HomeMercados

Coronavírus tem mais destaque que incerteza política; PNAD de janeiro; PIB e outras notícias

Por Bruna Santos
28 fevereiro 2020 - 08:23
1º pregão do ano

Puxados mais uma vez pelo coronavírus, as Bolsas de Valores asiáticas fecharam em queda forte. Além disso, os mercados europeus abriram em baixa bem acentuada nesta sexta-feira, refletindo o sell-off de ontem em Wall Street.

Na Europa, o governo britânico admite abandonar as negociações com a União Europeia (UE) para um acordo pós-Brexit. Segundo o documento publicado ontem (27) com a posição do Reino Unido, isso ocorrerá se não houver progressos até junho.

Por aqui, o Tesouro Nacional projeta que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) passe de 75,8% em 2019 para 77,9% em 2020. Desse modo, a DBGG poderia alcançar 79,4% do PIB em 2023 para então entrar em trajetória decrescente, encerrando 2029 em 72,5% do PIB.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 520 milhões na terceira semana do mês de fevereiro. O montante corresponde a US$ 3,966 bilhões em exportações e US$ 3,446 bilhões de importações decorridas no período. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, o superávit acumula US$ 1,105 bilhão no mês. No ano, o resultado das transações comerciais é deficitário em US$ 630 milhões.

Entre os indicadores econômicos, o IBGE divulga nesta manhã a PNAD de janeiro, que deve mostrar a taxa de desemprego. Sai nos Estados Unidos o índice de preços de janeiro, além de dados de rendimentos pessoais e de gastos pessoais.

Nesta noite, sai na China o PMI manufaturas de fevereiro. A Bloomberg aponta que economistas estimam queda de 50 para 45. Assim sendo, o dado passará a indicar uma contração e poderá atingir menor nível desde crise financeira de 2008.

Confira a seguir mais destaques.

Leia mais:

Coronavírus leva ao primeiro adiamento de IPO na Europa

IPCA 2020: projeção cai pela 8ª vez seguida, para 3,20% e estimativa do dólar sobe a R$ 4,15

Previsão de crescimento econômico para Brasil recua a menos de 2%, diz bancos de Wall St

A perspectiva de crescimento econômico para o Brasil em 2020 foi reduzida pelo Bank of America para menos de 2%. Do mesmo modo, o Banco J.P. Morgan cortou a projeção pela segunda vez neste ano, mas de forma mais acentuada. O BofA reduziu as estimativas para o Brasil de 2,2% para 1,9% e o JP Morgan, de 1,9% para 1,8%.

No primeiro caso, a escalada do surto de Covid-19 foi destacado como um impacto negativo nas exportações brasileiras. Por causa do impacto da epidemia e indicadores de atividade misto, o banco cortou a previsão em 0,30 ponto percentual.

Para economistas do JP Morgan, o crescimento dos investimentos em 2020 será menor em 5,0% e as exportações cairão 0,5%. Muitos observadores consideram esses movimentos altamente sensível para o governo do presidente Jair Bolsonaro, segundo publicou a Reuters.

Essas sinalizações contrariam as perspectivas internas sobre o crescimento econômico, inclusive as estimativas do ministro da Economia Paulo Guedes. Guedes acredita em um crescimento acima de 2,5%, puxado pelas reformas econômicas do governo e as baixas taxas de juros.

Em contrapartida, uma série de indicadores econômicos têm vindo mais fracos que o esperado recentemente. Os dados de atividade de dezembro inclusive apontaram que a economia não ganhou tração no quarto trimestre, dizem os economistas.

Ademais, a imprensa relata que Bolsonaro está ficando cada vez mais frustrado com Guedes diante do risco sobre o crescimento. Por aqui, o governo mantém previsão de crescimento em 2,4%, embora a taxa possa vir a ser revisada, conforme disse à Reuters o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.

Na Pesquisa Focus do Banco Central desta semana a estimativa de crescimento econômico para o Brasil foi reduzida a 2,20%.

