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Faltam interessados por ações da Braskem no mercado, dizem fontes

Por TradersClub
19 janeiro 2022 - 10:12 | Atualizado em 19 janeiro 2022 - 10:57
Desinteresse nas ações da Braskem

A oferta de ações da Braskem para a saída da Petrobras e da Novonor do bloco controlador ainda não chamou a atenção de possíveis interessados no mercado, disseram ao Scoop by Mover fontes com conhecimento no assunto.

A expectativa de ambas é de que um “road show” para apresentar a petroquímica a investidores comece o quanto antes, mas a falta de interessados é um problema para as partes vendedoras. “Estão esperando um milagre”, disse ao Scoop by Mover uma das fontes, que pediu anonimato para falar livremente sobre o assunto.

No final da semana passada, a companhia registrou a operação na Securities and Exchange Commission, nos Estados Unidos — equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil Segundo o documento, a pretensão é vender até 154,8 milhões de ações preferenciais de classe A no mercado americano.

O principal entrave, disseram as fontes, continua sendo o preço dos papéis no mercado. Fontes relataram ao Scoop by Mover que diferentes grupos de interessados levaram propostas que circundam a faixa de R$45 por ação, enquanto a Novonor — antiga Odebrecht — espera receber mais do que isso, algo em torno de R$50.

“No fim do dia vai depender do preço. Se houver um bom desconto, sempre haverá interessados”, disse outra fonte.

Consórcio

Outra opção que tem sido considerada pela Petrobras e a Novonor é a criação de um consórcio para que fundos interessados em fatiar a Braskem possam fazer a compra em conjunto e dividir as ações depois.

Essa possibilidade tem sido sugerida por banqueiros de investimentos com mandato para encontrar compradores para os papéis da petroquímica. A alternativa, no entanto, parece ser ainda mais complicada, já que seria necessário aprovar o fatiamento no conselho da empresa.

A Novonor tem 50,1% do capital votante da Braskem e 38,3% do capital total. A Petrobras tem 47,0% e 36,1%, respectivamente.

Entre 2016 e 2018, a Novonor deu sua fatia no valor de R$14,5 bilhões na Braskem como garantia para refinanciar dívidas estimadas com Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e receber novos empréstimos, após denúncias de envolvimento da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Desde junho de 2019, a empresa passa pelo maior processo de recuperação judicial da história da América Latina, com dívidas estimadas em R$100 bilhões.

Procuradas, Novonor, Petrobras e Braskem ainda não retornaram aos pedidos de comentários da equipe do Scoop.


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