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Corte de compulsório na China e mais notícias que vão impactar o 1º pregão do ano

Por Bruna Santos
02 janeiro 2020 - 09:31
1º pregão do ano

O ano começa positivo para os principais mercados globais, reagindo ao corte do compulsório dos bancos chineses, por exemplo. Além disso, a potência asiática suspendeu, temporariamente, a conexão entre as Bolsas de Valores de Xangai e Londres.

De acordo com a Reuters, essa decisão que suspendeu o programa “London-Shangai Stock Connect” foi motivada por considerações políticas. Nenhum prazo foi dado para reiniciar a operação e a Comissão de Valores Mobiliários da China, nem mesmo a Bolsa de Valores de Xangai comentaram o caso a pedido da Bloomberg.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump busca a reeleição enquanto enfrentará a reta final do processo de impeachment. Supostamente, Trump teria solicitado a um governante que investigasse seus opositores. Outra acusação indica que ele dificultou a apuração sobre o assunto pelo Congresso americano.

Após ter sido aprovado na Câmara de Representantes, onde a maioria integra o partido Democrata, o processo agora será apreciado no Senado. A casa é controlada pelos republicados, com legenda conservadora da qual integra o presidente.

No Brasil, novas leis e medidas passaram a vigorar no primeiro dia do ano e devem repercutir neste primeiro pregão. Começou a valer, inclusive, o novo limite de compras para os freeshops; antes o valor era de R$ 500 para quem voltava de viagens ao exterior. Agora, o limite é de US$ 1 mil. As atividades parlamentares do Congresso Nacional seguem paralisadas até o próximo dia 2 (conforme o art. 57 da Constituição Federal).

Giro pelo mundo: ‘nova arma estratégica’ da Coreia do Norte e investidores estrangeiros

Após ter alertado sobre um provável “presente de Natal indesejado” para os Estados Unidos que poderia significar o teste de um míssil balístico intercontinental, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, parece ter recuado parcialmente. De acordo com a imprensa estatal da região, Kim falou em sessão plenária do Comitê Central do governista Partido dos Trabalhadores que o mundo vai testemunhar a nova arma estratégica do país.

Essa medida, segundo reportou a imprensa, estaria prevista para um futuro próximo. Além disso, o líder da Coreia do Norte disse que os EUA prolongaram as negociações. Em abril de 2018, a Coreia do Norte garantiu que iria suspender testes de armas nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais, mas os Estados Unidos não cumpriram a sua parte de suspender sanções em resposta, afirmou Kim.

Diante da hostilidade americana, percebida entre os exercícios militares praticados em conjunto com a Coreia do Sul, conforme apontado por Kim, não existe espaço para que a Coreia do Norte permaneça presa ao comprometimento unilateral com uma moratória. No continente asiático, protestos podem afastar investidores interessados em fazer negócios na Índia, a terceira maior economia local e ameaçam a recuperação de uma economia que se expande no ritmo mais fraco em mais de seis anos.

O movimento é uma resposta à lei que impede que mulçumanos de três países vizinhos obtenham cidadania indiana, mas não proíbe outras religiões. Em contrapartida, a reputação do Chile entre investidores estrangeiros sobreviveu à recente onda de protestos, segundo indicadores de mercado. O governo agora planeja lucrar com essa credibilidade por sua sólida gestão fiscal emitindo US$ 8,7 bilhões em títulos de dívida em 2020; US$ 5,3 bilhões serão vendidos no exterior, acima dos US$ 3 bilhões de 2018.

China libera US$ 115 bilhões para bancos apoiarem a economia e mais indicadores globais

O primeiro dia útil de 2019 contará com uma série de dados econômicos globais relevantes, entre eles está a liberação do banco central da China de, aproximadamente, 800 bilhões de iuanes (US$ 115 bilhões) em fundos para dar suporte à economia em desaceleração. Além disso, a alíquota de depósito compulsório será reduzida em 50 pontos-base pelo Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês), a partir de 6 de janeiro.

A potência asiática projeta estabelecer uma meta de crescimento econômico menor, de cerca de 6%, em 2020. Fontes políticas ouvidas pela Reuters afirmam que essa expectativa conta com o aumento dos gastos em infraestrutura do Estado a fim de evitar uma desaceleração mais acentuada. Esse crescimento contraiu de 6,8% em 2017 para 6% no 3T19, o mais lento desde o início dos anos 1990.

