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Expansão do varejo financeiro expõe “conflito” na remuneração das corretoras

Por Bruna Santos
11 março 2019 - 08:16

A expansão dos famosos supermercados de investimentos tem ganhado tração no mercado brasileiro sob o argumento de que as plataformas mantêm sua atuação independente, através da venda de produtos de diversos tipos de fornecedores. É algo que diferencia as empresas de varejo financeiro das instituições bancárias, onde o gerente é comprometido com as metas e concentrará seus esforços em vender aos clientes as melhores opções para os bancos. Porém, conforme se acelera o ritmo de crescimento desta modalidade de negócios, mais se acentuam os questionamentos sobre a verdadeira “independência” das corretoras.

O ponto central que diverge opiniões é o potencial conflito de interesses que surge na forma de remuneração tanto destes supermercados quanto dos agentes autônomos de investimento, que integram a força de vendas das plataformas e lidam diretamente com os investidores. Como regra, quem paga à corretora é a instituição dona do produto vendido e não o cliente que realizou a aquisição, de forma que um percentual da taxa de administração do fundo é específico a esta finalidade.

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No jargão do mercado, essa comissão é chamada de rebate, à qual pode variar conforme o tamanho e o tipo do produto. Para os mais críticos, a mera existência do pagamento de comissões sobre as vendas faz com que o modelo se assemelhe à indústria de produtos financeiros dos bancos.

Nos Estados Unidos, onde essa discussão é bem mais antiga tendo em vista o desenvolvimento da educação financeira no país, o modelo no qual o cliente paga a remuneração do consultor tem crescido exponencialmente. O número de escritórios de Registered Independent Advisor (RIA), que seriam os planejadores ou consultores financeiros independentes, chegou a 12,5 mil no ano passado, contra apenas 3,7 mil dos broker dealers, o equivalente aos agentes autônomos de investimento (AAI) brasileiros.

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“(…) o mais importante é que o profissional de investimentos seja transparente quando inicia um relacionamento sobre como ele será remunerado, se pela comissão dos produtos que vende ou por um percentual pago pelo cliente”, afirmou Ricardo Nardini, diretor-executivo do CFA Society Brazil.

No ano passado, a XP Investimentos, líder no segmento de plataformas de investimentos, fez uma campanha divulgando que os serviços de assessoria seriam sem custo aos clientes. Houve uma avalanche de críticas à corretora por induzir o público a acreditar que não estaria pagando pelos serviços quando, na verdade, o custo já está embutido em diversos outros tipos de comissões que saem indiretamente do bolso do cliente.

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Atualmente, a campanha está fora do ar, porém a XP continua defendendo a posição de que o cliente realmente não paga pelo serviço, mas sim a empresa responsável pelo produto que foi vendido.

Gabriel Leal, sócio da XP, declarou que este modelo de remuneração é o que está sendo utilizado no Brasil e afirmou o compromisso em repassar aos clientes as melhores opções com base no perfil de cada um e na recomendação da corretora. “As instituições todas vivem de rebates, quer seja um banco, que seja uma corretora. O modelo é igual para todos e o que faz a diferença é a ética, o importante é atender bem o cliente”, ele disse.

Leal acrescentou que a empresa sabe do potencial conflito de interesses, mas tenta de todas as formas combatê-lo, agindo com ética e adotando processos para mitigar a situação. Ele ainda enfatizou que é prática da corretora não recomendar produto ruim, independente da remuneração oferecida. “Nós nos colocamos ao lado do cliente porque sabemos que é nosso ativo de longo prazo, muito mais a remuneração de curto prazo”, completou.

 


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