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EUA-China baterão o martelo comercial; calendário econômico; privatizações e muito mais

Por Bruna Santos
13 janeiro 2020 - 09:24
1º pregão do ano

O governo dos Estados Unidos convidou ao menos 200 pessoas para uma cerimônia em 15 de janeiro. A razão? Testemunhar a assinatura da chamada “Fase 1” do acordo comercial entre os Estados Unidos e China.

Cotado para assinar os termos do acordo provisório na quarta-feira, o vice-primeiro-ministro chinês Liu He visitará Washington.

O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin negou que os compromissos chineses tenham sido modificados durante o processo de tradução.

Em entrevista à Fox News, Mnuchin destacou que o acordo ainda exige que a China compre entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões de produtos agrícolas dos EUA anualmente e um total de US$ 200 bilhões de bens norte-americanos como um todo em dois anos.

Esse compromisso suspendeu novas tarifas norte-americanas sobre as importações chinesas para os EUA e reverteu parcialmente as tarifas de setembro.

Ainda não há um prazo estabelecido para a próxima fase das negociações.

Sobre o calendário econômico, a semana promete ser bastante movimentada, com números sobre crescimento do quarto trimestre no Reino Unido, além de dados da produção industrial, vendas no varejo e inflação.

Na Alemanha, sai o panorama de crescimento do PIB em 2019, apenas um ano após a maior economia da zona do euro ser afetada por uma recessão na indústria.

Por aqui, a economia brasileira registrou a menor taxa de crescimento desde 1900 na última década encerrada em 2019.

Segundo o Estadão, o PIB local cresceu a um ritmo de 1,39% a.a entre os anos de 2010 e 2019.

Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,78% na primeira quadrissemana de janeiro.

O resultado mostra uma desaceleração frente ao aumento de 0,94% observado em dezembro, conforme dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Em 2019, pessoas físicas mais que dobraram suas aplicações em ofertas públicas

As aplicações em ofertas públicas de ações, fundos imobiliários e títulos de renda fixa mais que dobraram entre os investidores pessoas físicas no ano passado.

Conforme cálculos revelados pelo Valor Investe, baseados em dados oriundos da Anbima, o investidor individual desembolsou pouco mais de R$ 49 bilhões para essas operações, montante que representa um avanço de 116% sobre os R$ 22,7 bilhões contabilizados em 2018.

Individualmente, a categoria de investimento com maior incentivo tributário, os fundos imobiliários, já atraiu em torno de 500 mil novos investidores ao longo de 12 meses até dezembro; esses fundos contaram com R$ 19,5 bilhões em aportes em 2019, frente aos R$ 9,2 bilhões do ano anterior.

Além disso, os aportes em títulos de renda fixa estruturados do tipo CRI e CRA, que também contam com a isenção de Imposto de Renda, atraíram, no total, R$ 13,7 bilhões, isto é, 80% a mais que o obtido um ano antes.

Nas aplicações em ofertas públicas de ações, o investidor pessoa física totalizou quase R$ 6,4 bilhões investidos apenas em 2019.

Esse valor corresponde a praticamente dez vezes o que foi alocado no exercício anterior, seguindo a mesma base de comparação.

Com potencial de ser ainda maior, dos R$ 90,2 bilhões atribuídos a ofertas de ações no ano de 2019 (sejam elas iniciais (IPOs) ou subsequentes), apenas R$ 35 bilhões foram realmente públicas, com participação reservada ao varejo.

Na avaliação do Valor Investe, esse avanço do investidor individual aumentou o peso desse tipo de cliente no total de compras de valores mobiliários na comparação entre 2018 e 2019, saltando consideravelmente de 9,1% para 12,4%.

JBS, NotreDame e privatização da Sabesp: confira os destaques corporativos 

A J&F, holding pertencente aos irmãos Wesley e Joesley Batista e controladora de pouco mais que 40% da JBS (JBSS3), vendeu o equivalente a R$ 51 milhões em ações ordinárias (ON, com direito a voto em assembleia de acionistas) da empresa de carnes no mês de dezembro e marca o início dos destaques corporativos desta semana.

Essa operação, que aparece em formulário enviado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aconteceu em seis dias diferentes.

Entre 2 e 9 dezembro, o grupo controlador vendeu de 300 mil ações a 350 mil ações em cada operação.

Mediado pelo Bradesco, os papéis foram negociados entre R$ 26,57 e R$ 28,31, segundo informou o Valor Econômico.

Desse modo, os controladores da JBS reduziram o seu número das ações de 1,087 bilhão de papéis para 1,085 bilhão.

