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Credit Suisse vê China administrando crise do coronavírus melhor que SARS

Por TradersClub
29 janeiro 2020 - 11:36

Por ora, há fatores que sugerem que o impacto econômico da crise da epidemia de coronavírus na China pode ser menos grave do que o foi o da SARS entre 2002 e 2003, por conta da celeridade da atual reação das autoridades chinesas, das medidas rigorosas de quarentena e das taxas de mortalidade menores, disseram estrategistas do Credit Suisse em relatório hoje distribuído a clientes.

Para a equipe de estrategistas do banco suíço, liderada por Andrew Garthwaite, a China tem melhorado significativamente sua rede de centros de controle de doenças e de vigilância sanitária nos aeroportos. Desde a SARS, tanto a economia chinesa quanto a global se tornaram mais dependentes da digitalização, especialmente em setores como o varejo, os bancos e a educação – o que deve proteger o consumo e limitar o espalhamento do vírus, eles disseram. O impacto também deve ser mitigado porque grande parte do parque industrial chinês está de férias, pela chegada do Ano Novo Lunar.

Se o efeito for mantido sob controle, é provável que, ao longo do mês que vem, vejamos tentativas por parte dos investidores de aumentar o risco de suas carteiras através de instrumentos como fundos de índice para commodities como o cobre e o petróleo, ou mais demanda por ações e outros ativos de países asiáticos, disse Garthwaite. Cada vez é mais provável que o governo do presidente Xi Jinping responda à crise com estímulos fiscais, já que os riscos que assombravam a economia chinesa poucos meses atrás – a queda no investimento e o alto nível de endividamento no sistema financeiro não oficial – têm perdido força. Assim, a equipe recomenda ao investidor manter exposição acima da média em ações de países emergentes grandes, ações chinesas de tecnologia e companhias cíclicas na Europa. Os pontos fracos continuam sendo ações de varejistas de luxo e de produtoras de bens intermediários

A China é quatro vezes mais importante para a economia global em termos de participação do PIB do que em 2003, quando ela representava apenas 4,3% do PIB mundial. “No entanto, existem riscos claros, portanto assumimos que o impacto inicial, ou de curto prazo, provavelmente será semelhante ao que houve na época com o SARS”, disse Garthwaite. Apesar da doença presumivelmente estar se espalhando muito mais rapidamente que a SARS, e do fato de que o novo vírus pode ser transmitido antes de os sintomas aparecerem, a resposta do governo chinês tem sido mais agressiva: os governos central e regionais estenderam os feriados por três dias e mantêm escolas e fábricas fechadas. As viagens ao longo das áreas impactadas também devem se manter restritas por um período maior, disseram os estrategistas.


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