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Desgaste na imagem de Bolsonaro nos 100 primeiros dias não é preocupante, dizem gestores

Por TradersClub
08 abril 2019 - 10:47

O desgaste na imagem do presidente Jair Bolsonaro nos primeiros 100 dias de governo é administrável e pode levar a ala política do Palácio do Planalto a acelerar a articulação política, disseram gestores e analistas políticos à TC News, em vez de o governo dobrar a aposta e radicalizar o discurso – como sugerem algumas colunas de opinião na imprensa.

Em geral, são tantos erros e tantos problemas de comunicação que há espaço suficiente “para cortar gordura”, disse um deles. Na semana em que completa 100 dias de governo, Bolsonaro pode começar sua purga por um governo menos atrapalhado se anunciar a segunda baixa ministerial em seu mandato, a de Ricardo Vélez Rodríguez, à frente do ministério da Educação. Outro problema que deu manchetes  de sobra é a disputa de poder na Apex – e Bolsonaro deve agir hoje mesmo para resolver a questão.

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“Na segunda, vamos resolver a situação do ministério”, disse Bolsonaro no fim de semana. “Está bem claro que não está dando certo o ministro Vélez, falta gestão. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na direita ou na gaveta”. Bolsonaro deve receber de cada um de seus ministros um balanço das respectivas áreas nos 100 dias de governo. Questionado sobre sua queda de popularidade, Bolsonaro disse que “não há tanta notícia ruim como a imprensa vem publicando”.

Para um gestor sediado no Rio, a perda de popularidade de presidente não parece preocupante no momento, é normal – pois seu estilo é diferente – e deve-se, em grande parte, ao caráter fracionado de seu eleitorado, que se materializou em um processo eleitoral muito polarizado. A base de apoio popular do presidente é difusa e agrega tantas preferências como o antipetismo, a agenda conservadora dos costumes, o chamado por maior segurança pública, o combate à corrupção e mais liberalismo na economia.

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O antipetismo, por exemplo, “foi uma bela ferramenta para ganhar a eleição, mas não conte com ele para mais nada”, disse o gestor. Bolsonaro erra ao achar que seu eleitor o escolheu por sua agenda de costumes. Os predecessores de Bolsonaro, especialmente Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, tinham pautas mais concretas – o que pode tê-los poupado do desgaste rápido que atinge Bolsonaro no momento.

O que cada vez mais gente como um “governo de duas caras” precisa virar unanimidade: em geral, a percepção é que os ministérios mais técnicos têm equipes capacitadas e funcionam como ilhas de eficiência. Nesse rol, Guedes é o mais aplaudido – seu nome é tão consenso que manifestantes que defendiam a Operação Lava Jato em São Paulo no domingo cantaram seu nome. Um ministro da Fazenda sendo elogiado? O fato é inédito.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, é o outro foco de elogios dentro do gabinete de Bolsonaro, ao realizar os leilões de concessão de portos, aeroportos e de novo trecho da Ferrovia Norte-Sul. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o general Carlos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, também são bem avaliados. Já as pastas mais alinhadas com a pauta dos costumes – Educação, Relações Exteriores, Direitos Humanos – são vistas como esdrúxulas, caóticas e desastrosas.

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Corrigir os rumos do governo requer ações nessa área, disseram os mesmos analistas à TC News.


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