Mercados

Comitê da Câmara dos EUA se opõe a qualquer acordo comercial com o Brasil

Por Bruna Santos
04 junho 2020 - 07:07 | Atualizado em 04 junho 2020 - 08:00
CARLOS BARRIA

Os planos do presidente Jair Bolsonaro de estreitar as relações com os Estados Unidos por meio de um acordo comercial vão enfrentar novos empecilhos. Segundo a Reuters, o Comitê de Assuntos Tributários da Câmara dos Deputados dos EUA se opôs à expansão dos laços econômicos com o Brasil.

De acordo com a publicação, o histórico do governo Bolsonaro em assuntos como os direitos humanos e meio ambiente é a razão da manifestação.

Nesse sentido, o presidente do comitê, Richard Neal, e seus colegas democratas encaminharam uma carta ao representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, na qual afirmaram que o governo Bolsonaro vem mostrando “total desconsideração pelos direitos humanos básicos”.

Portanto, o grupo afirmou se opor “fortemente a buscar qualquer tipo de acordo comercial com o governo Bolsonaro no Brasil”.

Conforme publicado pela Reuters, os democratas acreditam que um estreitamento das relações entre ambos os países pode minar os esforços norte-americanos.

Em maio deste ano, autoridades comerciais dos EUA e do Brasil concordaram em acelerar as negociações para concluir um acordo em torno das regras comerciais. A expectativa é findar o projeto ainda em 2020, o que contaria com uma simplificação do comércio e “boas práticas regulatórias”, segundo a Reuters.

Falta credibilidade para acordo comercial

Por outro lado, os democratas no Comitê da Câmara dos Estados Unidos afirmam que o governo liderado por Bolsonaro não tem credibilidade para tal acordo.

Na avaliação dos membros, o Brasil não estaria preparado para adotar novas normas no âmbito dos direitos dos trabalhadores e proteções ao meio ambiente estabelecidos no acordo comercial EUA-México-Canadá, dado seu próprio histórico ruim em torno das tratativas.

Embora o posicionamento esteja sendo tratado como certo pela mídia, o deputado Kevin Brady, o republicano mais graduado no comitê, disse desconhecer a carta. Ainda assim, os deputados democratas sugeriram que Lighthizer deveria intensificar a aplicação das leis dos Estados Unidos, de acordo com a Reuters.

Além disso, sugeriram que, ao invés de buscar um acordo comercial com o Brasil, sejam levantadas considerações sobre práticas comerciais desleais do país.

Cada vez mais, os indícios são de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Bolsonaro estão se aproximando. Inclusive, o presidente brasileiro disse ter pedido a Trump, em telefonema, que seja aumentada a cota de produtos semiacabados de aço a que o Brasil tem direito de exportar aos Estados Unidos sem sobretaxas.


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