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Fed e Copom: decisões repercutem; reformas no radar; balanços corporativos e mais

Por Bruna Santos
01 agosto 2019 - 08:51

Agosto começa repercutindo a “super quarta-feira” que derrubou os indicadores de Wall Street após o Fed reduzir juros nos EUA.

O Dow Jones, principal indicador da Bolsa de Nova York, caiu 1,23%, para 26.864,27 pontos após o corte de 0,25%.

Essa é a primeira vez que o órgão decide pelo corte, desde a crise de 2008.

A decisão derrubou ainda o seletivo S&P 500 (1,09%), para 2.980 e o índice da Nasdaq (1,19%), aos 8.175,42 pontos.

De acordo com Jerome Powell, o presidente do Fed, o Banco Central quer respaldar o “favorável panorama” da economia americana.

Ademais, o corte terá como fim o papel de atuar como um “seguro” contra os riscos globais.

Embora ele tenha ressaltado que a respectiva redução não implica em um “prolongado ciclo”, Donald Trump não ficou satisfeito.

“Como de costume, Powell nos decepcionou”, declarou o presidente dos Estados Unidos.

“Pelo menos ele está acabando com o aperto quantitativo, que não deveria nem ter começado”, acrescentou ele sobre Powell.

Nesta manhã, contudo, os mercados europeus e futuros de NY operam em alta.

Por aqui, o Banco Central também cortou a taxa básica de juros para 6% e bateu sua nova mínima recorde.

Diante de uma inflação controlada e com o avanço da reforma da Previdência na Câmara, o corte já era especulado.

A redução dos juros, contudo, não afetará a economia imediatamente, destacou a economista-chefe do XP Investimentos, Zeina Latif.

“Do começo da crise até agora, o Brasil já derrubou a Selic de 14,25% para 6,5% ao ano e a economia está praticamente parada.”.

Seguindo a decisão do Comitê, o Banco do Brasil, a Caixa e Itaú anunciaram reduções nas taxas para pessoas físicas.

Confira a seguir outros destaques que vão guiar a sua quinta-feira (1), investidor.

Leia mais:

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil começou oficialmente a negociar um acordo comercial com os EUA.

De acordo com ele, as negociações são compatíveis com um acordo comercial recentemente fechado pelo Mercosul com a União Europeia.

Nesse sentido, técnicos do governo sinalizaram que um possível estremecimento nas relações com os franceses não deve atrapalhar o acordo.

Após se reunir com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, Guedes afirmou que os EUA querem maior aproximação com o Brasil.

Ontem, secretários dos 26 Estados e do Distrito Federal aprovaram a redação de uma proposta de reforma Tributária.

Em paralelo, o secretário especial de Previdência e Trabalho disse, em entrevista à Globo News, acreditar que a reforma da Previdência seja votada em segundo turno na Câmara dos Deputados no dia 7 de agosto, quarta-feira da semana que vem.

O parlamentar projeta ainda a conclusão de todo o processo no Senado até meados de setembro.

Ibovespa cai mais de 1% com falas contraditórias de Powell e setor bancário

Petróleo fecha em alta com redução dos estoques acima do previsto

Dólar avança a R$3,81 e renova a máxima de três semanas com declarações do Fed

Copom reduz taxa Selic para 6,00% a.a.

Com aceno de Trump a acordo de livre comércio entre Brasil e EUA, secretário alerta para alguns pontos

Digerindo

O Fed agiu como o esperado: reduziu 0,25 pp dos juros que agora ficam entre 2 e 2,25 por cento. Até aí, ok. O problema foi o discurso de Jerome Powell, o presidente do Fed, que não deixou claro se o ciclo de cortes irá continuar ou se foi uma ação pontual. Além de ter alertado sobre o risco que a guerra comercial traz à economia. Por isso, o balde de água fria aos investidores e indireta a Trump, não passaram despercebidas. As principais Bolsas norte-americanas fecharam em queda de cerca de 1 por cento, e Trump foi rapidamente ao Twitter contestar a postura do Fed (mais uma vez). Portanto, apesar do movimento inicial esperado, os investidores voltarão a monitorar todos os novos dados divulgados que possam endossar o discurso de novas quedas nos juros e desdobramentos da guerra comercial.