Coronavírus pode reverter ciclo de recordes para frigoríficos

O ciclo de recordes batidos pelos principais frigoríficos brasileiros pode ser revertido diante do surto do coronavírus iniciado na China. Após nova queda do Ibovespa, de 2,59%, as preocupações se voltam para a redução na perspectiva de crescimento econômico brasileiro.

Uma provável queda nas importações de carne bovina é considerada um fator que levou a revisão de crescimento do PIB. Assim sendo, o primeiro semestre 2020 pode mostrar um recuo acentuado em meio a um cenário de epidemia. Isso está afetando a circulação de pessoas e o comércio em todo o mundo, disse o Rabobank em relatório divulgado.

A perspectiva do banco é que a bonança verificada nas exportações de carnes do Brasil recentemente pode ser reprimida. Esse movimento coloca em risco o ciclo de recordes iniciado pela demanda adicional da China por importações de alimentos.

Isso ocorreu após a peste suína africana atingir a oferta de carne do país asiático desde meados de 2018. Em 2019, as exportações de carne bovina do Brasil atingiram uma receita recorde de US$ 7,5 bilhões.

A China representou 26,6% da demanda para frigoríficos locais, de acordo com dados compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Se contabilizadas as vendas para Hong Kong, o volume salta para 45%.

JBS (JBSS3), Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3) estão entre alguns dos principais exportadores de carne bovina do Brasil.

De acordo com o Rabobank, a China possui um estoque de carne bovina congelada armazenada, afinal, esses alimentos não foram consumidos no feriado do Ano Novo Lunar, já que os restaurantes no país foram fechados por causa da doença.

Parte desses estabelecimentos, segundo o banco, podem permanecer fechados até março, já que muitas pessoas continuam evitando refeições fora de casa, portanto, a indústria brasileira de carne bovina “está experimentando um momento de rebalanceamento de oferta e demanda”.

Leia mais:

Exportação para a China: JBS assina acordo de até R$3 bi

Minerva anuncia joint venture para expandir sua atuação no mercado chinês

Perdas no setor de turismo podem chegar a US$ 22 bilhões com coronavírus

O setor de turismo perder ao menos US$ 22 bilhões em meio a epidemia global do coronavírus, afirmou a presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês), Gloria Guevara.

Na volta das negociações do Ibovespa após o feriado de Carnaval, aberto a partir das 13h de quarta-feira (26), as companhias aéreas Azul e Gol, além da empresa de venda de pacotes turísticos CVC (CVCB3) foram algumas das que mais contabilizaram quedas percentuais elevadas.

Ontem, as companhias Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) foram algumas das que voltaram a liderar o ranking negativo da sessão. Guevara explicou em entrevista ao jornal espanhol “El Mundo” que o cálculo não é definitivo.

Feito em parceria com a Oxford Economics, essa estimativa de queda do setor de turismo foi baseada em crises similares. Embora ainda seja cedo para estimar o impacto do coronavírus no turismo mundial, os cálculos preliminares apontam esse saldo de, no mínimo, US$ 22 bilhões.

“O cálculo toma como referência as perdas derivadas dos turistas chineses que estão deixando de viajar nestas semanas”, disse ela. “Como se sabe, os chineses são os viajantes que mais gastam”, ressaltou Guevara ao “El Mundo”.

De acordo com a presidente do WTTC, as perdas serão maiores, obviamente, na Ásia, em especial na China, país no qual o turismo representa 11% do PIB. Ela salientou que “90% dos custos relacionados com esse tipo de surto não são pelo vírus propriamente dito, mas sim pelas decisões e pelo pânico que é gerado entre a população”.

Após ter sido confirmado o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, importado da Europa, alguns brasileiros já buscam alternativas para adiar suas viagens. O Estadão informou que próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, pode cancelar viagem à Itália por causa da doença.

Leia mais:

Empresas do Ibovespa perdem R$ 257 bilhões em valor de mercado na volta do Carnaval

Ibovespa fecha em queda de 2,59% após sessão volátil e temores com coronavírus


Sobre o autor