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CPI da ‘vaza-jato’; Bolsonaro vai a NY; preço da gasolina e outros destaques do dia

Por Bruna Santos
19 setembro 2019 - 08:45

Os destaques de hoje os são reflexos da decisão do Comitê de Política Monetária que cortou 0,50 p.p. da Selic.

No âmbito político, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, confirmou a presença do presidente Jair Bolsonaro em Nova York, para a Assembleia Geral da ONU.

Segundo ele, o presidente da República defenderá de forma “enfática” o trabalho que o país está fazendo na questão ambiental.

“É um discurso de coração onde ele vai defender as potencialidades do país e vai fazer uma defesa enfática daquilo que estamos realizando no tocante à questão de meio ambiente ligado ao desenvolvimento sustentável”, disse Rêgo Barros em briefing no Planalto.

O porta-voz garante que o discurso pode ajudar a desconstruir a narrativa de que o Brasil não cuida da Amazônia.

No mercado internacional, negociadores comerciais de menor escalão dos Estados Unidos e da China devem retomar as negociações pessoalmente nesta quinta-feira (19).

Esse será o primeiro encontro após quase dois meses de paralisação nas negociações presenciais entre as potências.

A disputa sino-americana tenta solucionar diferenças políticas e encontrar uma maneira de sair de uma amarga e prolongada guerra comercial.

Vendas no varejo britânico; BoJ mantém taxas inalteradas e mais destaques econômicos

No Reino Unido, as vendas no varejo contraíram 0,2% em agosto ante julho, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas.

O resultado ficou um pouco abaixo da previsão de analistas consultados previamente pelo The Wall Street Journal (queda de 0,3%).

De acordo com a Dow Jones Newswires, as vendas no varejo britânico saltaram 2,7% na comparação anual de agosto.

Hoje, as atenções se voltam para o Banco da Inglaterra (BoE), que revela sua decisão de política monetária nesta manhã.

O mercado prevê a manutenção do juro básico pelo BC inglês, em 0,75%,

A decisão será divulgada menos de 45 dias antes da data-limite para o Reino Unido deixar a UE.

Segundo relatório divulgado hoje, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê uma recessão no Reino unido caso o Brexit aconteça sem que haja um acordo com a União Europeia.

No mesmo documento, a entidade projeta que a economia global crescerá 2,9% este ano, isto é, o pior desempenho desde a crise financeira internacional de uma década atrás.

Mais cedo, o Banco do Japão (BoJ) manteve sua política monetária inalterada.

Apesar disso, a entidade ressaltou que acompanhará mais de perto as condições econômicas e de preços em sua próxima reunião, marcada para 30 e 31 de outubro.

Por aqui, os indicadores previstos são o de Confiança do Empresariado Industrial de setembro, da CNI, e o de Intenção dos Consumos das Famílias, pela CNC.

Nos Estados Unidos, os pedidos de auxílio-desemprego semanais são aguardados, assim como o Índice de Atividade Regional de setembro, pelo Fed Filadélfia.

Ainda pela manhã, o Conference Board informa os indicadores antecedentes de agosto, assim como o NAR das vendas de moradias usadas.

Na Argentina, é dia de divulgação do PIB do segundo trimestre.

Bancões centrais continuam em destaque

As notícias do dia são novas mas já nasceram velhas. Isso porque as principais decisões dos bancos centrais ocorreram na tarde de ontem. A começar pelo Fed que optou por corte de 0,25 por cento. O tamanho do corte já era aguardado, mas os investidores não chegaram a ficar tão animados. Para começar a falta de consenso entre os votos. Foram sete a favor e três contra, tal falta de consenso interna acende o alerta de quais serão os próximos passos. A autoridade monetária não fechou as portas para novos cortes, mas também não se comprometeu com nada. Mesmo porque, tem uma guerra comercial no meio do caminho. E como o Fed por si só não consegue fornecer a previsibilidade requerida pelos investidores, não adianta o Trump jogar toda a responsabilidade para o banco central. Hoje, está prevista uma nova rodada de conversas entre as duas potências, por isso é fundamental acompanhar o desenrolar e perspectivas de acordos.

Já no Japão, hoje o BoJ optou pela cautela e não fez nenhuma mudança em sua política monetária. Mas, por enquanto, não deixou fechada a possibilidade de alguma ação estimulativa para o próximo mês. Outro banco central que também fez anúncio esta manhã foi o BoE, da Inglaterra. Os juros foram mantidos em 0,75 por cento, mas com um sinal de alerta: caso o país saia da União Europeia sem um acordo, há chance de desaceleração do crescimento e escalada dos preços. E se demorar muito para sair, também pode fragilizar a economia. Ou seja, situação delicada.

Por aqui, renovamos a mínima histórica da Selic, que agora está em 5,5 por cento. E mais do que isso, com perspectiva de mais um corte ainda este ano. É tudo que os investidores gostariam de ouvir.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos

‘Vaza jato’: Maia não tem pressa para analisar CPI

“Vamos avaliar com calma, não tem pressa”, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre CPI da ‘vaza jato”.

Ele ainda está incerto sobre a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito protocolada pela oposição com o propósito de investigar a conduta do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol no âmbito da Lava Jato, segundo o próprio.

“É uma questão muito delicada. Não é qualquer fato determinado que vai me fazer instalar essa CPI”, continuou.