Por aqui, o Copom surpreendeu a maioria do mercado e cortou em 0,5 pp a nossa Selic, agora renovando novamente a mínima histórica. E não para por aí, ainda há possibilidade de que ocorram novos cortes, como grau adicional de estímulo. Por isso, o investidor local fica cheio de razões para comemorar, em especial, na Bolsa de Valores. Agora, o que queremos ver mesmo é o efeito na prática de uma taxa tão baixa com a redução do spread bancário. Alguns bancos como BB e Caixa, puxaram a fila e anunciaram taxas de juros menores aos tomadores de crédito (ainda pequenas, há espaço para diminuir ainda mais o juro na ponta), com isso, poderemos ter um incentivo real para a recuperação de nossa frágil economia. Já para a moeda, como o diferencial com a taxa lá fora está se reduzindo, não espere o dólar barato. No curto prazo, poderemos ter algum estresse. E para finalizar, aos seus investimentos, o efeito é de rendimento em renda fixa menor e maior atratividade nos ativos de risco – é preciso mudar para conseguir manter o seu rendimento.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Corte maior que o esperado pode fazer Selic cair a 5,25% ao ano no fim de 2019, estima CNI

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte maior que o esperado nos juros básicos da economia divulgados ontem (31) pelo Copom pode derrubar a Selic a 5,25% ao ano no fim de 2019.

O comunicado, emitido horas após a decisão do órgão, favorece a decisão do Comitê de Política Monetária, que definiu a taxa Selic em 6% ao ano, após corte de 0,50 ponto percentual.

A confederação expressou em nota que o Banco Central agiu corretamente ao reduzir os juros básicos na proporção escolhida.

Boa parte das instituições financeiras projetava corte de 0,25 ponto percentual, mas o BC reduziu em 0,5 ponto.

Além de destacar o fraco desempenho percebido na atividade econômica, bem como a baixa inflação, o corte de juros em outros países, como nos Estados Unidos, atua favoravelmente à redução das taxas em países como o Brasil.

Assim sendo, a entidade afirma que a queda dos juros contribuirá para estimular o consumo das famílias, assim como os investimentos das empresas a fim de reativar a economia brasileira.

Até o presente momento, a estimativa da CNI é mais otimista que a dos analistas de mercado.

Na segunda-feira (29), o boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projetava taxa Selic de 5,5% no período.

Ademais, a CNI acredita que a aprovação definitiva da reforma da Previdência abrirá caminho para novas reduções da Selic.

PMI comanda indicadores econômicos nesta quinta-feira

Internamente, a FGV divulga o IPC-S de julho. Mais tarde, o IBGE informará a produção industrial do mês anterior. Posteriormente, a Markit publica o PMI, ao passo que a CNI os indicadores industriais, ambos de julho.

O mercado pode acompanhar ainda os números de venda de veículos da Fenabrave e os dados da balança comercial (julho).

Seguindo a onda de balanços corporativos, agosto é inaugurado com uma gama de resultados relevantes para o acompanhamento do mercado.

Os grandes destaques do dia são a Gol, com projeção de prejuízo líquido em R$ 0,01 por ação e receitas de R$ 2,81 bilhões e a Petrobras, com consenso do mercado por lucro líquido de R$ 0,65 por ação e receitas de R$ 92,78 bilhões.

São esperados ainda os resultados da Cia. Hering, Odontoprev, Localiza, Log Com, da Grendene e da Paranapanema.

Os Estados Unidos divulgam os pedidos de auxílio-desemprego e o PMI industrial (julho), assim como o índice de atividade industrial e os investimentos na construção.

Na China, a pressão sobre as indústrias diminuiu um pouco em julho graças a medidas de estímulo do governo.

Em contrapartida, a atividade manufatureira se mantém contraída, revelou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O PMI Caixin/Markit subiu a 49,9, pouco melhor que o projetado pelo mercado (49,5), mas ainda indicando retração.

O resultado ficou ligeiramente acima da expectativa de economistas de 49,6 em pesquisa da Reuters.

Na Europa, o PMI dos fabricantes britânicos em julho bateu a marca dos 48,0 pontos, ficando abaixo das expectativas do mercado.

Em paralelo, o Brexit preocupa e a demanda global mais fraca pesa sobre as fábricas.

Ademais, o Banco da Inglaterra deve divulgar esta manhã sua decisão sobre a política monetária, bem como relatórios de inflação.

Mineradora Vale cede ao efeito Brumadinho e amarga prejuízo de US$ 133 milhões no 2T19

A mineradora Vale amargou um prejuízo de US$ 133 milhões no 2T19, de acordo com seu balanço operacional divulgado.

O dado, conforme publicação, se baseia na norma IFRS.

