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Coronavírus, IED, Inflação e intervenção na alta do dólar: confira os destaques da semana

Por Bruna Santos
09 março 2020 - 08:47

O avanço do coronavírus no radar derrubou o Ibovespa 4,14% na faixa de 97.996 pontos na última sessão (6).

Além disso, o câmbio saltou 3,42% apenas na última semana. No acumulado do ano, a alta foi de 15,57%.

Para conter o movimento, o Banco Central (BC) realizará hoje um leilão de venda à vista totalizando US$ 1 bilhão.

Anteriormente, a entidade monetária havia indicado que interviria apenas para ajudar na liquidez, sem objetivo de conter a alta registrada.

Entre quinta e sexta-feira da semana passada, o BC colocou US$ 5 bilhões em swaps cambiais.

Nos próximos dias, o mercado observa o dólar. Após o leilão do Banco Central, outras medidas podem ser implementadas.

Assim, a Bolsa de Valores brasileira entra na segunda semana do mês apreensiva em meio aos novos casos de Covid-19.

Na sexta (6) o número de infectados globalmente superou os 100 mil, potencializando o pânico global nas Bolsas internacionais.

O Ministério da Saúde confirmou ontem mais seis novos casos de coronavírus no Brasil, totalizando 25 casos até o momento.

Os infectados estão situados em São Paulo (3), Alagoas (1), Rio de Janeiro (1) e Minas Gerais (1). Ademais, na última semana, Alemanha, França e Estados Unidos apontaram uma elevação na quantidade de infectados.

Com isso, o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no mundo deve reduzir em até 15%, pressionado pelo coronavírus.

De acordo com um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) divulgado ontem (8), a previsão anterior era de crescimento marginal (5%) no IED para o período de 2020 e 2021.

O ETF brasileiro EWZ caiu mais de 9%, seguindo o ADR da Petrobras que afunda 16% no pré-market da NYSE após petróleo desabar.

A guerra dos preços do petróleo pode inflamar os mercados nesta segunda-feira.

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Agenda doméstica tem dados de inflação; mercado externo monitora encontro do BCE

A agenda de indicadores econômicos locais inaugura a semana com o tradicional boletim Focus, do Banco Central, e divide as atenções com os dados de inflação medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O resultado do IPCA está previsto para ser divulgados na quarta-feira (11). Um dia antes saem dados da produção industrial.

Há grande expectativa sobre os resultados, afinal, os números podem consolidar apostas de cortes na Selic caso decepcionem as projeções.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide no próximo dia 18 o rumo da taxa dos juros.

Na mesma data que saem os dados de inflação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, debate a reforma tributária.

O ministro foi convidado para discutir o tema na comissão mista da Reforma Tributária, segundo informações da Agência Senado.

Além disso, no decorrer desta semana o governo federal pode anunciar uma revisão de suas projeções para a economia.

Desse modo, pode ser que haja um corte na expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2020.

Vale lembrar que o Ibovespa volta a operar em seu horário normal a partir de hoje, entre 10h e 17h.

A alteração ocorre porque os EUA entraram no horário de verão, portanto, a diferença no fuso horário passou de duas para uma hora.

No mercado externo, a agenda promete uma semana relativamente mais tranquila em termos de indicadores econômicos.

Apesar disso, os investidores vão monitorar de perto a reunião celebrada pelo Banco Central Europeu (BCE), para discutir a economia.

Assim como no Brasil, especula-se e muito sobre uma provável ocorrência de corte nos juros básicos do bloco europeu.

Nos EUA, o destaque é para o dado de inflação medido pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor, em inglês).

Por fim, o mercado externo poderá acompanhar mais atentamente os impactos do coronavírus.

Coronavírus derruba economia do Japão e impacta exportação/importação chinesa

A economia do Japão encolheu mais do que inicialmente estimado no quarto trimestre, de acordo com a Reuters.

Esse foi o pior resultado contabilizado desde o aumento do imposto sobre vendas em 2014 e potencializou os temores econômicos.