Outra notícia entre os destaques corporativos que pode repercutir nesta segunda-feira (13) é o resgate antecipado de R$ R$ 932 milhões em debêntures da subsidiária da NotreDame (GNDI3), a BCBF Participações S.A.

Em comunicado enviado ao mercado na última sexta-feira (10), a companhia informou que os papéis resgatados são da 3º emissão.

De acordo com a publicação, o valor nominal de R$ 1 mil, e vencem no dia 10 de janeiro de 2023.

Por fim, os analistas do mercado continuam apostando na privatização da Sabesp (SBSP3). Recentemente, o Itaú BBA cortou os papéis da Petrobras (PETR4) da sua lista de 5 prediletas na B3 com o propósito de acomodar os ativos da empresa de saneamento do estado de São Paulo.

Especula-se que a ação da Sabesp poderia ir a um nível entre R$ 70 e R$ 92 com a privatização.

Ademais, lembrou o Itaú, o projeto de lei do saneamento básico (PL 4162/19), deve avançar no Senado agora no 1T20.

Privatizações: Eletrobras segue no radar do governo

Após as privatizações e desinvestimentos baterem a meta de US$ 20 bilhões em 2019, conforme dados do Ministério da Economia, número que contribuiu na valorização de 31,58% do Ibovespa do período, o governo federal vai se dedicar à pauta também em 2020.

Desse modo, após o recesso parlamentar, o governo quer esclarecer ao Senado para dúvidas acerca do atual modelo proposto para a privatização da Eletrobras (ELET3ELET5ELET6).

À Reuters, o ministro de Minas e EnergiaBento Albuquerque ressaltou que “a estratégia é continuar esclarecendo”.

Ele lembrou que o mesmo trabalho foi executado junto a boa parte das lideranças no Plenário da Câmara dos Deputados.

Em novembro, um projeto de lei contendo a proposta de desestatização foi encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional.

Aguardando o despacho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o projeto ainda não tramitou, dando espaço para pautas prioritárias.

No mês seguinte, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) fez um aceno quanto a forte oposição à iniciativa.

Atribuindo crédito às bancadas Norte e Nordeste, Alcolumbre afirmou que, sem nova modelagem, a matéria não seria aprovada na Casa.

No atual modelo de privatizações do governo está previsto a capitalização da Eletrobras por meio da emissão de novas ações.

Essa operação diluiria a participação do governo na empresa a uma posição minoritária.

Assim sendo, a Eletrobras usaria os recursos oriundos da transação, estimados em, aproximadamente, R$ 16 bilhões, com o propósito de pagar ao Tesouro um bônus.

Em troca, a Eletrobras obteria mais prazo e condições favoráveis nas assinaturas de novos contratos de concessão para suas hidrelétricas.

Mesmo após as declarações de Alcolumbre, destacou a Reuters, o governo não trabalhava com um plano “B”.

Agora, contudo, Albuquerque frisou a disponibilidade do governo para prestar os esclarecimentos necessários “tão logo o Congresso volte” do recesso.

Autonomia do Banco Central pode ser aprovada no 1T20

O projeto de lei (PL) que estabelece a autonomia do Banco Central (BC) pode ser aprovado ainda no primeiro trimestre.

De acordo com a entidade, outro PL está previsto para o mesmo período é o que trata da modernização cambial.

Além disso, o projeto de resolução bancária deve ser postergado para a segunda metade de 2020.

Para Roberto Campos Neto, presidente do BC, não foi realizado um trabalho muito aprofundado de negociação junto aos parlamentares no que diz respeito aos projetos mencionados acima, com exceção da autonomia do Banco Central que já vem sendo amplamente discutida nos últimos meses.

“Existe um entendimento de que grande parte das questões de autonomia já foram discutidas”, disse o economista.

Na ocasião da fala, o presidente da autoridade monetária apresentou balanço das ações do ano passado correspondente à própria instituição.

Hoje, o ambiente legislativo está propício para a aprovação do projeto de autonomia até o fim de março, afirmou ele.

Em sua avaliação, após também apresentar o cronograma de trabalho para 2020, a aprovação da autonomia do BC no final de 2019 foi prejudicada por uma “pauta concentrada”.

Dentre os destaques estavam os projetos de marco legal do saneamento, por exemplo, que, de fato, “tinha uma prioridade relevante”.

Em meados de dezembro, esse projeto de lei do saneamento básico (PL 4162/19) foi deferido na Câmara dos Deputados.

Por fim, o presidente do Banco Central ponderou a importância da agenda econômica do governo federal na coordenação do processo.


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