No Brasil, saem os dados das vendas de veículos pela Fenabrave e do comércio varejista. A Secretaria de Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Ministério da Fazenda divulga o resultado fechado da balança comercial 2019. O mercado conhecerá ainda o índice de confiança do consumidor, indicador do clima da economia e o IPC-S, pela FGV.

Nos Estados Unidos saem novos pedidos de seguro-desemprego e o índice IHS Markit. A projeção é de 225 mil pedidos, segundo a agência Dow Jones, superando a terceira semana de dezembro (222 mil). Na zona do euro o investidor vai monitorar o PMI Manufatura.

Novo salário mínimo passa a vigorar; multa adicional do FGTS e financiamento de habitação

O presidente Jair Bolsonaro decidiu reajustar o salário mínimo de R$ 998 para R$ 1.039 no último dia de 2019. Esse valor representa um aumento de R$ 8 ao previsto no Orçamento de 2020, segundo informou a Secretaria-Geral da Presidência.

Assim sendo, o novo salário mínimo passou a vigorar na véspera (1), o primeiro dia do ano. A medida provisória publicada em edição extra do Diário Oficial da União no mesmo dia após Bolsonaro se reunir com os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, no Palácio do Alvorada.

O orçamento deste ano aprovado por deputados e senadores no último dia 17 previa o valor de R$ 1.031. Isso correspondia a um avanço sem aumento real (com reajuste apenas para compensar a perda da inflação estimada para 2020).

Também passou a vigorar a exclusão da obrigação de empregadores de pagar a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em demissões sem justa causa.

Embora a taxa subisse de 40% para 50% sobre o valor depositado, esse complemento não ia para o trabalhador. Esses 10% adicionais iam para a conta única do Tesouro Nacional, de onde era repassado ao FGTS.

De acordo com o Ministério da Economia, o fim da multa adicional abrirá uma folga no teto federal de gastos. O impacto final da medida ficou em R$ 5,6 bilhões. Desse modo, o Orçamento Geral da União deste ano terá uma folga de R$ 6,969 bilhões no teto de gastos.

Por fim, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) terá R$ 65,5 bilhões para financiamentos na área de habitação em 2020. Esse montante virá dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Outros R$ 4 bilhões do fundo serão disponibilizados para obras de saneamento.

MRV prepara nova oferta de cotas do fundo imobiliário Luggo que saltou 20% na estreia

Em comunicado ao mercado, a MRV (MRVE3) antecipou mais uma oferta de cotas do fundo imobiliário Luggo (LUGG11). O Luggo FII é o primeiro fundo imobiliário de apartamentos residenciais e surge como uma opção atrativa para os investidores.

Esse cenário favorável ao mercado investidor está atrelado ao juro baixo, mas também à expectativa de aceleração do crescimento econômico. A mensagem foi emitida pela construtora após a estreia do ativo na segunda-feira (30), que registrou alta de 20%.

Na respectiva emissão que contou com quase dois mil cadastros de pessoas físicas, foram captados R$ 90 milhões. Além disso, o fundo imobiliário começou com 4 empreendimentos, iniciando assim o ciclo do modelo de negócio da companhia.

De acordo com a MRV, “a velocidade das locações confirma o potencial do modelo de negócio”. Em comunicado, a construtora destacou ainda o fato de a Luggo ser ainda a única empresa verticalizada do mercado.

Ademais, o fundo imobiliário atua em toda a cadeia — desde a compra do terreno até a venda para o FII. Desse modo, explicou a MRV, “é possível desenvolver um produto focado tanto em atender às demandas específicas do segmento, quanto na experiência do usuário”. “Em 2020, esperamos fazer o primeiro follow-on”, destaca a construtora. Você pode conferir o comunicado na íntegra aqui.

Outro destaque, de acordo com o Estado, as empresas brasileiras devem continuar se financiando na Bolsa de Valores. As operações de abertura de capital e emissões de ações de companhias já listadas na B3 podem atingir entre R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões em 2020. Em publicação recente, o Estado sinalizou que as operações no mercado de capitais em 2019 somaram, aproximadamente, R$ 90,2 bilhões por meio de 42 transações; destas, 37 foram emissões de ações e o restante IPO.


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