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Diretor do Banco Mundial projeta crescimento otimista para economia brasileira em 2019

Por Pablo Vinicius Souza
06 fevereiro 2019 - 11:22
Banco Mundial

O economista e diretor-executivo responsável no Banco Mundial pelas economias de Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago, Fabio Kanczuk, revelou em entrevista ao Valor Econômico estar muito otimista com as perspectivas para o crescimento econômico brasileiro em 2019.

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Se por um lado o Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central apontou uma média estimada para expansão em 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, Kanczuk acredita que o crescimento será ainda maior e poderá ultrapassar os 3%.

Esse otimismo, segundo o diretor-executivo, se justifica em uma política monetária expansionista, nos juros abaixo da taxa neutra de juros, em uma política fiscal aproximadamente neutra, nas incertezas que, a cada dia que passa, mais se extinguem.

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Este último, para o executivo, deveria ter proporcionado um impulsionamento maior na retomada de investimentos para o País. Com as incertezas cada vez mais reduzidas, Kanczuk não sabe dizer porque os investimentos ainda não foram retomados com força, dentro de um cenário quase que completamente favorável a isso. Para ele, os investimentos devem se tornar o destaque do crescimento econômico em 2019.

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Apesar disso, o economista admite que, por enquanto, a recuperação não tem sido tão intensa quanto poderia e, com isso, vem decepcionando. “É aquela história que o ônibus não vem, o ônibus não vem, você está no ponto, não aguenta mais. De repente, quando vai desistir, vira a esquina e tem quatro ônibus, um em seguida do outro”, disse ao Valor, por telefone, reafirmando que embora esteja demorando – e sem saber explicar exatamente o porquê –, o crescimento está vindo.

“Também estou otimista com [a reforma da] Previdência, acho que as coisas nessa parte inicial vão muito bem”, disse o economista, ainda em entrevista. Durante o governo do ex-presidente Michel Temer, Kanczuk integrou a equipe técnica, como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, que tentou aprovar a reforma, sem sucesso.

De acordo com o executivo, não há nenhuma outra medida que se equipara à reforma que segue sendo trabalhada pela equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro e que, portanto, deve ser tratada como prioridade pelo governo brasileiro.

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Ainda dentro da reforma, o diretor também se manifestou a favor da capitalização. “É preciso tomar cuidado, mas eles já estão tomando, com a transição da capitalização, com o efeito de caixa que precisa no começo da capitalização. Parece que está vindo uma proposta ambiciosa. Não sei o quanto é verdade ou não do que foi divulgado na segunda-feira (4) pela imprensa, mas acho que vem uma proposta ambiciosa, sim. O negociador da reforma, o Rogério Marinho, é excelente. Foi muito bem na reforma trabalhista, fez um excelente trabalho. Provavelmente fará um belo trabalho com a Previdência. Eu estou otimista, bem otimista.”

Após deixar claro que a reforma da Previdência deve ser priorizada e, presumindo que o Brasil resolva esses problemas de curto prazo, o economista acredita que os próximos passos a serem tomados pelo governo é a abertura da economia, que é bastante factível e já foi defendida por Jair Bolsonaro durante sua participação em Davos.

Posteriormente, deve-se atentar a reforma tributária. Para o diretor-executivo, a maior dificuldade para o segundo passo é encontrar um consenso para aprovação junto ao Congresso e, por não se fazer necessário essa etapa para a abertura da economia, Kanczuk acredita que essa medida deve vir em sequência da aprovação da reforma previdenciária.

Se por um lado as perspectivas do diretor-executivo são positivas para a economia brasileira, 2019 promete uma série de fonte de riscos, em especial para as economias externas. De acordo com o economista, há 60% de chance de os Estados Unidos passarem por uma recessão nos próximos dois anos, principalmente no meio do ano que vem. “Isso sempre tem impacto no mundo inteiro. Não há escapatória”, diz ele, responsável no Banco Mundial pelas economias de nove países.

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