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EUA-China; ações da Vivara; reformas e recursos do pré-sal no radar desta segunda-feira

Por Bruna Santos
07 outubro 2019 - 09:16

Aliado aos dados de desemprego dos Estados Unidos que revelaram um recuo para o nível mais baixo em quase 50 anos, o encontro para chegar a um acordo sobre a guerra comercial com a China ganha destaque nesta semana.

Nos próximos dias o vice-premiê chinês Liu He e sua comitiva desembarcam em Washington para se reunir com líderes americanos.

Ainda sobre os EUA, a Coreia do Norte afirmou na véspera (6) que não há como a potência norte-americana apresentar planos alternativos no prazo de duas semanas para as tratativas nucleares que foram interrompidas no sábado, após negociações fracassarem na Suécia e o país anfitrião propor um novo encontro.

A UE rejeitou no final de semana um pedido do Reino Unido por negociações do Brexit, segundo a imprensa britânica.

Em paralelo, o primeiro-ministro Boris Johnson reiterou o compromisso com uma saída do bloco em 31 de outubro.

A Comissão Europeia não encara como sólida as propostas apresentadas por Johnson para fechar um acordo, informou a Sky News.

Embora ele tenha reafirmado na sexta-feira (4) que não pedirá por um adiamento do Brexit, o governo reconheceu pela primeira vez a possibilidade de que Johnson envie uma carta à UE com o desde que nenhum acordo de separação seja alcançado até o próximo dia 19.

Internamente, o destaque é a possível conclusão da votação da reforma da Previdência no Senado Federal.

Embora o presidente Jair Bolsonaro diga que a votação do segundo turno deve ocorrer já nesta semana, boatos no Congresso indicam que ela pode ficar para o final do mês.

Ademais, o destino dos recursos da cessão onerosa continua no radar dos parlamentares e pode comprometer o calendário da Previdência.

Ontem, Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, discutiram um novo texto para a regra de ouro e reforma administrativa.

Monitorando impasses 

A guerra comercial ainda dará muito pano para manga. Isso porque um acordo mais amplo só deverá ser travado após a decisão de quem será o próximo presidente dos EUA com as eleições no próximo ano. Como a China tem esperanças de que Trump deverá abrir mão de alguns pontos enquanto concorre ao cargo mais importante do país ou ainda pode contar com a chance de que um candidato mais aberto às negociações vença, prefere tratar os tópicos mais relevantes aos poucos. Essa semana será marcada pelo encontro dos dois países em Washington, porém as autoridades chinesas já reduziram significativamente a lista de questões a serem discutidas (como reformas de políticas industriais e subsídios do governo), reduzindo assim, a chance de um acordo mais amplo. Além disso, um aumento de tarifas dos EUA contra produtos chineses é esperado a partir do dia 15 deste mês. As Bolsas chineses só retornam amanhã após o feriadão e deveremos acompanhar como está o humor dos investidores em relação a mais um encontro.

Por aqui, é o último dia de reserva para o IPO da joalheria Vivara, a oferta promete movimentar o mercado brasileiro que conta com início de negociação de suas ações VIVA3 no próximo dia 10. Ademais, é necessário monitorar a divisão dos recursos do mega leilão do pré-sal entre estados, municípios e parlamentares (através de emendas). Por enquanto, o governo federal defende 10 por cento para estados, municípios e emendas parlamentares, e o Congresso não aceita menos que 15 por cento. Acompanharemos de perto já que o impacto pode chegar até ao calendário de aprovação da reforma da Previdência.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

Boletim Focus; reservas cambiais; balança comercial e mais indicadores econômicos

Nossa agenda doméstica desta semana é inaugurada pelo tradicional boletim Focus, publicado às segundas-feiras pelo Banco Central.

Posteriormente, o IBGE divulga a estimativa da safra de grãos referente ao mês de setembro.

Ainda pela manhã, a Anfavea informa dados da produção mensal de automóveis, também relacionada ao mês de setembro.

Por fim, o Ministério da Economia divulga nesta tarde os números da balança comercial semanal.

No exterior, os Estados Unidos divulgam os dados importantes de crédito ao consumidor. O mercado acompanha ainda a fala presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

As reservas cambiais da China, as maiores do mundo, caíram US$ 14,8 bilhões em setembro, segundo a agência reguladora de câmbio local.

De acordo com os dados publicados no domingo (6), as reservas contraíram acima do esperado para US$ 3,092 trilhões.

O dado surpreendeu, uma vez que o yuan se recuperou de sua maior queda mensal em 25 anos em agosto.

