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Estímulos na economia da China; fundos imobiliários despencam; tributação e mais destaques

Por Bruna Santos
17 fevereiro 2020 - 08:44

A semana começa refletindo os impactos do novo balanço da epidemia do novo Covid-19, doença causada pelo coronavírus, assim como a promessa de novas medidas pelo governo local.

Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (noite de domingo, no Brasil) revelam que a doença atingiu 1.765 mortos na China continental.

Esse aumento encerra três dias consecutivos de declínio, conforme disseram as autoridades de Wuhan, cidade chinesa foco da epidemia.

Em contrapartida, o mercado acredita que a China conseguirá superar o desafio da doença e não sofrer tantos impactos econômicos.

O ministro de Finanças da China, Liu Kun, comunicou na revista do Partido Comunista chinês que novos estímulos chegarão aos mercados após o BC chinês injetar o equivalente a US$ 12 bilhões em Xangai, na sexta-feira (14); hoje, foram mais de 8 bilhões de yuanes (ao redor de US$ 1,1 bilhão), de acordo com a CNBC News.

No cenário doméstico, os próximos dias serão focados no monitoramento do câmbio, que chegou a R$ 4,38 nos últimos pregões.

pressão do câmbio fez o Banco Central tomar a decisão de realizar um leilão de contratos de swaps cambiais.

Na data (14) da intervenção de colocar 20.000 contratos de swap cambial, o dólar comercial caiu contra o real.

Segundo agências de notícias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou estar tranquilo com a alta da moeda.

Essa linha de pensamento também é seguida pelo presidente da autoridade monetária, Banco Central, o economista Roberto Campos Neto.

No âmbito político, o Plenário pode votar alterações em MP sobre crédito rural a partir desta segunda-feira (17).

Entre os destaques corporativos, o grupo Carrefour concluiu sua segunda maior aquisição no país e anunciou a compra de 30 lojas da rede atacadista Makro por R$ 1,95 bilhão.

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Boletim Focus, inflação, balanços corporativos, resultado da economia japonesa; confira mais

Logo mais, o Banco Central publica seu tradicional boletim Focus, um resumo dos resultados da pesquisa de expectativas de mercado.

No decorrer da semana, o destaque se volta para a inflação medida pelo IPCA-15 de fevereiro, publicada na quinta-feira (20).

O dado ganhou mais relevância após o IBC-Br divulgado sexta-feira (14) mostrar uma retomada tímida do PIB nacional e avanço de 0,89% da economia brasileira em 2019.

Entre os balanços corporativos, Petrobras (PETR3/PETR4), Vale (VALE3) e Magazine Luiza (MGLU3) dividem a atenção com uma série de resultados.

Hoje, atenção para a CESP (CESP6), Itausa (ITSA4) e Multiplan (MULT3), além da estreia das ações da Priner na Bolsa.

Nos Estados Unidos, a semana contará com os números de PMIs, Empire Manufacturing, PPI e a ata do Fomc.

O último, em particular, pode trazer mais indicações sobre os próximos passos do Federal Reserve sobre os juros no país.

Ademais, diversos dirigentes do Fed discursam, entre eles Richard Clarida (vice-chairman), Lael Brainard (Conselho de Governadores) e Neel Kashkari (presidente do Fed de Minneapolis).

A Bolsa americana permanecerá fechada hoje (17) em razão do feriado de Dia do Presidente.

A terceira maior economia mundial – depois de Estados Unidos e China – encolheu a um ritmo anualizado de 6,3% no 4T19.

De acordo com a Dow Jones Newswires, esse resultado da economia japonesa foi inferior as expectativas do mercado.

Segundo portais de notícias, o aumento dos impostos sobre vendas de mercadorias impactou diretamente o consumo dos japoneses.

Agora, economistas especulam que o Japão possa enfrentar uma recessão técnica – dois trimestres seguidos de contração – neste início de ano.

Na comparação com o trimestre anterior, o PIB do Japão contabilizou um recuo nominal de 1,2%, e real de 1,6%.

Saem ainda o indicador de produção industrial e utilização da capacidade instalada, ambos de dezembro.

Fundos imobiliários já perdem R$ 3,28 bi em valor de mercado

Na contramão da bonança de 2019, os fundos imobiliários vivem uma sequência de perda em valor de mercado em 2020.

Essa classe de ativos que mais cresceu em 2019 (quase +36%), já perdeu R$ 3,28 bilhões na Bolsa de Valores.

A perda relatada ocorreu entre o primeiro dia deste ano até a última sexta-feira (14) e marcou a maior desvalorização da história do investimento em um intervalo de 45 dias.

O montante perdido representa -5,15% no total da cesta que congrega os 131 fundos mais negociados do mercado, o Ifix.

Em fevereiro, apesar da melhora dos últimos dias, a queda é de quase 1%.

Só para exemplificar, o Banco Itaú, administrador do principal fundo do setor (KNRI11), perdeu quase R$ 500 milhões no período.

Seus aportes em imóveis eram de R$ 4, 1 bilhões.

Embora a notícia possa desestabilizar alguns investidores, especialistas afirmam que esse enxugamento em curso não deve ser encarado como um estímulo para liquidar suas aplicações.

Caso a demanda por fundos imobiliários continuasse no patamar dos últimos meses, o revés seria uma correção natural do que poderia se configurar no futuro como uma bolha de mercado, segundo publicou o Estadão.

Para se ter uma ideia, depois de 2%, 3% e 4% ao mês, consecutivamente, o Ifix acumulou alta recorde de 10,6% em dezembro de 2019.

Para Felipe Vaz, o responsável pelas recomendações de fundos imobiliários na corretora do banco Santander, a rápida valorização desses ativos, que dobraram no ano anterior e fecharam o ano com um resultado acima do esperado, aconteceu sem um motivo aparente.

No último mês de novembro, por exemplo, haviam 570 mil CPFs comprando cotas de fundos imobiliários, destacou ele.

Ao final de dezembro, “já eram 632 mil. É muita gente em muito pouco tempo”, afirmou.

Lucros e dividendos: tributação pode gerar arrecadação de R$ 59,7 bi para o governo

Ao tributar lucros e dividendos, o governo pode arrecadar até R$ 59,79 bilhões. A afirmativa é do Valor Investe, que obteve com exclusividade acesso a um estudo inédito feito pela Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil).

A pesquisa se baseou no PL nº 2015/2019, que tramita no Congresso e propõe o fim da isenção dos dividendos.

De acordo com o relatório técnico elaborado pela Unafisco, nota-se que é possível corrigir distorções na arrecadação de impostos.

Para isso, será necessário tributar mais quem ganha mais dinheiro. Em contrapartida, é preciso que haja alternativas para impedir o aumento da carga tributária.

Na última segunda-feira (10), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que a tributação de lucros e dividendos, incluindo a redução de alíquota das pessoas jurídicas, está na sua pauta.

Para o presidente da Unafisco, Mauro Silva, as conclusões oriundas do estudo mencionado acima “vão ao encontro das considerações do parlamentar, que condiciona algum tipo de compensação que alivie a carga tributária para a aprovação desse tipo de tributação.

Maia defendeu a tributação de dividendos distribuídos a acionistas a fim de garantir que a carga tributária brasileira não aumente.


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