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Fala de Guedes sobre dólar, ‘domésticas na Disneylândia’ pressiona câmbio

Por TradersClub
13 fevereiro 2020 - 11:36

O câmbio abriu com pressão extra hoje, após ontem ter atingido máxima histórica e ter avançado pelo quinto pregão em série, refletindo declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que, além disso, podem impactar a popularidade do governo e a relação do Poder Executivo com o Congresso em um momento crítico para a agenda econômica.

Segundo agências de notícias, Guedes disse nesta quarta-feira, em evento em Brasília, que o dólar mais alto é “bom para todo mundo”, e negou que o câmbio esteja experimentando algum tipo de pressão por falta de confiança. “O câmbio não está nervoso, ele mudou”, disse. Ele ainda afirmou que, com o dólar mais baixo, “todo mundo” estava indo para a Disneylândia, nos Estados Unidos, inclusive “empregada doméstica”. E recomendou que os brasileiros viajem pelo Brasil. Os comentários, de acordo com membros experientes do TC e gestores, têm o potencial de gerar desconforto pela conotação social, assim como incitar parlamentares da oposição e do centro contra o governo em um momento que os poderes Executivo e Legislativo negociam o trânsito da Reforma Tributária, a Reforma Administrativa e o pacote de mudanças constitucionais para conter o gasto público.

Quando o câmbio estava em R$1,80, no começo da década, “todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeira do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear o Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver”, apontou o ministro. Hoje, o dólar spot bateu o quarto recorde consecutivo em relação ao real, cotado a R$4,3505, alta de 0,55%. Já o dólar futuro fechou em alta de 0,54%, a R$4,35850.

Para Leo Nonato, membro experiente do TC, a fala cria “forte chance de o câmbio acordar de mau humor amanhã”, o que poderia gerar alguma pressão para o Banco Central intervir. “Ficou mais fácil para a sociedade civil exteriorizar o descontentamento com o governo, para o Congresso secar ou extorquir mais o governo, ficou mais fácil para boicotar as reformas em geral”, disse um gestor sediado no Rio de Janeiro. Depois da fala, Guedes tentou esclarecer o significado da sua declaração: “Antes que falem ‘Ministro diz que empregada doméstica estava indo para Disneylândia’, não é isso, é ‘ministro está dizendo que o câmbio estava tão barato que todo mundo está indo para a Disneylândia, até as classes sociais mais…’”


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