Política

Depoimento à PF: Moro fala neste sábado sobre acusações contra Bolsonaro

Por Bruna Santos
02 maio 2020 - 11:16 | Atualizado em 03 maio 2020 - 11:02

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro presta depoimento à PF neste sábado (2) sobre as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro teria tentado intervir politicamente em investigações em andamento.

A oitiva, programada para esta tarde, ocorrerá em Curitiba. Três procuradores que trabalham diretamente com o procurador-geral Augusto Aras vão participar.

O ministro e relator do Inquérito (INQ) 4831, Celso de Mello, do STF, havia dado o prazo de 60 dias. Ele, contudo, considerou as razões de urgência apresentadas por parlamentares, tendo em vista a crise política, para antecipar o depoimento.

Desse modo, o relator determinou a intimação de Moro pela Polícia Federal, no prazo de cinco dias, para “manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamento, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão”.

Em comunicado divulgado na véspera (1º), Aras rebateu as declarações do ex-ministro feitas em entrevista à Veja, quando Moro classificou como “intimidatória” a peça do Ministério Público Federal que pede a investigação das denúncias feitas por ele.

“A petição de inquérito apenas narra fatos e se contém nos limites do exercício das prerrogativas do Ministério Público, sem potencial decisório para prender, conduzir coercitivamente, realizar busca e apreensão, atos típico de juízes – e, só por isso, não tem caráter intimidatório. O procurador-geral da República, Augusto Aras, reitera que não aceita ser pautado ou manipulado ou intimidado por pessoas ou organizações de nenhuma espécie”, declarou a Procuradoria-Geral da República.

Moro pode responder na Justiça se as acusações não forem verdadeiras e Bolsonaro o chama de Judas

Se as acusações não forem verdadeiras, o ex-ministro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra. Portanto, o inquérito aberto pelo Supremo vai apurar a conduta do presidente da República.

Posteriormente, as mensagens da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) que tentaram convencer Moro a permanecer no cargo podem ser investigadas.

Em sua página pessoal no Twitter, Bolsonaro se referiu a Moro como “Judas” nesta manhã. “Os mandantes estão em Brasília? O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse? Nada farei que não esteja de acordo com a Constituição. Mas também NÃO ADMITIREI que façam contra MIM e ao nosso Brasil passando por cima da mesma”, escreveu ele.

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