Em contrapartida, a receita operacional liquida da mineradora contabilizou US$ 9,1 bilhões no referido trimestre, após registrar US$ 8,6 bilhões.

Além disso, os dados financeiros da companhia revelam queda no Ebitda ajustado, de US$ 3,8 bilhões para US$ 3 bilhões.

A margem, por sua vez, encerrou em quase 34% após uma drástica queda de 11 pontos percentuais.

Em nota, a mineradora Vale reafirmou seu comprometimento em aumentar a segurança das pessoas e reparar o dano causado com o rompimento da barragem de Brumadinho às famílias, à infraestrutura, às comunidades e ao meio ambiente.

A tragédia contribuiu diretamente para que a Vale revertesse lucro de US$ 76 milhões obtido no segundo trimestre de 2018.

Para o diretor-presidente Eduardo Bartolomeo, “o segundo trimestre de 2019 foi um trimestre de transição para o negócio.”.

Ele completou afirmando que a resposta ao rompimento da barragem começou a dar frutos “para garantir a segurança das pessoas e das operações da empresa, bem como para reduzir incertezas e entregar resultados sustentáveis com um portfólio de produtos de alta qualidade, que já serão refletidos no próximo trimestre.”.

A mineradora vem atualizando em seu site todas as prestações de contas das ações realizadas até o momento: www.vale.com/prestacaodecontas

Você pode conferir na íntegra o relatório publicado e os principais destaques referentes ao 2T19 da Vale ao clicar aqui.

Petrobras eleva gasolina (4%) e diesel (3,75%) nas refinarias

Enquanto o mercado se prepara para a divulgação do balanço corporativo da Petrobras após o fechamento da B3 nesta quinta-feira (1), um novo reajuste na gasolina e no diesel passam a vigorar nas refinarias.

De acordo com a estatal, o preço médio da gasolina subirá 4%, passando para 1,7115 real/litro.

Em paralelo, o preço médio do diesel avança 3,75% em suas refinarias, subindo para 2,0962 reais/litro.

Esse é o primeiro reajuste da Petrobras no preço médio de seus combustíveis desde 19 de julho quando, à época, reduziu 2% em ambas as categorias.

Em meio a uma semana de informativos importantes, a Petrobras também comunicou o encerramento, na terça-feira (30), da oferta pública de distribuição secundária.

A respectiva oferta refere-se a distribuição de 393.187.500 ações ordinárias de emissão da Petrobras Distribuidora S.A. (“BR”) e de titularidade da Petrobras (“Ações” e “Oferta”), no montante total de R$9.633.093.750,00.

Lucro líquido da BR contabiliza R$ 302 mi no 2T19 após salto de 14,8%

O lucro líquido da BR Distribuidora saltou 14,8% no segundo trimestre deste ano, passando a contabilizar R$ 302 milhões.

Em igual período do ano anterior, o índice totalizou R$ 263 milhões.

Em contrapartida, quando comparado ao primeiro trimestre 2019, houve queda de 36,7%. No período, a companhia somou R$ 477 milhões.

O balanço publicado ao fechamento da B3 na quarta-feira (31) é o primeiro índice após sua privatização, na semana passada.

Sua antiga controladora, a Petrobras, reduziu sua participação para 37,5%, levantando 9,6 bilhões de reais na bolsa paulista B3.

O Ebitda ajustado (sem o IFRS 16) recuou em 0,8% no ano e 37,3% no trimestre, para R$ 504 milhões.

Conforme o balanço, quando considerado a nova norma contábil, o Ebitda ajustado contabilizou R$ 541 milhões (+6,5% no ano).

Apesar o crescimento no acumulado, a BR viu seu Ebitda com IFRS recuar 35,7% no trimestre, em função do lucro bruto no período e resquícios de perdas de estoque após a redução dos preços do diesel e da gasolina em junho deste ano, de acordo com a companhia.

Sua receita líquida cresceu 1,9% no comparativo com o 2T18, para pouco mais de R$ 24 bilhões.

As despesas operacionais no período, de mais de 1 bilhão de reais, apresentaram reduções de 11,3% e 4,2% quando comparado ao 2T18 e 1T19, respectivamente.

A dívida líquida encerrou o trimestre em 4,09 bilhões de reais, (+27% ante o mesmo trimestre do ano passado).

Confira aqui os resultados financeiros bem como as demonstrações financeiras (ITR/DFP).

Sua teleconferência de resultados está prevista para esta quinta-feira (1), a partir das 11h30 no horário de Brasília. Acompanhe aqui.


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