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Empresas brasileiras estão mais positivas com 2020, diz XP, citando reformas

Por TradersClub
07 outubro 2019 - 10:29

Apesar de a retomada lenta da economia impactar os negócios e os investimentos, as empresas brasileiras estão com um viés mais positivo para o ano que vem, refletindo, em parte, a aprovação de iniciativas que devem ajudar a corrigir a grave situação fiscal do país e flexibilizar o ambiente de negócios, disse a XP Investimentos em relatório sobre uma conferência feita com mais de 50 companhias.

Segundo o relatório, divulgado nesta segunda-feira, as iniciativas microeconômicas por parte do governo do presidente Jair Bolsonaro e do Congresso “ganham relevância e vemos as companhias fazendo um bom trabalho na busca por ganhos de eficiência e redução no endividamento.” Para a XP, que sediou a conferência XP Institutional Meetings entre 3 e 4 de outubro, essa situação com as reformas e as iniciativas legislativas “deve se traduzir em melhores resultados ao longo dos próximos trimestres, juntamente com a recuperação da economia”.

As empresas do setor elétrico disseram que esperam melhores resultados, refletindo iniciativas de redução de custos, como no caso das estatais Cemig e Copel, ou graças a ações de combate a perdas de energia, como no caso da Equatorial Energia. Para algumas delas, as fontes eólica e solar devem se tornar um motor de crescimento nos próximos anos. Entre as varejistas, mais investimentos para melhorar a experiência do cliente e a busca por rentabilidade via redução de custos e investimentos em tecnologia deve pautar o setor nos próximos anos. Entre as aéreas, para a Azul, o crescimento deve ser impulsionado por uma administração disciplinada da capacidade, o uso de jatos maiores e a presença mais expressiva na ponte aérea Rio de Janeiro-São Paulo.

No setor de alimentos, que deve mostrar forte crescimento de lucro no ano, o mercado doméstico continua desafiador. Mesmo assim, para produtores de proteínas como a Marfrig, é palpável a maior demanda por carnes nos restaurantes. O recente rali nos preços das proteínas, frente ao surto de peste suína africana na China deve ajudar o desempenho da BRF, apontou. A Ambev deve reportar volumes mais fracos do que previamente esperados no terceiro trimestre, de acordo com o relatório.

Na siderurgia, a demanda continua lenta e, dada a menor diluição do custo fixo no terceiro trimestre, as margens devem vir pressionadas. Mesmo assim, a indústria espera uma melhoria no quarto trimestre. No caso da Vale, os executivos da mineradora esperam sólida geração de fluxo de caixa, de até US$9,4 bilhões para o ano – o que traz várias oportunidades para alocação de capital. “A Vale vai continuar a analisar e explorar as opções de forma disciplinada”, diz o relatório.


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