista e sócia fundadora da Nord Research, disse em entrevista à TC News que a diretoria do BC, liderada por Roberto Campos Neto, tem que mudar o discurso sobre a taxa Selic, não só pela economia estar estagnada, mas porque é muito provável que a Câmara aprove a reforma em julho. “Como achamos que o BC está um pouco atrasado e só está segurando a redução da Selic por conta da reforma, ele teria que mudar o discurso agora, para na próxima reunião poder cortar. A Selic não poderia cair sem antes mudar o discurso,” disse. A Selic deve ficar em 6,50%, mas o foco do investidor estará, logicamente, no tom da linguagem da decisão – que deve sair depois das 18h00.

Nos EUA, o Fed, especialmente seu presidente Jerome Powell, devem sentir a pressão para flexibilizar vindo de Trump e de milhões de investidores apostando pesado em cortes. Ontem, a Bloomberg News disse que, em fevereiro, Trump pensou em remover Powell do comando do Fed – fato inédito na história do governo americano. Hoje os mercados acionários na Europa e futuros das bolsas em Nova Iorque operam quase estáveis à espera da decisão. Impera a cautela no momento. O anúncio será às 15h00 e, meia hora depois, haverá uma coletiva com Powell: ele dificilmente vai fugir dos questionamentos sobre a tentativa de Trump de demiti-lo ou do peso da pressão política na decisão de hoje.

Fique atento é a sessão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado onde o ministro da Justiça, Sérgio Moro, comparecerá para prestar esclarecimentos sobre a suposta troca de mensagens com o procurador Deltan Dallagnol, quando era o juiz da Operação Lava Jato. Ontem, o site que divulgou as conversas, The Intercept Brasil, soltou mais diálogos, obtidos com a ajuda de um hacker. Moro bateu nessa tecla ontem em um programa de TV. O ministro não tem grande base de fãs no Senado, o que nos faz suspeitar que a audiência será tensa. Sua presença também acontece após a derrota do Decreto das Armas, projeto-chave do presidente Jair Bolsonaro, e que Moro protocolou: o plenário do Senado o derrubou e devolveu para a Câmara.

Além das decisões de juros no Brasil e nos EUA, teremos uma agenda econômica cheia mundo afora: preços ao produtor na Alemanha, saldo da conta corrente no balanço de pagamentos da União Europeia e inflação no varejo e no atacado no Reino Unido – que veio um pouco abaixo do consenso. Espera-se que o governo argentino divulgue os números de crescimento econômico no primeiro trimestre. Também fique de olho no segundo dia de debates sobre a Nova Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados – ontem o relator do texto se mostrou aberto a fazer mudanças positivas no substitutivo da matéria. E teremos números de fluxo cambial para a semana e o mês por volta do meio-dia.


Sobre o autor