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Desaceleração da economia mundial pode limitar o avanço do agronegócio no Brasil

Por Bruna Santos
12 março 2019 - 08:16
PIB do agronegócio

O contexto econômico mundial está cada vez mais desanimador. As projeções das maiores economias do mundo indicam que haverá um crescimento menor do o previsto nos próximos anos. No agronegócio, as exportações brasileiras podem sofrer especialmente nos produtos não alimentícios, como celulose e madeira. Em relação aos alimentos, atualmente China é o nosso maior cliente, importando cerca de 36,6% de toda a produção nacional de grãos, seguido da União Europeia com 17,40% e Estados Unidos com 6,10%.

As turbulências econômicas nos parceiros poderão afetar severamente as receitas brasileiras, sobretudo no caso da China, que já apresentou acentuada redução em suas atividades. O PIB chinês deverá crescer somente 6,2% em 2019, ficando ligeiramente abaixo dos níveis vistos nos últimos anos. Nesse cenário, as importações de celulose ficam cada vez mais incertas, porém as de carne aumentam, já que há uma demanda crescente por este produto.

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Na Europa, a situação é um pouco mais crítica. Os países que estão entre os que mais importam produtos agropecuários de origem brasileira estão vivendo um período de restrições na economia. A previsão de crescimento do PIB na zona do euro recuou para 1% em 2019, ficando muito abaixo dos 1,8% registrado em 2018. Dentre esses países está a Alemanha, que possui certa dependência da economia chinesa e que igualmente será afetado por uma desaceleração mais brusca no gigante asiático.

O desenvolvimento destas economias é muito importante para o Brasil, já que eles ficam com a maior parte da carne e dos grãos nacionais. Os Estados Unidos, que é o terceiro no ranking de importações brasileiras, também verá seu PIB sofrer redução em 2019, além do que, estão com um déficit comercial recorde devido à perda de presença de seus produtos agrícolas no exterior.

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E quando a guerra tarifária com a China for resolvida, eles vão tentar reduzir essa perda aumentando as exportações de seus produtos agrícolas para o gigante asiático, fazendo concorrência com a produção brasileira. O próximo objetivo dos EUA será sanar os déficits com chineses e mexicanos, que são os mais altos da história, além de ampliar sua participação nestes mercados.

E embora o Brasil tenha elevado o percentual das exportações de frango para os chineses devido à intensificação da peste suína no país, a presença americana ainda tem um grande potencial de prejudicar o avanço do agronegócio nacional.

 


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