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Decisão da Vale de paralisar barragens reduzirá produção em 10%; minério dispara

Por TradersClub
30 janeiro 2019 - 09:33
Nossa agenda local de indicadores econômicos tem como destaque a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio de setembro do IBGE.

A Vale vai paralisar todas as barragens de rejeitos de mineração do modelo a montante, o mesmo tipo que desabou em Brumadinho e Mariana, em um prazo não superior a três anos, o que pode impactar 10% da sua produção de minério. Os preços da commodity dispararam nos mercados internacionais.

O gesto da maior mineradora do mundo visa evitar mais desastres como o deste fim de semana, disse o diretor-presidente Fabio Schvartsman. O impacto imediato na companhia será o de paralisar as operações de mineração nas proximidades dessas 19 barragens, todas localizadas no estado de Minas Gerais, ele disse em coletiva em Brasília. “A única maneira de fazer o descomissionamento é essa”, disse, destacando que os projetos para a ação estão prontos e serão enviados para aprovação junto aos órgãos ambientais antes do final deste trimestre.

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A produção de aproximadamente 40 milhões de toneladas do mineral será afetada, disse, e reiterou que sistema não será mais utilizado pela Vale. A decisão impactou os preços do minério de ferro, que disparam 5,6% na bolsa da Dalian, para 587 iuanes.

O custo dessas ações é calculado em pouco mais de R$5 bilhões, disse Schvartsman. O modelo a montante é uma tecnologia que permite que o dique inicial seja ampliado para cima quando a barragem fica cheia de rejeitos de minério, usando como fundação a lama dos rejeitos, formada por ferro, sílica e água. Dez dessas barragens estavam descomissionadas, enquanto outras nove estavam em processo de desativação.

O método, mais barato que outros tratamentos como o beneficiamento a seco, oferece mais riscos de ruptura devido à falta de estruturas fixas sólidas. A resposta é mais um passo, e quiçá o mais ousado até o momento, por parte de Schvartsman e do conselho da Vale para mitigar o impacto reputacional, regulatório e judicial do acidente de sexta-feira na mina de Brumadinho – onde uma barragem colapsou e pressionou outras.

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O deslizamento de terra subsequente sepultou parte das instalações da Vale na mina, matando 84 pessoas; 276 estão desaparecidas. Mesmo que a decisão também responda à pressão do governo, que astutamente chegou a ventilar a possibilidade de pressionar pela saída de Schvartsman e a diretoria da mineradora, a opinião pública reagiu bem ao anúncio.

Além de evitar perda de vidas e destruição de ecossistemas inteiros, ela surpreendeu de forma positiva pela rapidez com que foi tomada. A boa notícia é que a Vale está adiantada no processo e, especificamente, no tratamento de rejeitos a seco – mais caro, porém menos arriscado.

Os analistas e gestores que consultamos gostaram da notícia, assim como

alguns dos nossos contribuidores. Para Bruno Peña, trader e contribuidor TC, a de ontem foi “uma corajosa e rápida medida que inclusive vai mitigar as acusações nos processos que a empresa irá enfrentar. Também acalma os fundos que vinham ameaçando sair do papel e efetivamente tira da frente o risco de novos acidentes.”

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Já o BTG Pactual revisou suas estimativas para baixo e cortou o preço-alvo do ADR da Vale, de US$20 para US$14, porém notando que a redução da produção será temporária e não estrutural. Em geral, o banco gostou da decisão, que adiciona visibilidade ao momento da Vale.

Segundo o Valor Econômico de hoje, a Vale já teria um nome interno para

substituir Schvartsman, caso seja necessário. Por enquanto, porém, o conselho de administração não tratou da substituição, o que seria de fato um erro se fazer neste momento. A informação é de fontes próximas ao assunto. De qualquer forma, a Vale tem, em seu modelo de governança corporativa, uma política definida sobre como fazer o processo de sucessão. A avaliação do conselho da Vale é que Schvartsman vem tomando as providências necessárias neste momento de crise e tem sido “diligente”.

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