Atualmente, a potência asiática vem enfrentando um resfriamento da economia diante de crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos.

Segundo economistas consultados pela Reuters, a expectativa era de queda mais singela (US$ 6 bilhões) em relação a agosto.

O recuo é atribuído às flutuações nas taxas de câmbio e no preço de ativos, afirmou a reguladora.

Na Europa, as encomendas às indústrias alemãs recuaram 0,6% em agosto na comparação com julho, abaixo das expectativas do mercado.

Burger King emitirá R$ 400 milhões em debêntures

O Burger King Brasil (BKBR3) vai emitir R$ 400 milhões em debêntures, de acordo com o fato relevante da companhia.

Conforme aprovado pelo conselho de administração do BK na última sexta-feira (4), essa será a 8ª emissão de debêntures simples.

Essas debêntures serão distribuídas em até duas séries. Além disso, não são conversíveis em ações, da espécie quirografária.

Segundo o Burger King, as debêntures da 1ª série terão prazo de vencimento de cinco anos a contar da data de emissão.

Em contrapartida, as debêntures da 2ª série terão prazo de vencimento maior, de sete anos.

O valor nominal unitário das Debêntures será de R$1.000,00 (mil reais), na data de emissão (“Valor Nominal Unitário”), perfazendo o montante total de R$400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais) na data de emissão.

De acordo com o BK, os recursos oriundos da Emissão serão destinados aos negócios de gestão ordinária, incluindo fluxo de caixa e ou despesas de capital ou investimento em bens de capital.

Termina hoje o prazo para comprar ações da Vivara

Termina nesta segunda-feira o prazo para adquirir as ações da Vivara, uma rede de joalherias que está abrindo seu capital.

De acordo com a maior rede de joalherias do país, serão ofertadas 70,85 milhões de ações ordinárias.

Desse montante, 27% serão papéis novos, destinados a financiar a operação da empresa e seus investimentos, segundo informou a Vivara.

O restante, que corresponde a 73% do total, são papéis pertencentes à família Kaufman, fundadora da Vivara.

Conforme anunciado anteriormente, 18,89 milhões de ações serão ofertadas no tranche primário e 51,96 milhões de ações no secundário.

Além disso, é possível que um lote extra com 14,17 milhões de ações venha a ser lançado.

A compra das ações da Vivara tem sido bem recomendada por analistas; há potencial diante da retomada da economia brasileira.

Para a Levante, é recomendado a entrada na oferta primária de ações da Vivara, pagando no máximo R$25 por ação.

A venda do lote primário será do caixa da empresa, e a do secundário pertencerá aos atuais sócios da companhia.

Para comprar as ações da companhia que possui mais de 230 lojas, e apresentou uma receita líquida consolidada de R$1,06 bilhão em 2018, é preciso ter conta em uma corretora de valores.

Atualmente, a Vivara projeta um crescimento da receita líquida de 11% em 2019 na comparação com o ano anterior.

Sendo assim, embora analistas avaliem o preço pedido pelas ações como um pouco alto em relação ao seu lucro atual, o potencial de crescimento da empresa compensaria o custo maior.

As ações começarão a ser negociadas em 10 de outubro e a operação será liquidada em 11 de outubro.

BNDES contesta na Justiça plano de recuperação da Odebrecht

O plano de recuperação da Odebrecht foi contestado na Justiça pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com a instituição, o plano apresentado pelo grupo é incapaz de salvar a empresa de uma eventual falência.

Além de pedir que um novo plano seja elaborado, o BNDES questiona as bases da matéria apresentada anteriormente pela construtora.

Hoje, a Odebrecht acumula uma dívida bilionária com o banco de fomento: são mais de R$ 8 bilhões.

Na quinta-feira (3) passada, a Caixa Econômica Federal entrou com um pedido da decretação de falência da Odebrecht, que está em processo de recuperação judicial desde junho deste ano, quando entrou com o maior pedido solicitada no Brasil.

Em paralelo, o Banco do Brasil (BBAS3) entrou com o pedido de anulação total do plano de recuperação da Odebrecht, solicitando que a administração seja obrigada a apresentar uma nova proposta aos credores.

Ao longo dos governos do PT, o grupo Odebrecht foi um dos grandes tomadores de empréstimos junto ao BNDES para seus investimentos locais e até internacionais.

O plano em questão tem como propósito equacionar dívidas de cerca de R$ 98 bilhões da construtora que esteve no centro dos escândalos envolvendo pagamento de propina e corrupção descobertos pela operação Lava Jato nos últimos anos.


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