Desde junho, o site The Intercept divulga trechos de mensagens atribuídas a procuradores da força-tarefa da Lava Jato e Moro.

O portal afirma que Moro orientou ações e cobrou novas operações dos procuradores quando ainda era juiz.

Maia acredita que instalar a CPI pode desencadear nova onda de desarmonia e desequilíbrio entre os poderes da República.

Como exemplo, ele destacou a tentativa de instalar no Senado a CPI da Lava Toga, defendida por alguns senadores, a fim de investigar o chamado “ativismo judicial” de autoridades de tribunais superiores, especialmente entre ministros do Supremo Tribunal Federal.

“Dara a mesma forma que a CPI do Senado interfere no Judiciário, aqui também não podemos nunca interferir no trabalho de um juiz ou de um procurador. Uma investigação sobre isso seria inclusive inconstitucional. Pode investigar um crime ou delito de outro poder, mas qualquer decisão de abrir uma CPI sobre outro poder é muito delicada, por isso que eu não tenho pressa”, disse Maia.

Reforma tributária ganha primeiro relatório no Senado

O senador Roberto Rocha apresentou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado o primeiro relatório da reforma tributária.

A proposta (PEC 110/2019) tem como eixo principal a criação do chamado Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS).

Rocha (PSDB-MA) se manifestou favorável à proposta que prevê a extinção e a unificação de tributos, mas com mudanças significativas.

Originalmente, previa-se a incorporação de nove tributos ao IBS e a criação de um imposto sobre bens e serviços específicos.

Esse Imposto Seletivo seria de competência federal e com alíquotas mais altas, que incidiria sobre telecomunicações.

O parlamentar recomenda fundir os cincos impostos e contribuições sociais de competência da União (inclusive as cides) em um IBS.

O ICMS e o ISS (estaduais), por outro lado, seriam indexados a um outro IBS, com o propósito de evitar uma concentração de tributos em excesso no âmbito da União.

Segundo ele, esse regime dual também ajudaria a evitar que o Imposto Seletivo (IS) opere com finalidade arrecadatória.

“Com a divisão equitativa das alíquotas dos dois tributos, pode-se manter a renda dos três níveis da Federação, sem a instituição de um novo tributo. O imposto seletivo, portanto, deixará de incentivar o consumo de alguns produtos que geram externalidades negativas como fumo, bebidas alcoólicas”, detalhou o relator.

No relatório da reforma tributária, Rocha sugere ainda a criação de um fundo de desenvolvimento para investimento em ações estruturais.

Além disso, mantém os benefícios para a Zona Franca de Manaus, mas sob a forma de crédito presumido que cubra as diferenças de custo de logística e transporte dos empreendimentos ali mantidos.

Outra Proposta de Emenda Constitucional da reforma tributária tramita na Câmara dos Deputados, a PEC 45.

Preço da gasolina sobe 3,5% nas refinarias da Petrobras alinhado com o mercado internacional

Após o petróleo registrar sua maior alta histórica nesta semana, a Petrobras decidiu elevar o preço da gasolina em 3,5%.

Na noite de segunda-feira (16), o presidente Jair Bolsonaro falou em entrevista à RecordTV que a estatal não reajustaria os preços imediatamente após os ataques nas refinarias da Arábia Saudita.

A revisão, contudo, começou a valer a partir da zero hora de hoje (19), após a commodity oscilar até 20%.

Especula-se que a Petrobras, que mantém o preço da gasolina alinhado ao mercado internacional, tenha reajustado os valores no mercado interno após questionamentos do mercado sobre uma possível ingerência do governo.

A estatal se preocupa em demonstrar sua independência e que, desse modo, sua política de preços de combustíveis não está submetida a questões políticas, com o propósito de atrair investidores para adquirir suas refinarias.

Nos últimos dias, o petróleo tipo brent, comercializado na Europa, chegou a cair, mas não na mesma proporção da alta.

Após corte da Selic, Itaú e Bradesco anunciam redução de juros

Após o corte da Selic de 0,50 ponto percentual anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, os bancos Bradesco e Itaú anunciaram uma redução nas taxas de juros de suas respectivas linhas de crédito.

O Itaú Unibanco notificou em nota que, no caso da pessoa física, a redução será no empréstimo pessoal.

Em contrapartida, a pessoa jurídica verá a redução aplicada no capital de giro.

Além disso, “os valores, que passam a valer a partir de sexta-feira (20), variam de acordo com o perfil do cliente e de seu relacionamento com o banco”, publicou a instituição.

O Itaú prevê ainda a redução da taxa mínima da linha de crédito imobiliário.

Na segunda-feira (23), passará a oferecer o financiamento de imóveis com juros a partir de 8,1% ao ano + TR.

O Bradesco também responderá ao corte da Selic reduzindo algumas de suas taxas de juros a partir de segunda-feira (23).

Em agosto, a instituição financeira realizou um movimento similar, anunciando corte na pessoa física, linhas de cheque especial, crédito pessoal e veículos (CDC).

No âmbito da pessoa jurídica, o corte anunciado foi nas linhas de capital de giro, cheque empresarial e veículos (CDC).

Para a redução da próxima semana, o banco ainda não detalhou quais serão as linhas que terão as taxas reduzidas.


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