Atualmente, os índices globais reagem ao impacto do coronavírus que faz soar os alarmes para um possível risco de recessão.

Conforme a publicação da Reuters, os dados fracos sobre a economia do Japão aumentam a pressão sobre o governo.

Além disso, o Banco Central do Japão também passa a ser cobrado para adotar suporte monetário e fiscal mais fortes.

Para o economista sênior do Mizuho Securities Toru Suehiro, ouvido pela Reuters, “não há muito que o BoJ possa fazer”.

Segundo ele, “o afrouxamento monetário não pode curar a doença”, portanto, o que as entidades podem fazer é impedir que os efeitos psicológicos negativos da epidemia aumentem.

Assim também, as exportações chinesas caíram acentuadamente no primeiro bimestre de 2020, ao mesmo tempo em que as importações desaceleraram.

Isso ocorreu porque o surto de coronavírus causou grandes impactos nas operações comerciais, cadeias de suprimentos globais e atividade econômica.

Dados alfandegários recentes reiterados pela Reuters mostram que os embarques para o exterior caíram 17,2% em janeiro-fevereiro na comparação anual.

Do mesmo modo, as importações caíram na comparação anual, mas de forma menos acentuada e superaram as expectativas do mercado.

Embora as projeções sugerissem uma queda de 15%, as importações chinesas contraíram apenas 4% no bimestre, revertendo a alta de 16,5% contabilizada no mês de dezembro.

Em contrapartida, as importações de soja pela China no bimestre aumentaram 14,2% em relação ao ano anterior.

Outro salto recente contabilizado nas importações chinesas foi pelo minério de ferro (1,5%), apoiados pela forte demanda das siderúrgicas.

Balanços corporativos: semana tem resultados de Localiza, Arezzo, Minerva e muito mais

A temporada de balanços trimestrais desta semana está recheada de resultados importantes.

Entre os destaques que serão monitorados bem de perto pelo investidor estão os números da CPFL Energia, por exemplo.

Além disso, são aguardados os dados financeiros da Minerva, Localiza, Movida, CSN, Arezzo, Azul, BR Malls e Qualicorp.

Confira abaixo na íntegra a agenda dos balanços corporativos e fique por dentro dos resultados do quarto trimestre de 2019.

Os números da CPFL Energia (CPFE3) inauguram a semana, com publicação nesta segunda-feira (9) após o fechamento do mercado.

No dia seguinte (10), os balanços corporativos acompanhados serão os da Minerva (BEEF3), Movida (MOVI3), Trisul (TRIS3) e Localiza (RENT3).

Assim também, o mercado se volta para os resultados da Alupar (ALUP11), Br Distribuidora (BRDT3), Enauta (ENAT3), SLC (SLCE3), CSU Cardsystem (CARD3) e T4F Entretenimento (SHOW3) na quarta-feira (11).

Por fim, a quinta-feira (12) marca o último dia da semana com resultados da Azul (AZUL4) e BR Malls (BRML3).

Ademais, saem os balanços corporativos da CVC (CVCB3), Light (LIGT3), Marisa (AMAR3), Qualicorp (QUAL3), Taesa (TAEE11), Tegma (TGMA3), Yduqs (YDUQ3), Gafisa (GFSA3), Energisa (ENGI3), Anima (ANIM3), Unipar Carbocloro (UNIP6), Aliansce Sonae (ALSO3) e Triunfo (TPIS3).

Essa semana repleta de resultados dá impulso para um mês de março ainda recheado.

No decorrer das próximas semanas, o investidor ainda vai poder acompanhar os resultados do 4º trimestre de B2W (BTOW3), Hermes Pardini (PARD3), Braskem (BRKM5), Eletrobras (ELET3/ELET6), Via Varejo (VVAR3), Oi (OIBR3/OIBR4) Sabesp (SBSP3), JBS (JBSS3) e mais.

Por se tratar de números relacionados ao quarto trimestre e acumulado de 2019, nenhuma das companhias mostram impacto do coronavírus.


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