Economia

Com IPCA acima do previsto, mercado chega a considerar Selic a 10%

Por Fast Trade
10 setembro 2021 - 06:07 | Atualizado em 10 setembro 2021 - 08:30
selic; indicadores econômicos

Logo depois do resultado do IPCA de agosto acima do previsto pelo mercado, analistas fizeram uma revisão do ciclo da Selic. O cenário de antes, consolidado num patamar de 7,5% e 8%, agora vê pressão para se tornar ainda mais agressivo.

As apostas para a reunião deste mês no mercado de opções de Copom, por exemplo, sofreram alterações. A aposta na elevação de 1 ponto percentual na Selic deste mês despencou de 68% para 35%. Por outro lado, a aposta para a elevação de 1,25 ponto percentual subiu de 28% para 37%, tornando-se majoritária.

Além disso, 5,25% das apostas são com base no aumento de 2 pontos percentuais da Selic neste mês.

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Da mesma forma, o mercado de juros futuros no pregão de ontem apontava para Selic de 9% no final de 2021 e 10% no final de 2022.

“Como o IPCA mostrou que a alta de preços está muito disseminada na economia, a disparada das taxas foi justamente a reação do mercado a isso”, afirma Pedro Nunes, gestor da ACE Capital.

Análises do mercado

Por causa de um IPCA acima do previsto, o mercado revisou as projeções para a Selic. Dessa forma, o Barclays elevou a expectativa de 7,5% para 8,5% no fim do ciclo. Do mesmo modo, a ASA Investments vê o juros a 9% no final do ciclo.

A Quantitas, contudo, prevê um cenário ainda mais agressivo com a Selic chegando a 10% ante os 8% anteriormente previstos. A gestora aguarda, além disso, duas elevações de 1,25 ponto percentual e o aumento de 1 ponto percentual em dezembro. Finalmente, 0,75 ponto em fevereiro e 0,5 ponto em março de 2022.

Em contrapartida, a Panamby Capital ainda tem expectativa da Selic a 8,25% no final do ciclo. A justificativa é que apesar da inflação exigir o aumento do juros, a decisão será discricionário do Banco Central, que deverá fazer uma escolha.

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No mesmo sentido analisa Guilherme Loureiro, economista-chefe da Trafalgar. Apesar do aumento do IPCA, houve manutenção da expectativa da Selic em 8%. “O problema é que esses 8% estão se tornando piso. O risco é totalmente inclinado para cima e existe a chance do ritmo ser maior que 1 ponto”, afirma.

Ele ressalta, ademais, que o Brasil pode estar correndo o risco de cair num ciclo vicioso. Isso porque o aumento dos juros pode perder a capacidade de conter a inflação, uma vez que piora as contas públicas afeta a política fiscal.

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