Agronegócio

Disparada no preço do boi gordo acentua os desafios dos frigoríficos

Por Fast Trade
14 abril 2021 - 16:38 | Atualizado em 15 abril 2021 - 05:46
carne bovina

A disparada no preço do boi gordo e a inconstância do cenário interno acentuaram os desafios operacionais dos frigoríficos brasileiros.

Isto porque, as margens da operação da carne in natura voltada ao consumo doméstico caíram para o intervalo entre 1,5% e 3%. Trata-se de uma queda considerável em comparação ao desempenho de dois dígitos registrados pelo setor ao longo de 2020.

Por esse motivo, somente as exportações para a China estão conseguindo remunerar as companhias, segundo informou um executivo da área. Mesmo assim, a situação ainda é muito complicada, tendo em vista que as margens não passam de 5% nesta modalidade.

Nesse sentido, os ganhos frigoríficos que estão vendendo no mercado externo ainda estão muito abaixo dos níveis desejados, já que o custo de manutenção das estruturas produtivas é alto.

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Para as companhias que atuam exclusivamente no território nacional, o problema é maior, pois, há operações contabilizando margens abaixo de zero. Desse modo, alguns executivos temem que possa sobrevir uma crise no setor semelhante à que aconteceu em 2008.

E o principal catalisador desta conjuntura é a escassez de oferta de gado bovino, devido ao aumento na demanda durante a pandemia. Segundo informações divulgadas pelo Centro Avançado em Economia Aplicada (Cepea), o preço do boi gordo subiu 60% nos últimos dozes meses.

Atualmente, o custo da arroba superou a faixa de R$310, o que tornou mais caro todas as etapas da produção.

Situação dos frigoríficos frente às dificuldades do momento

Em entrevista ao Valor, o CEO da Frigol, Marcos Câmara, disse que devolveu um frigorífico alugado em Cachoeira Alta (GO) devido à limitação do momento.

Além disso, ele explicou que com margens abaixo de 5% é impossível manter uma estrutura grande e robusta em termos de produção.

Da mesma forma, a Marfrig deu férias coletivas aos funcionários de dois abatedouros durante o mês de março, nas unidades de Alegrete (RS) e Chupinguaia (RO). Por 30 dias, a companhia deixou de produzir, esperando a situação se normalizar no mercado e o preço do boi gordo obter um alívio.

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Até a Minerva, a terceira maior produtora de carne bovina do país, adotou medidas semelhantes, paralisando temporariamente as atividades no abatedouro de Mirassol (MT).

Desse modo, com o custo de produção mais elevado, a solução foi dar férias coletivas, suspendendo os trabalhos também na unidade de José Bonifácio, no interior paulista.

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Disparada no preço do boi gordo leva frigoríficos a investirem na exportação

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