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Corte maior que o esperado pode fazer Selic cair a 5,25% ao ano no fim de 2019, estima CNI

Por Bruna Santos
01 agosto 2019 - 09:45
calendário de indicadores econômicos, copom; autonomia do banco central; Boletim Focus

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte maior que o esperado nos juros básicos da economia divulgados ontem (31) pelo Copom pode derrubar a Selic a 5,25% ao ano no fim de 2019.

O comunicado, emitido horas após a decisão do órgão, favorece a decisão do Comitê de Política Monetária, que definiu a taxa Selic em 6% ao ano, após corte de 0,50 ponto percentual.

A confederação expressou em nota que o Banco Central agiu corretamente ao reduzir os juros básicos na proporção escolhida.

Boa parte das instituições financeiras projetava corte de 0,25 ponto percentual, mas o BC reduziu em 0,5 ponto.

Além de destacar o fraco desempenho percebido na atividade econômica, bem como a baixa inflação, o corte de juros em outros países, como nos Estados Unidos, atua favoravelmente à redução das taxas em países como o Brasil.

Assim sendo, a entidade afirma que a queda dos juros contribuirá para estimular o consumo das famílias, assim como os investimentos das empresas a fim de reativar a economia brasileira.

Até o presente momento, a estimativa da CNI é mais otimista que a dos analistas de mercado.

Na segunda-feira (29), o boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projetava taxa Selic de 5,5% no período.

Ademais, a CNI acredita que a aprovação definitiva da reforma da Previdência abrirá caminho para novas reduções da Selic.

Digerindo

O Fed agiu como o esperado: reduziu 0,25 pp dos juros que agora ficam entre 2 e 2,25 por cento. Até aí, ok. O problema foi o discurso de Jerome Powell, o presidente do Fed, que não deixou claro se o ciclo de cortes irá continuar ou se foi uma ação pontual. Além de ter alertado sobre o risco que a guerra comercial traz à economia. Por isso, o balde de água fria aos investidores e indireta a Trump, não passaram despercebidas. As principais Bolsas norte-americanas fecharam em queda de cerca de 1 por cento, e Trump foi rapidamente ao Twitter contestar a postura do Fed (mais uma vez). Portanto, apesar do movimento inicial esperado, os investidores voltarão a monitorar todos os novos dados divulgados que possam endossar o discurso de novas quedas nos juros e desdobramentos da guerra comercial.

Por aqui, o Copom surpreendeu a maioria do mercado e cortou em 0,5 pp a nossa Selic, agora renovando novamente a mínima histórica. E não para por aí, ainda há possibilidade de que ocorram novos cortes, como grau adicional de estímulo. Por isso, o investidor local fica cheio de razões para comemorar, em especial, na Bolsa de Valores. Agora, o que queremos ver mesmo é o efeito na prática de uma taxa tão baixa com a redução do spread bancário. Alguns bancos como BB e Caixa, puxaram a fila e anunciaram taxas de juros menores aos tomadores de crédito (ainda pequenas, há espaço para diminuir ainda mais o juro na ponta), com isso, poderemos ter um incentivo real para a recuperação de nossa frágil economia. Já para a moeda, como o diferencial com a taxa lá fora está se reduzindo, não espere o dólar barato. No curto prazo, poderemos ter algum estresse. E para finalizar, aos seus investimentos, o efeito é de rendimento em renda fixa menor e maior atratividade nos ativos de risco – é preciso mudar para conseguir manter o seu rendimento.

Por Glenda Ferreira – Especialista em Investimentos na Levante Ideias de Investimentos


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